24
ago
2014
Crítica: “Up – Altas Aventuras” – MARATONA PIXAR #10
Categorias: Críticas, Maratona Pixar • Postado por: Victor Hugo
Up – Altas Aventuras (Up)
Pete Docter e Bob Peterson, 2009
Roteiro: Pete Docter, Bob Peterson e Thomas McCarthy
Walt Disney Pictures

4.5

Falar sobre a vida cotidiana em filmes não é a coisa mais original que se já pensou, com certeza não. Mas o que foi feito em Up – Altas Aventuras (Up, 2009) pela Pixar é algo que vai muito além do que qualquer diretor já pensou.

Up conta a história do pequeno garotinho Carl Fredricksen, que é fã de carteirinha do grande explorador da América do Sul, Charles Muntz. Quem também é uma grande fã desse explorador é Ellie e um dia eles acabam se conhecendo e futuramente se tornando amigos, namorados, e depois de vários anos se casando.

A vida de Carl e Ellie é feliz e tranquila, até que um aborto acaba com toda essa felicidade. Como uma forma de reanimar sua esposa, Carl alimenta a antiga ideia de crianças de uma visita ao Paraíso das Cachoeiras na Venezuela, e a partir daí, a vida dos dois começa a girar ao redor desse sonho. Sonho que por muitos problemas cotidianos é impedido, até que o casal chega a velhice e Carl percebendo isso resolve finalmente comprar o passaporte para a Venezuela, mas ao ir entregar a sua esposa, ela acaba por adoecer.

Ellie morre, e sobre Carl cai o terrível sentimento de que não viveu o suficiente, de que não teve as aventuras que sempre sonhou ter, e nunca teve coragem de abrir o ‘Livro de Aventuras’ que sua esposa lhe deu antes de morrer com medo de encontrar páginas em branco lá. Toda essa grande parte da história é contada de uma forma totalmente doce e curta, antes mesmo de completar 12 minutos de filme.

Outra problemática interessante que é importante para o decorrer da história, é o crescimento da cidade de Carl, que ameaça a destruição de sua casa, a única que resistiu a construção de grandes edifícios. Isso futuramente vai causar a Carl problemas que o obrigarão a ir para um asilo, e na esperança de salvar sua casa, ele reúne milhões de balões de hélio de seu antigo emprego como vendedor de balões e transforma sua casa em um grande balão com o destino do Paraíso das Cachoeiras. Infelizmente para ele, o pequeno escoteiro Russell vai junto com ele.

Essa história que se inicia de uma forma totalmente convencional e até mesmo piegas, evolui de uma forma incrível e nos leva a se emocionar em diversos momentos tão únicos dessa história. A trilha sonora nos conduz com uma leveza inacreditável até mesmo as cenas mais tensas da história.

Com Russell, Up consegue discutir novamente a questão da paternidade antes discutida em ‘Procurando Nemo‘ (Finding Nemo, 2003), mas aqui de uma forma muito mais sutil e talvez dramática, pois vemos personificado no pequeno Russell todas as crianças que por não receberem a atenção que deveriam de seus pais, tendo assim que dedicar suas pequenas vidas em chamar a atenção desses de inúmeras formas, e Russell tenta isso ao buscar incessantemente seu distintivo de ‘Grande Explorador’.

A indiferença inicial que Carl sente pelo garoto pode nos levar a inúmeras interpretações sobre o sentimento que o velho pode ter desenvolvido por crianças. A forma como sua velhice é apresentada é cômica ao mesmo tempo que é feita com uma delicadeza e cuidado gigantescos.

Apesar da evolução da história, temos um pequeno regresso da Pixar no sentido de dar a história um tom um tanto quando episódico a história, mais ou menos como tínhamos na primeira fase da produtora. Gosto também de ver Up como o primeiro indício de transição para a terceira e última fase da empresa (a fase da velhice, como disse no primeiro post da Maratona).

Em termos gerais, Up é com certeza um dos mais incríveis filmes da Pixar, mas também tem algumas pequenas falhas de desenvolvimento que com certeza passam imperceptíveis com a bela história que aqui é contada.

Amanhã temos nossa crítica sobre o último filme da segunda fase da Pixar, Toy Story 3. Não perca!



Lorde Vampírico e Geográfico das trevas, ex-ditador dessa pocilga, aspirante a escritor e a web-designer, twilighter, beatlemaniaco, parawhore, narniano e, é claro, cinéfilo. Hoje me resumo à vice-presidente do site. Amém irmãos? Amém.