06
maio
2014
Pipoca F.A.R. 3# – Animação Tradicional
Categorias: Pipoca F.A.R. • Postado por: Matheus Benjamin

Eu sou completamente fascinado por qualquer tipo de animação. Stop Motion, 2D, 3D. Também chamada de animação desenhada à mão ou animação 2D, é a mais velha e historicamente a mais popular forma de animação. O longa-metragem, produzido com essa técnica, de maior bilheteria de todos os tempos é clássico inesquecível O Rei Leão de 1994. Aqui irei indicar quatro ou cinco animações tradicionais dos últimos anos que são incrivelmente imperdíveis. Confiram:

A Viagem de Chihiro (Sen to Chihiro no Kamikakushi. Hayao Miyazaki, 2001)

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Produzido pelo Studio Ghibli, o longa ganhou, merecidamente, o Oscar de melhor animação em 2003. É uma das minhas animações favoritas da vida, principalmente por conta da estética dos personagens e de um roteiro fantástico. Chihiro aparenta inicialmente ser uma história simples, mas aos poucos vamos notando sua complexidade encantadora, desde seus pais transformados em porcos por devorarem as comidas expostas no vilarejo em que chegam à Haku, Sem Rosto e Zeniba. Aliás, quem quiser conhecer Hayao Miyazaki pode começar sem medo por este filme. Tocante, emocionante e belo. É uma das melhores animações já feitas.

Persépolis (Idem. Marjane Satrapi e Vincent Paronnaud, 2007)

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Li a HQ no qual esse filme é baseado, sem nem saber de sua existência, no ano passado. Confesso que fiquei completamente envolvido pela história contada em Persépolis e maravilhado tanto pela narrativa quanto pelo traço de Marjane que nos apresenta sua biografia de uma maneira muito interessante. No longa conhecemos então a história de Marjane Satrapi e sua vida durante uma série de censuras, imposições e ditaduras na sociedade iraniana onde era obrigada a usar o véu, uma coisa que não lhe agradava muito, tornando a mesma uma revolucionária junto de seus pais e sua linda avó. O filme é fascinante, principalmente por ser contado em preto e branco, apesar de vez ou outra mostrar Marjane colorida em um aeroporto nos dias atuais. É fiel à HQ mesmo tirando uma coisinha aqui, outra ali.

Uma História de Amor e Fúria (Idem. Luiz Bolognesi, 2012)

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Há tempos no Brasil precisávamos de um filme como esse. É de encher os olhos essa animação totalmente nacional, com vozes de Selton Mello, Camila Pitanga, Rodrigo Santoro e Paulo Goulart. Em muitos anos não se via nada do tipo voltado para um público mais maduro, não digo aqui que crianças não possam se interessar, porém Uma História de Amor e Fúria talvez seja um tanto complexo. E é maravilhoso. Temos uma jornada pela história do Brasil permeada de períodos marcantes como escravidão e ditadura militar. O protagonista é quem nos leva para essa viagem, enquanto ainda tenta encontrar sua amada Janaína a cada período que se passa.

Ernest e Celestine (Ernest et Celestine. Benjamin Renner, Vincent Patar e Stéphane Aubier, 2013)

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Concorreu ao Oscar de Melhor Animação, mas perdeu (injustamente) para Frozen. Mesmo assim, Ernest et Celestine é uma linda história de amizade entre membros de dois grupos que se odeiam, no caso aqui: Ursos e Ratos. Celestine é a cativante roedora que depois de um incidente acaba conhecendo o engraçado urso Ernest e os dois, juntos, acabam vivendo em uma casa, sendo procurados pelos grupos dos quais fazem parte. É notável o que um vai aprendendo com o outro e descobrindo coisas novas. Digamos que o grande ápice do filme é tristinho, mas vale muito a pena! Não sei se já foi lançado no Brasil, se ainda não foi espero poder conferir novamente no cinema. É um longa que merece!

Também recomendo que assistam Valsa com Bashir de 2008 dirigido por Ari Folman. Foi a primeira animação a ser indicada ao Oscar de Melhor Filme Estrangeiro.



Fã de Miyazaki, Aïnouz, Salles, Mendonça Filho, Von Trier, Thomas Anderson, Haneke e Bergman. Dirigi dois curta-metragens “A-Ma-La” e “Senhor Linux e sua Incrível Barba”, ambos pela Pessoas na Van Preta.