14
ago
2014
Crítica: “Monstros S.A.” – MARATONA PIXAR #4
Categorias: Críticas, Maratona Pixar • Postado por: Victor Hugo
Monstros S.A. (Monsters Inc.)
Pete Docter e David Silverman, Lee Unkrich, 2001
Roteiro: Pete Docter, Jill Culton, Jeff Pidgeon, Ralph Eggleston, Andrew Stanton, Daniel Gerson
Walt Disney Pictures

4.5

Falar de monstros assustadores para crianças nunca pareceu e ainda não nos parece uma boa ideia, mas mais uma vez a Pixar conseguiu. Monstros S.A. (Monsters Inc., 2001) é o primeiro filme da produtora sem a direção de John Lasseter, mas é com certeza um dos mais geniais filmes da primeira fase da empresa. Esse também era um dos meus favoritos na infância, mas ao contrário do que aconteceu com Vida de Inseto, meus olhos adultos só me fizeram amar ainda mais essa linda obra da computação.

Monstros S.A. se passa em um mundo paralelo, onde só existem Monstros, e após uma sequência de créditos iniciais divertidíssima embalada por um Jazz frenético, somos apresentados a Sully e Michael Wazowski que trabalham com orgulho na empresa de produção de energia, a Monstros S.A.. Como eles produzem energia?! Vindo ao mundo humano através de portas e capturando o grito das crianças.

Existe também uma competição interna na empresa de quem consegue capturar os gritos mais potentes, onde Sully é está sempre em primeiro lugar, precedido pelo invejoso Randall, que faz de tudo para ultrapassá-lo, ao ponto de trapacear ficando após o expediente, e um dia acidentalmente sendo pego por Sully. Infelizmente esse não é o maior dos problemas, e sim o fato de uma criança humana entrar no mundo dos monstros por causa disso, a fofíssima Boo.

O filme é dirigido a três mãos e comandado por Pete Docter, que faz um trabalho de mestre ao transformar a relação quase que de nojo dos monstros pelas crianças em algo extremamente afetuoso e sensível. Esse ponto de conexão que é estabelecido com nossa vida real, o de “É um trabalho perigoso, mas necessário” pode levantar questões que estão espalhadas por toda nossa vida adulta, mas ao invés de isso ser entendido apenas por tais olhos, são pequenas sacadinhas que qualquer criança pode fazer, e isso torna a obra universal em sua essência e com certeza trará valores que serão levados por toda sua vida.

É claro que o humor da primeira fase da Pixar não falta em nenhuma das cenas, ao ponto de novamente divertir crianças e fazer adultos se sentirem mais próximos desse seu passado, e eu queria muito poder assistir o musical “Manda esse treco de volta senão o bixo pega” ao vivo aliás. É o tipo de animação que chega ao ponto de nos agoniar e nos fazer perguntar a nós mesmos “Meu Deus, como eles vão resolver isso?!” e termos a sensação de ter o diretor pegando em nossas mãos e dizendo “Calma, a gente sabe o que está fazendo“. Essa maturidade e talento encantam qualquer um que ame o cinema como nós pipoqueiros amamos.

E aqui chegamos a maior beleza de todo esse filme: A relação de amor entre Boo e Sully, que é construída de uma forma tão bela  e verdadeira que me emociono apenas em lembrar, e isso nos leva a pensar em Sully até mesmo como um pai e só isso já é extraordinário, por que somos capazes até mesmo de esquecer que ele é um monstro! E saber que o amor é o sentimento que torna tudo isso irrelevante é tocante de maneiras totalmente diferentes. Esse amor de Sully pela garota é tão forte que nem depois de toda a problemática ter se solucionado ele ainda ama a garota de uma forma totalmente verdadeira, e somos tão inundados por essa verdade que esquecemos-nos de qualquer diferença entre ele e a menina.

Esses pequenos valores tão especiais são o que fazem não só de Monstros S.A. mas de toda a obra da Pixar até os dias de hoje tão excepcional e linda, o valor do amor, o valor da amizade, o valor da fraternidade, o valor da inocência e  o valor do sorriso, que no final das contas é infinitamente mais forte que qualquer grito.

Amanhã temos mais Maratona Pixar, e já peço para preparem os lencinhos porque será dia de Procurando Nemo.  Abraços!



Lorde Vampírico e Geográfico das trevas, ex-ditador dessa pocilga, aspirante a escritor e a web-designer, twilighter, beatlemaniaco, parawhore, narniano e, é claro, cinéfilo. Hoje me resumo à vice-presidente do site. Amém irmãos? Amém.