20
ago
2014
Crítica: “Ratatouille” – MARATONA PIXAR #8
Categorias: Críticas, Maratona Pixar • Postado por: Victor Hugo

Desculpem o dia de atraso, falar sobre a segunda fase da Pixar é um pouco mais difícil do que eu pensava e precisei de mais um dia de pesquisa, não sei se isso irá se repetir nas próximas postagens, mas fiquem aqui finalmente com minha análise sobre ‘Ratatouille’!!!

Ratatouille
Brad Bird e Jan Pinkava, 2007
Roteiro: Brad Bird, Jan Pinkava, Jim Capobianco
Walt Disney Pictures

5

Eu sabia que essa hora iria chegar, a hora que eu teria que fazer as mais difíceis análises dos filmes da Pixar, pois começa agora com Ratatouille (2007) a fase adulta da produtora.

Com fase adulta quero dizer que os filmes a partir de agora tem seu foco exclusivo em temáticas do mundo adulto, não só de temáticas, mas de diferentes formas de tocar o público tornando até mesmo as sacadas de humor são feitas de uma forma totalmente diferente do que foi feito até agora. Vale também dizer, que as temáticas serem do mundo adulto não envolve o fato de não serem boas animações para crianças, muito pelo contrário, os filmes daqui em diante tem o viés de se preocupar com a universalidade das discussões por eles geradas.

Remy é um rato de esgoto, seu maior ídolo? O grande chefe de cozinha, Gusteau, que tem como seu maior lema “Qualquer um pode cozinhar“, e esse é o espírito que acompanha todo o longa. Quem não concordava de nenhuma forma com essa afirmação era o grande crítico gastronômico, Anton Ego, que fez uma crítica arrasadora que tirou uma das 5 estrelas do Restaurante Gusteau’s, o que levou o chefe a falecer e consequentemente, levar o restaurante a perder mais uma de suas estrelas.

O ratinho era diferente dos outros com quem vivia, ele tinha uma imensa capacidade de olfato, sendo capaz inclusive de detectar veneno nas comidas que os ratos roubavam do lixo. Remy também chega ao ponto de andar em duas patas por achar nojento o fato de tocar o chão com as mesmas patas que toca a comida. Esse nível de antropomorfismo do rato é o que faz com que nós consigamos nos relacionar com ele, nós e o desajeitado Linguini, um moço a procura de um emprego no restaurante e se revela como filho de uma ex-namorada do grande Gusteau.

Essa comportamento tão humano, é feito de uma forma muito diferente dos demais filmes onde temos animais agindo como humanos, como em ‘Vida de Inseto’ (A Bug’s Life, 1998) por exemplo onde temos uma sociedade totalmente inspirada nas sociedades humanas, sejam pequenas regiões ou grandes cidades. Ratatouille vai além disso, aqui todos os ratos vivem como ratos reais, o que poderia ser totalmente repulsivo ao nossos olhos – principalmente numa cena em que todos esses invadem a cozinha do restaurante – mas não é, pois de uma forma genial, a Pixar conseguiu nos ligar a excepcional humanidade de Remy de uma forma com que conseguimos sentir amor e compaixão com os ratinhos com quem ele vivia.

Para não revelar coisa demais sobre a história, chegamos a um ponto em que Linguini e Remy se vêem intimamente ligados, ao ponto de aprenderem um com o outro, tanto Remy aprende como se tornar mais humano, quanto Linguini que… De certa forma “aprende” a cozinhar. Essa relação dos dois vai muito além da relação de um homem com um animal, é quase que uma relação inter-humana, onde apesar de Remy não conseguir se expressar verbalmente, todas as suas expressões e gestos criam um diálogo intenso tanto com seu parceiro quanto conosco.

E aqui chego a discussão mais importante de todo esse filme, uma questão que foi resgatada do filme anterior de Brad Bird na Pixar, ‘Os Incríveis‘, a ideia de nos fazer refletir e questionar: Quem realmente é super-poderoso? Todos podem aprender a serem talentosos ou o talento é algo inerte a cada um de nós? Todos podem ser super? Todos podem cozinhar?! A frase de Gusteau responde todas essas questões de uma forma muito subjetiva, que confunde e irrita Anton Ego de início, mas que significa uma única coisa: Um grande talento pode surgir de qualquer lugar.

É claro que eu poderia estender e falar sobre inúmeras questões desse filme genial, desde a grande trilha sonora, até a questão do crítico e de seu papel diante do objeto de análise, tantas coisas deliciosas que no final só nos levarão a seguinte conclusão: A genialidade desse filme excede tudo ou qualquer coisa que já foi produzido pela Pixar até agora, ao ponto de nos fazer gostar da ideia de ter ratos de esgoto em uma cozinha.

Fiquem de olho porque nos próximos dias falaremos do filme que (pelo menos para mim) é uma das obras mais lindas da história do Cinema, Wall-e! Aguardem 😉

 



Lorde Vampírico e Geográfico das trevas, ex-ditador dessa pocilga, aspirante a escritor e a web-designer, twilighter, beatlemaniaco, parawhore, narniano e, é claro, cinéfilo. Hoje me resumo à vice-presidente do site. Amém irmãos? Amém.