25
ago
2014
Crítica: “Toy Story 3” – MARATONA PIXAR #11
Categorias: Críticas, Maratona Pixar • Postado por: Victor Hugo
Toy Story 3
Lee Unkrich, 2010
Roteiro: Michael Arndt, John Lasseter, Andrew Stanton e Lee Unkrich
Walt Disney Pictures

5

Fica difícil não ser tendencioso quando se fala de algo que te toca de uma forma tão profunda, de uma forma que só a Pixar poderia nos tocar. E é com essa magnífica obra do cinema chamada Toy Story 3 (2010), que a produtora termina uma de suas mais belas fases.

A história dos brinquedos que tomam vidas, criada lá no início da produtora por John Lasseter, ganha aqui uma espécie de desfecho (digo espécie pois o 4º filme já foi anunciado, mas sem confirmação) inacreditavelmente superior aos anteriores que pelo menos para mim já eram maravilhosos. O mais incrível é que isso foi feito sem a direção do idealizador da história, e sim pelo co-diretor do segundo filme da trilogia e também de Monstros S.A. (Monsters Inc., 2001), Lee Unkrich.

O que é feito aqui com uma genialidade incrível, é resgatar o maior medo dos brinquedos: O medo de ser esquecido, que aqui se torna concretizado. Andy cresceu, e vai para a faculdade, e não sabe o que fazer com seus velhos brinquedos, que é claro, secretamente estão apavorados com a ideia de serem abandonados, o que vale também para os brinquedos da irmãzinha do garoto que já está entrando na pré-adolescência.

Por um engano, ao invés dos brinquedos irem para o doce e tranquilo sótão, eles acabam sendo envidados para uma creche, liderada por um líder autoritário, o ursinho Lotso, que cheira morango aliás. Mas de início ninguém sabe do horror que aquele lugar guarda para os brinquedos, e estão felizes em saber que sempre terão crianças com quem brincar, e Woody é o único que não está nada feliz com isso e logo de início foge para tentar voltar para Andy deixando seus amigos para trás.

Muita coisa acontece daqui em diante, então vou parar por aqui para não revelar nada mais importante da história. Mas o que posso dizer é que a genialidade com a qual esse trabalho foi feito é algo que pode deixar qualquer leigo em cinema até o mais entendido dos acadêmicos de queixo caído. Toda a tensão melo-dramática e ao mesmo tempo toda a leveza e sutileza que a Pixar já empregou em tantos filmes anteriores, foi usada aqui com toda a inteligência. A junção perfeita de emoção e diversão.

Gosto de ver Toy Story 3 dessa forma, como uma união de tudo que já foi feito de incrível pela produtora, resgatando o humor da primeira fase, que ao ser perdido, também fez com que muitas crianças perdessem a conexão que poderiam ter com as histórias, algo que acontece principalmente em Wall-e (2008), e que aqui não aconteceu. Foi a forma perfeita de fechar com chave de ouro a fase mais bela da produtora.

O amor dos brinquedos de Andy por ele é o que verdadeiramente guia toda a história e principalmente Woody, que pela primeira vez, não é guiado por seu egocentrismo mas pelo puro sentimento que tem pelo garoto que apesar de está crescendo não despreza os brinquedos ou algo do tipo. Ele simplesmente cresceu e reconhece a dificuldade que isso implica. Esse amor acaba se refletindo em nós também, o público que acaba se apaixonando de uma forma intensa pelos brinquedos ao decorrer dos dois filmes anteriores, e agora com o terceiro somos capazes de sentir uma saudade incrível dos dois.

Todas as mensagens de amizade que foram construídas pelos filmes anteriores é resgatada aqui com um viés totalmente diferente, o viés da saudade, o viés de que a despedida vai chegar, e isso vale para a vida de qualquer pessoa.

Me assusto com a ideia de que esse foi o último grande filme da produtora até os dias de hoje, e realmente espero que a Pixar consiga se re-inventar como sempre fez. Mas o fato que é inegável é o quanto Toy Story 3 pode evocar em todos nós os sentimentos mais infantis, doces e inocentes que se pode ter, e essa é a maior beleza de toda a obra da produtora.

Amanhã teremos a crítica do primeiro filme da 3ª fase da Pixar, Carros 2! Preparem-se, porque lá vem chumbo…



Lorde Vampírico e Geográfico das trevas, ex-ditador dessa pocilga, aspirante a escritor e a web-designer, twilighter, beatlemaniaco, parawhore, narniano e, é claro, cinéfilo. Hoje me resumo à vice-presidente do site. Amém irmãos? Amém.