18
ago
2014
Crítica: “Carros” – MARATONA PIXAR #7
Categorias: Críticas, Maratona Pixar • Postado por: Victor Hugo
Carros (Cars)
John Lasseter e Joe Ranft, 2006
Roteiro: Dan Fogelman, John Lasseter, Joe Ranft, Kiel Murray, Phil Lorin e Jorgen Klubien
Walt Disney Pictures

3

Como terminar uma fase impecável, dizendo adeus a todo resquício de infantilidade e imaturidade em suas criações? A Pixar resolveu fazer isso criando um filme mediano que resgate todas as raízes de humor, ao mesmo tempo que busca influências de outras grandes produtoras no ramo de animação 3D. Estou falando de Carros (Cars, 2006), o filme mais comercial da Pixar até agora em nossa maratona.

Gostaria já de deixar claro que não acho que um filme é ruim só por ser comercial, e Carros não é um filme ruim. Só não consigo vê-lo como um filme da Pixar. Uma pitada de Dreamworks foi adicionada aqui talvez?!

Pois bem, vamos logo a história: Relâmpago McQueen é um carro de corrida que vive em um mundo que habitado totalmente por carros. Logo no início do filme, percebemos o desejo que vai guia-lo por toda sua história: Vencer a Copa Pistão e assinar contrato com uma nova e cobiçada patrocinadora, a Dinoco. Mas McQueen é um ser totalmente egoísta e não liga para nenhum dos conselhos dados por sua equipe, o que acaba levando-o a ter seus dois pneus estourados metros antes da linha de chegada, e por um milagre empatar com mais dois corredores .

McQueen além de egoísta é orgulhoso e arrogante, não gosta de se misturar com os pobres carros enferrujados que são de sua patrocinadora (que é aliás um óleo anti-ferrugem), e ao viajar para a nova corrida de desempate que irá acontecer em Los Angeles, ele percebe em uma conversa com seu agente que não tem amigos, o que não o preocupa de início. Ele só quer é ganhar a sua corrida, e chega ao ponto de não deixar o caminhão que o carrega pela estrada dormir, o que é claro tem suas consequências, e no seu caso, é ele se perder na antiga Rota 66 e chegar a pequena cidade de Radiator Springs, e ficar preso lá por ter destruído o asfalto da cidade.

Apesar da narrativa aparentemente fútil de um astro do mundo dos famosos, John Lasseter nos conduz do extremo do glamour até a bela e humilde natureza dos desertos norte-americanos de uma forma divertida e um pouco corrida,  muitas vezes pecando o humor desnecessário e forçado, e depois nos forçando a voltar para uma cena reflexiva.

A história da cidade que foi prejudicada pela auto-estrada é uma das coisas mais interessantes deste filme, pois nos leva a refletir sobre como nossa pressa é capaz de prejudicar principalmente a nós mesmos. Esse olhar para o passado é uma forma muito interessante de nos forçar a ver a vida dessa forma, da forma mais simples e humilde, mas mesmo assim feliz.

A transformação de McQueen vem daqueles dos quais jamais iriam se esperar. Mate por exemplo, é um caminhão guinho apresentado apenas como um recurso de humor quando os vemos pela primeira vez, mas sua inocência e perceptível ligação com McQueen faz dele um dos grandes amigos do carro de corrida e que com certeza é um ponto principal para sua transformação.

Apesar das evidentes falhas no formato da direção e na falta de originalidade do enredo (do personagem arrogante se transformando), Carros é um ótimo exemplo de como o que é novo, pulsante como um jato ou veloz como um foguete, nem sempre é aquilo que tem a capacidade de nos tornar felizes e com certeza saudar o passado é uma das melhores formas de sentirmo-nos renovados e novamente vivos.

Este é o último filme da primeira fase da Pixar em minha divisão, e anuncia que a renovação feita em ‘Os Incríveis‘, será levada a um novo patamar pelo filme seguinte, então não perca amanhã nossa postagem sobre ‘Ratatouille’, primeiro filme da segunda fase da Pixar.



Lorde Vampírico e Geográfico das trevas, ex-ditador dessa pocilga, aspirante a escritor e a web-designer, twilighter, beatlemaniaco, parawhore, narniano e, é claro, cinéfilo. Hoje me resumo à vice-presidente do site. Amém irmãos? Amém.