12
jul
2014
Críticão: O Vingador do Futuro – Original vs Remake
Categorias: Críticas • Postado por: Marcela Galvão

Embora o remake O Vingador do Futuro (Total Recall, 2012) não  tenha estreado recentemente, dia desses lá estava eu rodando os canais da tv (porque é CLARO, nada melhor do que aproveitar seu tempo de férias assistindo a qualquer bobagem que tenha na televisão) quando de repente, eis que inicia um clássico oitentista: O Vingador do Futuro original (Total Recall, 1990). Havia muito tempo que não assistia tal obra, mas após uma breve reflexão pude observar aspectos do filme que, apesar de todo o orçamento e CGI do mundo, o tornam melhor do que o novo. Eis aqui alguns pontos que podem ser comparados e discutidos.

O filme se baseia numa obra de Phillip K. Dick (o mesmo que escreveu contos que foram também adaptados para as telas, tais como Blade Runner e Minority Report) cujo nome era “We Can Remember It for You Wholesale” o qual está inserido em uma coletânea de contos chamada de “O Vingador do Futuro” . O roteiro de ambos os filmes, portanto, é bem similar.

No original, em um futuro distópico, pessoas pobres, mutantes e demais indesejados vivem não mais na Terra, mas sim em uma colônia em Marte, o qual é controlado por uma grande corporação corrupta. Quaid (Arnold… Shuaajhsdknegger), um simples operário, entediado com sua vida, decide ir à uma empresa que consegue criar a realidade que você quiser, a Recall.

No novo filme, o mundo está está destruído em decorrência de uma guerra química, e em vez de Marte, a colônia se passa… na Austrália. No novo filme, a esposa de Quaid, Lori Quaid (Kate Beckinsale), uma espiã contratada para vigiar Quaid (agora interpretado por Collin Farrel), ganha mais importância, sendo encarregada por matar Quaid; enquanto no antigo tínhamos Richter (Michael Ironside), um funcionário de Cohageen, o grande dono da corporação (interpretado por Rony Coxx e Bryan Cranston, de acordo com a cronologia).

O diretor do remake, Len Wiseman, diz em uma de suas entrevistas que queria tornar o futuro de Total Recall em seu filme o mais real o possível. Ele retrata isso através de muito trânsito (mesmo que agora as pessoas se locomovam em pequenas naves) e prédios altos, com toda uma atmosfera sombria e chuvosa – muito similar à Blade Runner, inclusive, infelizmente sem o aspecto noir tão glamoroso. No filme de 1990, temos tons de vermelho a todo momento justamente por uma grande parte do filme se passar no planeta vermelho. Entretanto, não causa um desconforto pelo fato das demais cenas que não se passam em Marte serem coloridas, muito diferente do novo, onde todas as explosões, chuvas e cenas escuras em lugares fechados quase o tempo todo tornam o filme cansativo. Temos que levar em conta nesse também, a produção. Com 20 anos de diferença entre os filmes, não é de se admirar que, enquanto no novo o foco seja toda a aparelhagem tecnológica e os problemas não tão distantes do nosso mundo, no antigo toda a atenção vai para os cenários típicos dos anos 80/90, com coisas inusitadas e um tanto ridículas. Afinal, quem colocaria um ventríloquo como taxista? WEEEIRD!

take-that-taxi

Esse é um ponto onde eu tenho que ter muito cuidado. Embora eu realmente ame (e creio que vocês já possam ter notado isso) explosões, espaçonaves, aliens, robôs, mutantes, lasers, metralhadoras, lutas impossíveis e tudo o mais… Eu sou uma amante dos anos 80. Eu adoro “A Mosca” (Cronenberg, 1986), eu adoro “Naked Lunch” (Cronenberg, 1991), eu adoro “A Coisa” (John Carpenter, 1982). Eu adoro qualquer tipo de maquiagem suja e asquerosa.

E, enquanto no novo temos pessoas pulando de alturas gigantescas e mais balas do que em qualquer outro filme que eu possa lembrar, brigas de tirar o fôlego e perseguições intermináveis, no antigo temos o grande, o incrível, o… melhor governador que a Califórnia já teve (rsrç) , o… Homem que venceu Lou Ferrigno em 1974 na quinta edição do Mr. Olympia (RSRSRÇ), DE MEM, Arnold Schwarzenegger, batendo em todo mundo, tendo os olhos esbugalhados e conversando com bebês deformados vivendo na barriga de um cara. Em um filme a ação come solto, no outro, a porrada. Um filme preza pelos efeitos visuais, outro, pelos físicos. E francamente? Não há nada mais fácil hoje em dia do que ter cenas bem feitas com uma ajudinha do computador e algum super nerd em animação. Eu aprecio muito mais a criatividade de um diretor que recorre à maquiagem em seus filmes (voluntariamente ou não).

Aqui empatamos. Claro, creio que algum de vocês deva pensar “ah, como se o Schwarznegger fosse um bom ator” e de fato, ele não é. Mas pense em seus papéis, nenhum nunca foi muito difícil, provocativo, e na maioria das vezes, os diretores já adaptam o filme pensando que o próprio Arnold vai interpretar o papel principal. Não foi a mesma coisa com Collin Farrel, que competiu com Michael Fassbender e Tom Hardy para interpretar Quaid, e o fez de forma profunda e muito bem feita. Com certeza um pouco mais séria do que Arnold, mas também, o filme é mais sério.

Wife

Agora, vamos falar de mulher. Tanto Sharon Stone quanto Kate Beckinsale (ambas Lori Quaid) são duas belezas de matar… literalmente. O olhar assassino das moças é tão sexy que qualquer homem que estivesse sendo perseguido desistiria e deitaria no chão. Já do lado das mocinhas… Hm. Melina, a rebelde parceira de Quaid, no antigo, é interpretada por Rachel Ticotin, e no novo, pela belíssima Jessica Biel; mas Jessica bobeou nessa. Poxa vida, a Mel é uma rebelde! Ela é durona, ela é forte. Jessica a interpreta como se fosse uma mocinha que tivesse tido aulas de muay thai pra tornear as pernas. Embora muito mais bonita que a atriz anterior, é a porto-riquenha que interpreta melhor e dá mais vida à personagem.

Enfim. Por mais que sejam filmes que sigam quase a mesma linha, se não fosse pelos nomes, talvez nem mesmo perceberíamos que é a mesma história. E, embora você tenha lido até aqui e esteja completamente desanimado para ver o remake, assista-o. Afinal, e um filme de ação hollywoodiano – é divertido! Mas é puro entretenimento esquecível. Com certeza não valeu meu dinheiro para ir ao cinema, mas pode muito bem valer um filme baixado com uma pipoca em um sábado à tarde. Já o antigo é questão de ser fã. Se você curte o “Arnold Movie Style”, curte os anos 80, curte pancadaria ou qualquer coisa do tipo, eu recomendo extremamente. Afinal, é um clássico!

O Vingador do Futuro (1990): 4

O Vingador do Futuro (2012): 2,5

Obs¹: Quando fui dar exemplos de filmes com maquiagens legais, eu consegui pensar em uns 5 do Cronenberg. Oras, não sabia que gostava tanto do cara!
Obs²: Achei por aqui uma comparação divertida dos filmes. Assista!




Fã de Nolan, Kevin Smith e Von Trier. Chora em "Toy Story", assiste Grease toda vez que está passando na televisão e tem pavor de filmes com animais falantes. Torce pra a dominação alien sobre a Terra.É cinéfila e nas horas vagas, estudante de direito.