05
jun
2014
Crítica: “A Culpa é das Estrelas”
Categorias: Críticas • Postado por: Victor Hugo
A Culpa é das Estrelas (The Fault in Our Stars)
Josh Boone, 2014
Roteiro: Scott Neustadter, Michael H. Weber
20th Century Fox Film

3.5

Tive muito cuidado ao entrar naquele lugar, eu sabia que estava me metendo em um terreno perigoso, cheio de armadilhas cruéis, e não, não me refiro a um campo de guerra, e sim a sala de cinema em que assisti A Culpa é das Estrelas (The Fault in Our Stars, 2014). Li o livro no ano passado e apesar de ficar extremamente encantado com a visão de John Green (autor do livro) sobre assuntos tão comuns a vida e ao mesmo tempo tão ignorados (a morte é o principal desses assuntos), acabei ficando receoso sobre o que teríamos na adaptação.

Primeiro, temi que resolvessem transformar a trama no mais novo filme de Nicholas Sparks. Depois com o anúncio do elenco e a assistir um filme que reúne dois dos atores (Divergente, com Ansel Elgort e Shailene Woodley) temi que as atuações pra lá de fracas para não usar um termo mais ácido tornaria o filme igualmente fraco e inconsistente.

Graças ao bom deus do cinema, essas expectativas não se realizaram, e temos aqui uma adaptação doce e emocionante, sobre como a vida não é controlada por nós mesmos, e que nem tudo é nossa culpa, pode ser simplesmente culpa das estrelas.

O filme começa contando brevemente sobre a rotina de Hazel Grace Lancaster (Shailene), diagnosticada com câncer na tireoide, e com sérios problemas na respiração, precisando viver de um lado para o outro com um jato de oxigênio nas narinas. Sua mãe (Laura Dern) a obriga a ir em um grupo de apoio onde acaba conhecendo Augustus Waters (Ansel) e por quem acaba se apaixonando.

O rítmo é perfeito, o desenvolvimento da relação dos dois é feito de forma breve e concisa, e o conflito da história acontece de forma natural, o que foi feito de forma extremamente sábia pela direção, já que ao contrário do livro, somos levados a conhecer a grande problemática da história sem alardes, com uma simples conversa a beira de um rio em Amsterdã.

Em aspectos técnicos, devo primeiramente elogiar grandemente a performance de Shailene, que demonstrou a força e a sensibilidade necessárias para viver uma personagem igualmente forte. Já Ansel teve uma atuação problemática em vários momentos principalmente na primeira metade da película, mas quando seu personagem lhe exigiu maior comprometimento, ele o fez com êxito. Outras atuações se destacam como a do amigo de Augustus, Isaac (Nat Wolff) que vive um personagem cego, e que acrescenta um humor que é muito bem utilizado, sem falar de grandes nomes como Willem Dafoe e a já citada Laura Dern.

Outro recurso bem utilizado é a trilha sonora, que se restringe a poucas músicas instrumentais, e é acrescentada de forma coerente e bem construída, recheada de baladas indie.

No conjunto da obra, a maior das belezas dessa película é a capacidade de emocionar, de se utilizar de todos os recursos (sonoros, imagéticos e textuais) para construir uma sensação única, e principalmente levar o público a perceber, que pequenos momentos, podem ser infinitos.

OBS: A única coisa que irritou-me e provavelmente irá irritar a todos que forem assistir perto da estreia é o número de meninas histéricas, que ao invés de se animarem e gritarem (o que já é uma grande falta de respeito) com a história, fazem isso quando vêem um ator bonito. Isso além de ridículo é extremamente desrespeitoso.



Lorde Vampírico e Geográfico das trevas, ex-ditador dessa pocilga, aspirante a escritor e a web-designer, twilighter, beatlemaniaco, parawhore, narniano e, é claro, cinéfilo. Hoje me resumo à vice-presidente do site. Amém irmãos? Amém.