30
set
2014
Crítica: “Maze Runner: Correr ou Morrer”
Categorias: Críticas • Postado por: Victor Hugo
Maze Runner: Correr ou Morrer (The Maze Runner)
Wes Ball, 2014
Roteiro: Noah Oppenheim, Grant Pierce Myers e T.S. Nowlin
20th Century Fox Film

3.5

Lembram-se do que eu falei logo no início da crítica de ‘Divergente‘ (Divergent, 2014) sobre a onda de distopias adolescentes? Pois ela continua, e provavelmente vai continuar por um bom tempo, mas ao contrário de todas as minhas espectativas, ‘Maze Runner: Correr ou Morrer’ (The Maze Runner, 2014) do diretor Wes Ball, estreante na direção de longas mas experiente na área de efeitos visuais e direção de arte, aplica aqui um trabalho extremamente dinâmico e satisfatório.

O filme começa a pleno vapor, com um jovem totalmente confuso acordando dentro de um elevador que termina em uma estranha clareira cercada por imensos paredões além de um grande grupo de meninos que o olham com diversão no rosto. Thomas (Dylan O’Brien) ainda não sabe de muita coisa – nem de seu próprio nome no começo – mas sabe que está preso e quer se libertar.

Logo de cara ele faz amizade com Newt (Thomas Brodie-Sangster) e descobre que está no meio de um labirinto que está atrás dos paredões e se abre todas as manhãs, onde a única forma de sobreviver é aprender a viver na segura caixa onde é produzida a própria comida com exceção dos mantimentos que são enviados todo mês junto com um novo integrante. Todos parecem muito conformados com aquela realidade, principalmente Gally (Will Poulter) que parece ser o mais brigão do grupo e que apelidei mentalmente de Eustáquio Bombadão.

Thomas não se contenta com aquela prisão e questiona o porque só alguns podem entrar no labirinto e tentar decifrá-lo (o que inicialmente não faz muito sentido pois sabemos que ele muda durante todas as noites. Como se não bastasse todo o ar de estranhamento que veio com a chegada de Thomas, há também a chegada no mesmo mês de um novo integrante, melhor, uma nova integrante que chega falando o nome de Thomas, trata-se de Teresa (Kaya Scodelario). Vale ressaltar também a amizade que Thomas estabelece com seu companheiro de cabana, o jovem Chuck (Blake Cooper).

Todo esse “lenga lenga” introdutório não demora muito para deslanchar, e essa é uma das maiores qualidades desse filme que ouso dizer, é uma das melhores distopias já adaptadas nessa última onda de sagas adolescentes. A atuação de Dylan condiz muito com esse ritmo frenético, o que é excelente pois dispensa melodramas desnecessários e vai direto ao ponto quando é necessário – o que aliás, trata-se da maior parte do filme – sem falar da impaciência e desobediência que podem ser defeitos considerando-se a situação onde o personagem se encontra, mas que só serve para transformá-lo em alguém mais autêntico e de um diálogo mais fácil com o público.

Sobre o elenco secundário não há muitas ressalvas, vale apenas citar o bom desempenho dos coadjuvantes como o já citado Thomas Brodie-Sangster, Ki Hong Lee, e também de Aml Ameen, que atua como uma espécie de líder misterioso no papel de Alby.

Os efeitos e a direção de arte, como já era de se esperar de alguém experiente na área, é impecável, onde o nível de realidade de algumas cenas chega a ser visceral. A fotografia é muito bonita e recorre ao ótimo recurso de tremulações constantes nas câmeras nos momentos de fuga e de ação mais intensa.

O que me incomodou foram os momentos de previsibilidade da história, que escancaram uma certa falta de maturidade da direção ao conduzir a narrativa, o que para mim, se torna um erro de segundo plano diante do ótimo uso dos recursos estéticos. O que não acontece porém com os recursos sonoros, pois esse utiliza uma trilha sonora extremamente repetitiva, o que empobrece várias cenas.

O final, apesar das várias dicas dadas ao longo do filme, é bem surpreendente apesar de já imaginarmos algo parecido desde o início, mas com certeza essa é uma experiência que vale a pena, o que nos resta é esperar os próximos filmes. Mas a boa impressão já ficou.



Lorde Vampírico e Geográfico das trevas, ex-ditador dessa pocilga, aspirante a escritor e a web-designer, twilighter, beatlemaniaco, parawhore, narniano e, é claro, cinéfilo. Hoje me resumo à vice-presidente do site. Amém irmãos? Amém.