04
jun
2014
Crítica: “Noel – Poeta da Vila”
Categorias: Críticas • Postado por: Matheus Benjamin
Noel, Poeta da Vila
Noel – Poeta da Vila
Ricardo Van Steen, 2006
Roteiro: Pedro Vicente
Imovision

2

Noel Rosa, nascido no Rio de Janeiro, onde viveu grande parte de sua vida, especificamente na Vila Isabel, figura como um dos grandes compositores da música popular brasileira, sobretudo no samba onde ficou conhecido como Poeta da Vila. Vindo de uma família de classe média, frequentou um bom colégio na adolescência e entrou pra faculdade de medicina, desistindo logo em seguida após descobrir suas aptidões artísticas, onde se aventura pela boemia carioca compondo diversas canções a respeito de suas experiências até descobrir a tuberculose e morrer jovem. Com esse enredo nas mãos, o diretor Ricardo Van Steen perde completamente uma grande oportunidade de se fazer um excelente filme.

Logo nos minutos iniciais de Noel – Poeta da Vila percebemos um roteiro com diálogos fracos e atuações medianas. A base do mesmo fora o livro de João Máximo e Carlos Didier, Noel Rosa: Uma Biografia. O protagonista (Rafael Raposo) em seu primeiro trabalho no cinema não consegue convencer na pele do grande Noel, apesar de sua aparência um tanto quanto parecida. A caracterização no caso o favoreceu, mas em si o ator, até que esforçado, não desempenha uma boa atuação.

Narrando a trajetória do artista desde seus 17 anos, o roteiro ainda aborda os principais conflitos na vida do mesmo, como sua relação com a família, o casamento inesperado com Lindaura (Lidiane Borges), a vida boêmia ao lado de seu amigo Ismael (Flávio Bauraqui) e amante Ceci (Camila Pitanga) além de sua rotina e como desenvolvia sua composições. Esses últimos se salvam em meio aos diversos fatores falhos do longa, onde mostram seus talentos mas não são o suficiente para carregar o filme a diante. Em certos momentos, temos bons planos e sequências. A fotografia é boa, mostrando boas paisagens contrastadas com cores bem harmoniosas e enquadramentos precisos. Mas nada disso sustenta todo o resto, o que é uma pena. Vale ressaltar a trilha sonora com as composições de Noel Rosa, que não poderiam ser deixadas de lado, apropriadas em diversas cenas.

Uma biografia não é fácil de ser produzida, há muitos detalhes a serem levados em conta e este filme peca exatamente por conta de suas tentativas de mostrar vários pontos com seu roteiro apressado, exagerado e caricato, direção fraca e atores, em sua maioria, despreparados. Contudo, o filme ainda tem alguns pontos positivos e interessantes, mas no geral é dispensável. Noel Rosa merecia algo melhor.



Fã de Miyazaki, Aïnouz, Salles, Mendonça Filho, Von Trier, Thomas Anderson, Haneke e Bergman. Dirigi dois curta-metragens "A-Ma-La" e "Senhor Linux e sua Incrível Barba", ambos pela Pessoas na Van Preta.