10
nov
2014
Pipoca F.A.R. 9# – Filmes Sobre Filmes (Parte 1)
Categorias: Pipoca F.A.R. • Postado por: Matheus Benjamin

Quem aqui gosta de Making Off? Eu particularmente gosto muito de ficar sabendo como o filme foi desenvolvido no set de gravações. Os bastidores de um filme também é um tema recorrente em vários longas metragens com muitas abordagens interessantes. Existem filmes maravilhosos que englobam o universo cinematográfico que merecem toda a nossa atenção. Vou indicar alguns dos meus favoritos que se encaixam nos ditos “filmes sobre filmes”, essa é a primeira parte de duas falando sobre o tema. Vale lembrar que A Invenção de Hugo Cabret (Martin Scorsese, 2011), indicado no último Pipoca F.A.R. também pode ser considerado um filme sobre filme.

8 ½ (Idem. Federico Fellini, 1963)

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Uma espécie de autobiografia de Fellini, com um título sugestivo, já que até aquele lançamento o mesmo tinha dirigido em sua carreira seis longa-metragens, dois episódios de filme e havia co-dirigido um outro longa. Marcello Mastroianni vive Guido Anselmi, um cineasta em crise de criatividade e busca de várias formas ter alguma inspiração. Usando o recurso da metalinguagem para contar sua própria história e seu bloqueio criativo, Fellini ganhou o Globo de Ouro de Melhor Filme Estrangeiro em 1963 e o Oscar, pela mesma categoria, em 1964, além do mesmo também ser premiado em Melhor Figurino com Piero Gherardi. Ele também recebeu outras três indicações, nas categorias de Melhor Diretor, Melhor Roteiro Original e Melhor Direção de Arte. Fellini e (talvez seu filme mais famoso) 8 ½ foram homenageados na 67ª edição do Festival de Cannes, ocorrida neste ano.

A Noite Americana (La Nuit Américaine. François Truffaut, 1973)

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Este é um dos meus filmes favoritos da vida. Dirigido por um dos mais importantes diretores franceses e percursor da Nouvelle Vague, François Truffaut, La Nuit Américaine conta a história das filmagens de um longa-metragem enquanto os atores e a equipe técnica passam por turbulências. Foi estrelado por Jacqueline Bisset, Jean-Pierre Léaud, Valentina Cortese e o próprio Truffaut, que interpreta o diretor do filme. Ganhou o Oscar de Melhor Filme Estrangeiro (merecidamente) em 1974, além de outros prêmios. No longa, podemos conhecer de perto como funciona os bastidores de um filme, além, é claro, de conhecer um pouco sobre os recursos utilizados no cinema da época em que fora feito. Dentre as cenas de gravações, podemos notar o trabalho dos contra-regras e diretores de arte enquanto cuidam de todos os detalhes de continuação e roteiro; também vemos atores e atrizes cheios de problemas pessoais: o protagonista da filme é completamente mimado, a atriz principal vive um relacionamento com um médico reservado e a atriz coadjuvante tem problemas de esquecimento do texto, o que faz a equipe técnica colar lembretes pelo cenário (e mesmo assim ela consegue errar nas ações). É cômico, divertido, impressionante e também muito bacana pra quem gosta dos bastidores de um filme.

Adaptação (Adaptation. Spike Jonze, 2002)

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O filme conta a história do próprio roteirista Charlie Kaufman vivido aqui por Nicolas Cage desenvolvendo o roteiro de um livro de não-ficção chamado The Orchid Thief, de Susan Orlean, durante as gravações de Quero Ser John Malkovich em 1998 (com roteiro de Kaufman e direção de Spike Jonze) ao lado de seu irmão gêmeo ficcional Donald. O problema é que Kaufman está encontrando bastante dificuldade em adaptar tal livro para o cinema e com isso vemos uma série de questionamentos acerca do que é escrever e também o papel de um roteirista para o filme. Uma das cenas mais famosas do longa é quando Kaufman assiste uma palestra de Robert McKee, renomado professor de roteiro também na vida real, onde seus recursos narrativos são julgados de forma brilhante e é praticamente humilhado por este. O filme foi indicado ao Oscar na categoria Melhor Roteiro Original, sendo Donald Kaufman a primeira personagem fictícia a ser indicada na premiação. O filme contou com a participação de Meryl Streep no papel de Susan Orlean, Chris Cooper como John Laroche e vencedor do Oscar de Melhor Ator Coadjuvante além de Tilda Swinton como Valerie Thomas. É bastante interessante pois mistura ficção com realidade e processos de desenvolvimento de ideias de forma muito criativa.

Saneamento Básico (Idem. Jorge Furtado, 2007)

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O que fazer quando uma prefeitura pode disponibilizar dez mil reais para a produção de um filme, mas não pode disponibilizar alguns outros tantos mil para construção de uma fossa para o tratamento do esgoto na região? Os personagens do carismático e divertido Saneamento Básico se unem para fazer um filme sobre a tal obra, já que o dinheiro para a produção do filme pode ser devolvido se não realizado. O filme em questão precisa obrigatóriamente  ter um roteiro de ficção e um projeto viável para ser autorizado e, desta forma, Marina (Fernanda Maravilhosa Torres), Joaquim (Wagner Moura), Silene (Camila Pitanga), Fabrício (Bruno Garcia) e Zico (Lázaro Ramos) entre outros personagens, se reúnem para elaborar um filme barato, contando a história de um monstro que vive nas obras de construção de uma fossa. Uma das melhores comédias que já assisti, contando com uma bela mensagem e crítica social, além de possuir um elenco carismático e uma boa direção.

O Artista (The Artist. Michel Hazanavicius, 2011)

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Esse filme francês ganhou diversos prêmios, entre eles Melhor Ator em Cannes e também no Oscar em 2012 incluindo Melhor Filme, Melhor Ator e Melhor Diretor. Conta a história de um ator do cinema mudo interpretado por Jean Dujardin, que resiste ao surgimento do cinema falado durante o começo da década de 30. Essa resistência faz com que ele seja demitido do estúdio no qual trabalha e sendo substituído por uma atriz interpretada por Bérénice Bejo, que conhecera nos tempos do seu sucesso. O filme é todo em preto e branco, sendo também mudo e com apenas algumas palavras sendo ditas em algum momento do mesmo (que eu não revelarei). É um dos meus filmes favoritos da vida por todo o conjunto maravilhoso, sendo cômico, dramático e bem feito. Tudo na medida.

Também vale citar Crepúsculo dos Deuses (Billy Wilder, 1950) que também é bastante interessante e retrata um pouco sobre esse período de transição entre cinema mudo e falado. Não deixem de comentar também se tem algum filme sobre filme que você gosta bastante, lembrando que nos vemos na parte dois deste post com mais cinco indicações!



Fã de Miyazaki, Aïnouz, Salles, Mendonça Filho, Von Trier, Thomas Anderson, Haneke e Bergman. Dirigi dois curta-metragens "A-MA-LA" e "Senhor Linux e sua Incrível Barba", ambos pela Pessoas na Van Preta Produções.