12
ago
2014
Crítica: “Vida de Inseto” – MARATONA PIXAR #2
Categorias: Críticas, Maratona Pixar • Postado por: Victor Hugo
Vida de Inseto (A Bug’s Life)
John Lasseter e Andrew Stanton, 1998
Roteiro: John Lasseter, Joe Ranft, Andrew Stanton,  Don McEnery & Bob Shaw
Walt Disney Pictures

2.5

Em nome de todas as formigas oprimidas do mundo, Vida de Inseto (A Bug’s Life, 1998) era de longe meu filme favorito na infância, era engraçado e principalmente me encantava pela ideia de pequeninas formigas serem capazes de tantas coisas inacreditáveis. Infelizmente meus olhos adultos tiraram um pouco dessa graça.

Não, não estou falando mal da história de Flik, que diferentemente das outras formigas era um inventor, e sempre achava uma nova forma de fazer o tradicional trabalho de reunir sementes para a oferenda feita aos gafanhotos por eles a todos os anos. A única que aprovava a criatividade é a pequena princesa Dot, que coitadinha, não conseguia voar.

Já a irmã de Dot, Princesa Atta, estava aprendendo a ser rainha e é quem mais reprime as invenções de Flik. E a história tem seu conflito principal causado por uma dessas invenções que acidentalmente acaba com todo o trabalho das formigas, sendo a saída achada por Flik, ir a cidade procurar por insetos maiores que possam ajudar o formigueiro.

Uma coisa interessante sobre esse filme, é a forma como John Lasseter estabelece muito claramente as relações entre os que obtém o controle, e aqueles que são controlados. Os gafanhotos não precisam de sementes todos os anos, temos uma cena onde é mostrado o “covil” destes, que fica dentro de um chapéu mexicano diga-se de passagem, e o que vemos é a fartura de sementes, com a célebre frase: “Não é por causa do rango, é pra manter as formigas na linha!”. É a isso que me refiro quando falo sobre os olhos adultos, perceber esse tipo de coisa que uma criança não perceberia e provavelmente se percebesse não entenderia, faz-nos divagar sobre a obra. O que nesse caso especificamente é um tanto quanto perigoso.

Percebe-se uma maturidade muito maior na forma como a história evolui em relação ao anterior Toy Story (1995). Nada é contado com pressa e o humor que nunca parece faltar, embala até mesmo as cenas mais dramáticas e decisivas da história (aliás, a cena de mágica onde a rainha do formigueiro “desaparece” me faz rir copiosamente).

Dos filmes da primeira fase da Pixar, esse é talvez o menos criativo ou inovador, vale lembrar que no mesmo ano estreou outro filme de formigas, então a ideia de se fazer insetos animados em 3D não era exatamente original. Os valores e questões que podem ser retiradas deste filme são extremamente rasas e só podem ser aprofundadas justamente pelos olhos adultos que fizeram perder o ânimo em apreciar a história.

Temos portanto um filme raso, sem profundidade, mas que ainda assim consegue novamente o feito de fazer as crianças rirem, e de fazer os adultos voltarem um pouco a serem igual a elas.

Espero que tenham gostado da minha análise, e não perca amanhã a crítica sobre Toy Story 2! Abraços.



Lorde Vampírico e Geográfico das trevas, ex-ditador dessa pocilga, aspirante a escritor e a web-designer, twilighter, beatlemaniaco, parawhore, narniano e, é claro, cinéfilo. Hoje me resumo à vice-presidente do site. Amém irmãos? Amém.