13
set
2014
Crítica: “Vai Que Dá Certo”
Categorias: Críticas • Postado por: Matheus Benjamin
Vai Que Dá Certo
Mauricio Farias, 2012
Roteiro: Maurício Farias, Alexandre Morcilo, Fábio Porchat
Imagem Filmes

3

Nosso cinema sempre está produzindo uma comédia nova. O gênero talvez seja o mais evidenciado e também mais divulgado pelas salas de cinema no nosso país quando se fala de filme brasileiro. Quem sabe por conta disso e, também por produzirmos muita porcaria quando se trata de comédias, as pessoas insistem em dizer que o cinema nacional não presta. Pois bem, depois de muito tempo sem assistir a uma comédia no mínimo engraçada, eis que surge Vai Que Dá Certo, com um elenco carismático e uma premissa curiosa.

Rodrigo (Danton Mello) é um cara frustrado com sua vida. Acaba de ser mandado embora de casa por sua esposa que está cansada de tanto comodismo e demitido do bico que fazia em um restaurante por faltar em seus compromissos. Com isso, ele acaba voltando pra casa de sua mãe e com a ajuda de seus velhos amigos Amaral (Fábio Porchat), Vaguinho (Gregorio Duvivier) e Tonico (Felipe Abib) tenta dar um rumo novo à sua vida. Porchat e Duvivier vivem sócios de uma locadora quase falida, se não fosse por um único cliente que aparece nos momentos mais inoportunos, enquanto Abib atua como um professor de inglês desempregado. Mas quando Danilo (Lucio Mauro Filho), empregado de uma transportadora de valores, propõe que todos estes ajudem em um plano para roubar alguns malotes de dinheiro e, consequentemente, mudar a situação difícil em que se encontram todos acabam entrando na maior enrascada de suas vidas.

Tudo que poderia dar certo, acaba tomando um rumo completamente contrário, impulsionado pelo caos. E, assim, cada nova chance de as coisas se acalmarem, novas confusões se aproximam. O roteiro desenvolvido por Maurício Farias é ágil, sua direção nem tanto. Os diálogos ficaram a cargo de Fábio Porchat que soube dar boas doses de humor e criar certos personagens de forma cômica, mesmo caricaturada, como é caso do nerd de Duvivier com sua ingenuidade e referências a jogos e filmes. Até mesmo Amaral (Porchat) tem ótimos momentos e também bem engraçados enquanto tenta conquistar o coração de Jaqueline (Nathália Lage), que mais tarde se revelaria no contexto do longa.

Infelizmente, o humor não é suficiente para segurar o filme que também conta a participação de Sérgio Guizé e Lúcio Mauro, este último vivendo um personagem surpreendente, pois seria inimaginável vê-lo fazer o que fez quando aparecera pela primeira vez. O roteiro funciona, mas caminha por ora bem lento, deixando várias situações chatas e sem sentido. Alguns personagens, que inicialmente pareciam ter grande destaque, não são tão bem desenvolvidos, como é o caso do pseudo-protagonista Rodrigo. Este, parece perdido em meio aos seus amigos e, no clímax, o mesmo até se sobressai com seus ideias de bom moço, chega a convencer mas nem tanto. É só rever que fora ele o responsável por colocar todos aquele presentes, na situação em que se encontravam. O deputado Paulo (Bruno Mazzeo) surge no começo da narrativa com uma vida invejável para o grupo de amigos, se perde e só é realmente desenvolvido no final. Aliás, seu personagem chega com uma boa crítica à corrupção.

No geral, a corrupção é criticada também em outras instâncias. Pelo caminho desses aspirantes a bandidos, eles se deparam não só com políticos corruptos, mas traficantes e policiais duvidosos. A bola de neve que vai se formando se resolve de forma pacífica no final, mesmo com algumas injustiças e desvios de caráter.

Sem soar apelativo em nenhum momento, com boas sacadas e piadas bem colocadas fazendo referências interessantes, Vai Que Dá Certo é uma comédia divertida e por ora inovadora dentro do nosso cinema, passando longe das Globochanchadas. Surpreende pelas críticas que se propõe a fazer, mesmo que se exagere em algumas caricaturas. Tem vários erros, mas também tem vários acertos. É um bom filme e nada mais.



Fã de Miyazaki, Aïnouz, Salles, Mendonça Filho, Von Trier, Thomas Anderson, Haneke e Bergman. Dirigi dois curta-metragens "A-Ma-La" e "Senhor Linux e sua Incrível Barba", ambos pela Pessoas na Van Preta.