14
jul
2014
Crítica: “Heleno – O Príncipe Maldito”
Categorias: Críticas • Postado por: Matheus Benjamin
Heleno
Heleno – O Príncipe Maldito
José Henrique Fonseca, 2011
Roteiro: José Henrique Fonseca
Downtown Filmes

3.5

O craque problema, Heleno de Freitas era um cara temperamental, com pinta de galã, mulherengo, mas sobretudo um ótimo jogador de futebol. E Heleno com direção de José Henrique Fonseca, narra o período conturbado na carreira desse polêmico jogador durante as décadas de quarenta e cinquenta. Ousando ao retratar a vida do mesmo em preto e branco, o longa possui seus erros mas também muitos acertos.

Rodrigo Santoro interpreta o personagem título em grande atuação, que chegou a ser comparada por muitos à de Robert De Niro em Touro Indomável (Raging Bull de Martin Scorsese, 1980) filme que retrata um outro esporte. Conhecemos Heleno (Santoro), um verdadeiro craque dentro de campo, mas com uma vida conturbada, ora boêmia, ora problemática, fora dele. O mesmo teve origem no Botafogo, passou um período no Boca Juniors na Argentina, o Vasco da Gama no Brasil e posteriormente acabou indo parar em uma clínica onde passou seus últimos dias. Teve amantes como Silvia (Alinne Moraes), que mais tarde tornou-se esposa e mãe de seu filho; além da personagem interpretada pela colombiana Angie Cepeda, tendo um destaque à parte em suas cenas de apresentações musicais. Aliás, Rodrigo é tão bom nesse papel tanto em sua aparência física quando em outros aspectos, como os ataques de fúria e certas excentricidades de Heleno.

Começamos pelo final da vida do protagonista, fazendo diversos retornos a períodos. De certa forma, o filme peca nesse aspecto sem situar o período especifico, deixando o espectador um pouco confuso com todas as informações que vão sendo jogadas. Mas uma coisa é mais que certa: tem uma ampla e elegante riqueza de detalhes na composição visual, além de ter uma belíssima fotografia dirigida pelo competente Walter Carvalho, que situa bem nossa visão à época em que o filme se passa. Sem falar que a escolha do preto e branco durante seus 116 minutos deu um tom muito (mas muito) ousado à película.

O roteiro é cheio de diálogos inteligentes, interessantes e bem executados. Frases feitas e convencidas de seu protagonista tornando ainda mais convincente a representação do mito, que vemos muito pouco em campo, de fato, mas acredito que a intenção do diretor tenha sido outra: Mostrar os bastidores de uma vida cheia de glórias e conquistas e também de turbulências. Heleno era botafoguense roxo e portanto relutou bastante a abandonar o time do coração para ir à Argentina e chegando lá temos um momento engraçado na narrativa, pois ele recusa-se a treinar sem casacos que o protejam do frio. Aliás, ele recusa-se a treinar, fazer exercícios, briga com os colegas de time e arma escândalos no vestiário quando contrariado.

Em suma, Heleno era uma figura, até então desconhecida por mim, mas sua história é muito interessante. Apesar dos pesares o filme tem um visual chamativo, um bom elenco, bom roteiro e boas passagens. É incrível como a Copa do Mundo mexe com as pessoas e vemos isso aqui claramente, só que no caso a Copa de 1950 que também ocorreu no Brasil (e que Heleno acabou por não participar por diversos motivos). Não sou nada bom com trocadilhos e tampouco gosto de futebol, mas sairei de campo deixando com vocês a dica de um bom filme que merece ser assistido por todos aqueles que gostem ou desgostem do referido esporte. Gol!

PS: A copa do mundo acabou ontem e eu não poderia deixar esse clima futebolístico ir embora sem antes trazer a vocês uma crítica de um filme que de certa forma engloba o tema.



Fã de Miyazaki, Aïnouz, Salles, Mendonça Filho, Von Trier, Thomas Anderson, Haneke e Bergman. Dirigi dois curta-metragens "A-Ma-La" e "Senhor Linux e sua Incrível Barba", ambos pela Pessoas na Van Preta.