17
ago
2014
Crítica: “Os Incríveis” – MARATONA PIXAR #6
Categorias: Críticas, Maratona Pixar • Postado por: Victor Hugo
Os Incríveis (The Incredibles)
Brad Bird, 2004
Roteiro: Brad Bird
Walt Disney Pictures

4

Pela primeira vez, o símbolo maior da inovação nas animações resolveu inovar-se e recriar-se. Os Incríveis (The Incredibles, 2004) é uma novidade em muitos sentidos para a empresa e demonstra a primeira grande renovação na produtora (lembrem-se da minha divisão de fases da Pixar, feita nesse post). É o primeiro dirigido e escrito por apenas uma mão, a de Brad Bird (sim, o diretor do genial ‘O Gigante de Ferro’). Mas principalmente, essa é a primeira produção com personagens humanos da Pixar.

Os Incríveis conta a história do Senhor Incrível – Roberto/Bob Pêra – um super-herói com super-força, e que está prestes a se casar com Helena, a Mulher Elástica. Para não revelar muito sobre a história, uma série de reviravoltas acontece (muitas vezes por causa do grande fã do Senhor Incrível, o Gurincrível que não tinha dom nenhum) que leva a proibição total dos super-heróis de existirem, e assim é decretado que eles deveriam deixar suas identidades secretas se tornarem as únicas que eles teriam, e assim se misturarem as pessoas comuns e terem vidas comuns.

É claro que isso é totalmente absurdo para eles, e percebemos isso estampado no rosto de Roberto. Ele quer ter sua vida de super-herói de volta, ele quer ser super de volta, e seu atual trabalho numa seguradora é tão entediante que ele se diverte indo contra as regras, ajudando as pessoas quando não deveria estar fazendo isso. Sua família é igualmente anormal. Seus filhos Flash (obviamente com o poder da ultravelocidade), Violeta (fica invisível e projeta um campo de força) e o pequeno Jack que ainda não se sabe seu poder com exatidão. Ou seja, de normal, essa família só tem a aparência.

Bob é então chamado para uma missão ultrassecreta, que é claro, é aceita imediatamente por ele, mas que acaba levando toda a família a se movimentar em busca se salvá-lo e salvar a cidade do novo vilão: O Síndrome.

Esse é o mais maduro dos filmes da Pixar até agora, pois traz discussões profundas que tocam exclusivamente o mundo dos adultos e a sociedade, o que estabelece um ótimo plano básico para o que virá futuramente na fase adulta da Pixar (principalmente com ‘Ratatouille‘, que é do mesmo diretor e da sequência a discussões parecidíssimas). Mas mesmo com essa natureza infinitamente adulta do filme, gosto ainda de vê-lo como um estágio da transição dessas fases, principalmente porque este tem um diálogo muito profundo e até mesmo forte com as crianças, a de que os adultos podem ser maus de verdade, e que não vão se solidarizar com elas só por serem crianças. Como diz Helena, “Se tiverem a oportunidade, eles matarão vocês.“. Isso pode parecer cruel demais para se dizer a uma criança, mas esse olhar sobre a realidade é uma das principais virtudes desta animação.

Outro ponto de vista interessante, é o olhar sobre o como nossas habilidades podem definir ou não quem somos. Violeta no início do filme fica o tempo todo se escondendo, colocando seu cabelo sobre o rosto e não demonstrando sua personalidade, sendo que seu poder é justamente o de se esconder, de ficar invisível para sua própria proteção. Mas quando ela precisa defender sua família, ela não consegue projetar esse campo e tem uma imensa dificuldade ao projetar a proteção que antes era só para ela aos seus familiares, e quando consegue isso se torna uma das mais fortes personagens. Ela não precisa se esconder mais, porque sabe que seu poder não é um caso próprio, é algo que ela deve exteriorizar e levar para os outros também. Isso é claro se estende aos outros personagens, como a velocidade de Flash, que implica em sua falta de paciência e imaturidade, mas no final temos um Flash completamente diferente fazendo de tudo para não ser o primeiro lugar.

Todos esses pequenos detalhes fazem de ‘Os Incríveis’ um filme igualmente incrível, que é responsável pela primeira das grandes renovações da empresa que (pelo menos para mim) é um dos maiores símbolos da renovação do cinema e da animação como um todo.

Daqui a pouco postaremos sobre o último filme da primeira fase, ‘Carros’!



Lorde Vampírico e Geográfico das trevas, ex-ditador dessa pocilga, aspirante a escritor e a web-designer, twilighter, beatlemaniaco, parawhore, narniano e, é claro, cinéfilo. Hoje me resumo à vice-presidente do site. Amém irmãos? Amém.