10
maio
2014
Crítica: “Divergente”
Categorias: Críticas • Postado por: Victor Hugo
Divergente (Divergent)
Neil Burger, 2014
Roteiro: Evan Daugherty, Vanessa Taylor
Paris Filmes

2

A onda de sagas adolescentes está longe de acabar, os produtores aprenderam muito bem a lição com Harry Potter e Crepúsculo, adolescentes gostam de livros e filmes. Uma subdivisão dessa onda é mais atual e iniciou-se com Jogos Vorazes (The Hunger Games, 2012) são as sagas com futuros distópicos e Divergente (Divergent, 2014) se encaixa perfeitamente nessa classificação.

Nessa visão futurística, a humanidade entrou em grandes guerras e a forma que a cidade de Chicago, já em ruínas, encontrou de vencer a essa era de guerras é a criação de um muro que separe a cidade do resto do mundo, e a divisão da população em facções: Abnegados, Honestos, Eruditos, Bravos e Cordiais. Cada adolescente, ao completar 16 anos é submetido a um teste cerebral que define qual facção está ligado as suas aptidões, mas ainda assim cada um pode escolher se quer seguir a sua facção de origem, ou abandonar sua família e seguir outra facção.

Existem porém, aqueles cujo o teste de aptidão resultam em todas as facções, esses são chamados de Divergentes por não se encaixarem, e portanto devem ser mortos. Também há aqueles que por algum motivo (como a expulsão por exemplo) são sem nenhuma facção e vivem na pobreza. Beatris (Shailene Woodley) descobre ser uma divergente e apesar de ter nascido na facção dos Abnegados – que até o momento estão no poder, e são responsáveis por ajudar os sem facção e recusam-se a qualquer tipo de vaidade, como em uma cena na qual vemos o espelho da protagonista fechado dentro de um armário, com sua mãe (Ashley Judd) determinando o tempo em que deveria olhar – termina por escolher a facção dos Bravos.

O filme começa bem, mas se arrasta ao ponto que percebermos que grande parte do filme será devotado a mostrar o treinamento de Tris (nome que escolheu após a mudança de facção), e o desenvolvimento de sua relação amorosa com Four/Quatro (Theo James), o que resulta em um filme com pouquíssimos flashs de ação real. Algo que incomoda profundamente no decorrer do filme é a visão fixada apenas na personagem principal. Sente-se falta de saber o que acontece com o irmão de Tris (Ansel Elgort) e como evolui o conflito final do filme, tudo sendo demonstrado com uma certa pressa.

Outra coisa que irrita fortemente são as atuações, que conseguem de forma geral serem ruins. Quando esperamos uma expressão bad-ass dos habitantes da facção (Tris especialmente) temos rostos inexpressivos e apresentando até mesmo dúvida. Dos abnegados ao invés de termos rostos demonstrando compaixão, temos sorrisos eternamente falsos estampados nos rostos dos atores.

Shailene é a atriz que menos se encaixa em seu papel, é a que menos consegue demonstrar coragem, mesmo seu personagem exigindo isso, e até mesmo a vilã da história, interpretada pela competente Kate Winslet, tem pouco espaço para atuar. Os efeitos são bons e a fotografia um tanto quanto desleixada, mas nada que interfira mais que o elenco.

No final das contas, apesar dos vários erros não temos um filme bom, mas também não temos um ruim. Temos apenas mais uma tentativa de fenômeno teen que aparentemente no Brasil não está funcionando o bastante. Esperemos pelas continuações.

 



Lorde Vampírico e Geográfico das trevas, ex-ditador dessa pocilga, aspirante a escritor e a web-designer, twilighter, beatlemaniaco, parawhore, narniano e, é claro, cinéfilo. Hoje me resumo à vice-presidente do site. Amém irmãos? Amém.