09
maio
2014
Crítica: “O Palhaço”
Categorias: Críticas • Postado por: Matheus Benjamin
O Palhaço
Selton Mello, 2011
Roteiro: Selton Mello e Marcelo Vindicatto
Bananeira Filmes

5

Eu faço o povo rir, mas quem é que vai me fazer rir?”.

Uma das frases mais marcantes do filme pode demonstrar de todo modo um pouco do conflito interno do protagonista Benjamin (Selton Mello) que ainda dirige e roteiriza. O mesmo acumula outros tantos trabalhos notáveis no cinema nacional. Cheio de simbolismos, uma simplicidade brilhante e atores competentes, ‘O Palhaço’ é um longa que começa tímido sem muitas expectativas mas que aos poucos vai cativando o espectador de forma incrível.

Pangaré & Puro Sangue são uma dupla de palhaços que tentam levar alegria e diversão para o povo do interior do Brasil. O Circo Esperança possui uma trupe de muitos talentos e também conta com pessoas ambiciosas. Valdemar (Paulo José) é o pai de Benjamin (nome maravilhoso) que mesmo vivendo em meio de tanta alegria não consegue se sentir feliz com tantos pequenos problemas que vão desde um sutiã novo para Dona Zaira (Teuda Bara) a uma fixação por ventiladores. Tudo que Benjamin mais quer é se descobrir.

Com uma trilha sonora que contrasta com as belas cenas e outros tantos personagens cativantes, simples e humanos o longa vai crescendo em meio a apresentações do circo, confusões inesperadas e o drama interno do protagonista. Beto e Deto (Tonico Pereira), Delegado Justo (Moacyr Franco) e Tonha (Fabiana Karla) conseguem com apenas uma ou duas cenas, trazer uma riqueza ainda maior. Tonico com dois gêmeos turrões que prometem consertar o carro da trupe; Moacyr com um delegado que mesmo bravo provoca risos da plateia e Fabiana com uma moça que talvez pudesse doar um sutiã grande para Dona Zaira.

Também há um destaque para a personagem Guilhermina (Larissa Manoela) que mesmo falando uma ou duas palavras no filme todo consegue demonstrar todas as suas emoções. Emoções que se concentram em uma cena de despedida, podendo até fazer sentir pena da situação encontrada por uma certa personagem controversa. E no meio disso tudo, enxergamos as escolhas de Benja entre erros e acertos. Nada mais humano que isso. Proposta de se fazer sorrir sem perceber com o encantamento de encher os olhos.

Enquanto assistimos ‘O Palhaço’ podemos lembrar em alguns momentos o universo dos filmes de Chaplin, seja pelo tom do humor leve ou pelos olhares que muitas vezes podem falar muito mais. O ponto alto, também, talvez seja a descoberta de “seu verdadeiro eu” que conseguiu traze-lo de volta para algo que sempre fora buscado e estava muito próximo. E essa volta é repleta de uma beleza singela e tocante.

Pois bem, respeitável público, depois de tanto falar de como uma coisa pode começar tímida e conquistar aos poucos faço o convite para que apreciem esta bela e formosa película cheia de sorrisos, narizes vermelhos e aplausos. E para finalizar de fato: “mas tudo passa, tudo passará…”



Fã de Miyazaki, Aïnouz, Salles, Mendonça Filho, Von Trier, Thomas Anderson, Haneke e Bergman. Dirigi dois curta-metragens “A-Ma-La” e “Senhor Linux e sua Incrível Barba”, ambos pela Pessoas na Van Preta.