15
ago
2014
Crítica: “Procurando Nemo” – MARATONA PIXAR #5
Categorias: Críticas, Maratona Pixar • Postado por: Victor Hugo
Procurando Nemo (Finding Nemo)
Andrew Stanton e Lee Unkrich, 2003
Roteiro: Andrew Stanton, Bob Peterson e David Reynolds
Walt Disney Pictures

4.5

Não sei se quem acompanha minhas críticas sabe, mas eu não gosto de dar nota máxima para filme algum. Pra mim, cinco significa perfeição, ou no máximo que qualquer erro que possa existir é totalmente irrelevante, e mesmo assim ainda pondero por muito tempo se merece ou não a minha nota máxima. Sei que isso pode parecer arrogância, mas para mim cinema é coisa séria, e quando se fala da Pixar, melhor, quando se fala em Procurando Nemo (Finding Nemo, 2003) é praticamente impossível não dar o meu humilde 5.

Gosto de ver este como o filme como o início de um período de transição da fase infantil para a fase adulta da Pixar. Temos aqui a história de Marlin, um peixe palhaço que está se preparando para ser Pai de 400 novos filhos, até que uma fatalidade horrível acontece, e Marlin perde sua companheira e praticamente todos os seus filhotes, restando apenas uma pequena ova, Nemo.

Logo na próxima cena percebemos que o pequeno Nemo – que tem uma nadadeira menor que a outra – era  extremamente super protegido por seu pai, afinal, que criança fica feliz com acordar cedo e ir para a escola?! A vontade de ser livre do garoto é tão grande, que durante um surto do pai ao descobrir que o professor estava levando os alunos para perto do fim do recife, nadou até um barco – que na inocência de seus coleguinhas se chamava “popo“, ou melhor, “popozão” – para mostrar ao seu pai que podia nadar em alto mar, que bobinho. Até é claro ser pego por um mergulhador.

Este é o primeiro dos filmes da Pixar a ter algumas temáticas exclusivamente do mundo adulto, mas que ao mesmo tempo conseguem tocar diretamente as crianças; Refiro-me a relação entre pai e filho, que é explorada de forma esplêndida é capaz de fazer os adultos a refletirem sobre seu papel como pai ao mesmo tempo que faz a criança refletir em seu papel como filho, principalmente sobre o valor da obediência, e posso dizer isso por experiência própria. Posso não ter nenhum tipo de formação pedagógica, mas as oportunidades que essa história da aos pais de mostrarem aos seus filhos que qualquer tipo de proteção (exagerada ou não) só é fruto de um amor incondicional que só um pai pode ter por um filho.

Mas todos essas questões são levantadas de forma tão sutil e bonita, sempre com o bom humor e leveza característicos dessa fase com a maturidade que já foi conquistada lá atrás com Vida de Inseto, mas que aqui ultrapassa tudo que a Pixar já tinha produzido até então.

O amor é mais uma vez o principal protagonista desse filme, e mesmo a coadjuvante Dory tem uma importância que vai tão além de ser apenas a personagem divertida que faz as crianças rirem. Não, Dory vai além disso, Dory é a cúmplice de todo o sofrimento de Marlin, é a única amiga que conseguiu entrar na bolha de proteção que ele criou para proteger seu filho do seu próprio medo, porque Nemo não foi o único a ser isolado, seu pai se isolou junto e Dory foi a primeira a enfrentar isso. Sua perda de memória recente ou qualquer fator que tornaria ela só uma peça engraçadinha na jogada, tornam ela alguém muito maior que isso. O mais engraçado é a forma como Marlin não é capaz de confiar nela em um só minuto, por mais malucas que sejam suas ideias, ela estava sempre certa enquanto o peixe palhaço se enchia de sua própria falha lucidez, ao ponto de machucar a pexinha.

E eu poderia discorrer aqui sobre tantos outros personagens, porque absolutamente todos tem uma importância imensurável. Vale ressaltar a importância do ensinamento da tartaruga Crush que aparece por poucos minutos da narrativa mas é essencial para o desenrolar da história, dos tubarões que se recusavam a seguir sua natureza e deixarem de comer peixe, enfim, são tantos personagens chaves para toda a trama que fica impossível falar de todos.

O que nos resta apenas é agradecer pela genialidade daqueles que nos deram a honra de conhecer essa história. Mais uma vez, obrigado Pixar.

Adendo: Todas as vezes que usei a palavra “pai”, usei-a no sentido genérico. Ela vale tanto para pais, quanto para mães, avós, avós e demais.

Amanhã é dia do penúltimo filme da primeira fase da Pixar, Os Incríveis! Não perca.



Lorde Vampírico e Geográfico das trevas, ex-ditador dessa pocilga, aspirante a escritor e a web-designer, twilighter, beatlemaniaco, parawhore, narniano e, é claro, cinéfilo. Hoje me resumo à vice-presidente do site. Amém irmãos? Amém.