28
ago
2014
Crítica: “Valente” – MARATONA PIXAR #13
Categorias: Críticas, Maratona Pixar • Postado por: Victor Hugo
Valente (Brave)
Mark Andrews, Brenda Chapman e Steve Purcell, 2012
Roteiro: Brenda Chapman, Mark Andrews, Steve Purcell, Irene Mecchi e Michael Arndt
Walt Disney Pictures

2.5

Previsibilidade. Uma palavra que eu particularmente, jamais conseguiria associar a qualquer produção da Pixar mas infelizmente, eles não estão em uma boa fase. Valente (Brave, 2012) é uma produção que ao invés de ser inovador em sua premissa como os demais filmes da produtora foram, é o primeiro que tenta remontar o que já foi feito pela Disney.

Sim, esse é um filme de princesa, mas ao mesmo tempo que é O Irmão Urso (Brother Bear, 2003), é  também algumas produções do Disney Channel onde a princesa não quer ser uma. Enfim, um sopão de Disney.

Merida é uma princesa viking que demonstra uma clara aproximação com seu pai Fergus, ao mesmo tempo que é frustradamente moldada por sua mãe Elinor, que tenta transformar a menina que gosta de arco-e-flecha e caçar, em uma dama. O que é claro, é um fracasso, e só aumenta a raiva que a garota acaba sentindo por sua mãe.

A história realmente deslancha quando a mãe decide contar a Merida que a hora dela se casar chegou, e três tribos enviariam um representante de cada para brigar pela mão da donzela. A garota claramente insatisfeita, sacaneia todo mundo e como resposta a frustração de sua mãe pelo que ela fez foge para a floresta e é guiada por luzes mágicas, de muito mau gosto aliás, até uma típica bruxa que tem como disfarce o trabalho de carpinteira.

Apesar de todo o caráter feminista de Merida, totalmente diferente de muitas princesas convencionais da Disney, ela ainda detêm-se a lutar pela construção de seu próprio destino, mesmo que tenha que por sua mãe em risco para isso, chegando ao ponto de colocar seus irmãos e ela própria em risco, transformando seu pai em uma espécie de vilão involuntário. Os erros da garota transformam ela em alguém muito difícil de se simpatizar, e são erros que nos fazem bater a mão na testa e nos perguntar “Por que essa menina ta fazendo isso?!“.

O que mais me decepciona nesse filme e em outros dessa fase da produtora, não é a sua qualidade em si, porque Valente não é um filme totalmente ruim. Ele apresenta muitas qualidades estéticas como o 3D negativo que nos deslumbra em muitas cenas, e chega a nos fazer acreditar que realmente estamos diante de lindas paisagens da Escócia. Não são os valores morais que me decepcionam também, pois muito é ensinado aqui. Podem-se tirar lições sobre família, sobre diálogo, sobre fraternidade, mas acima de tudo sobre o amor.

Saber que toda a criatividade e inventividade da Pixar se esvaiu é o que mais me decepciona.

Esse não é de forma alguma um filme que qualquer um esperaria da produtora, e todas as fórmulas e renovações já feitas são totalmente abandonadas aqui, restando apenas a qualidade incrível na animação, mais ou menos como aconteceu em Carros 2 (Cars 2, 2011).

A narrativa se arrasta através de um mesmo ponto de partida que nunca se diversifica. Basicamente todo o filme trata-se de Merida tentando ajudar sua mãe a corrigir o grande erro que fez, e essa falta de versatilidade fica mais evidente a cada segundo, pois sabemos muito bem como essa história vai acabar. Não há nada de novo aqui, e esse é o problema de Valente.

Amanhã é o dia da última crítica da nossa Maratona, ‘Universidade de Monstros‘. Não percam por que tem promoção vindo aí!



Lorde Vampírico e Geográfico das trevas, ex-ditador dessa pocilga, aspirante a escritor e a web-designer, twilighter, beatlemaniaco, parawhore, narniano e, é claro, cinéfilo. Hoje me resumo à vice-presidente do site. Amém irmãos? Amém.