04
fev
2015
Crítica: “Caminhos da Floresta”
Categorias: Críticas, Maratona Oscar 2015 • Postado por: Victor Hugo
Caminhos da Floresta (Into The Woods)
Rob Marshall, 2014
Roteiro: James Lapine e Stephen Sondheim
Walt Disney Pictures

2

Tenho sérios problemas pra entender um cinéfilo que não gosta de musicais. A música foi e sempre será uma das melhores ferramentas que qualquer cineasta tem para expressar o que um personagem sente. É de fácil entendimento, diverte e tem uma incrível capacidade de envolver o público. Uma das produtoras que mais usou isso a seu favor sempre foi a Disney, seja em animações ou seja em live-actions, e não é diferente com Caminhos da Floresta (Into The Woods, 2014), só que nesse caso, preciso concordar com aqueles cinéfilos.

Indicado ao Oscar de Melhor Figurino, Melhor Direção de Arte e Melhor Atriz Coadjuvante para Meryl Streep, Caminhos da Floresta é um crossover de quatro fábulas: ‘Cinderella’ (Anna Kendrick), ‘Rapunzel’ (Mackenzie Mauzy), ‘Chapéuzinho Vermelho’ (Lilla Crawford) e ‘João e o Pé de Feijão’ (Daniel Huttlestone). Essas histórias tomam vida quando um casal, o Padeiro (James Corden) e a Mulher do Padeiro (Emily Blunt) descobrem que existe uma maldição sobre sua família que os impede de ter filhos, sendo que a única forma de reverter isso, é levar a Bruxa (Streep) alguns itens que eles só encontrariam na floresta, itens esses que unem todas as histórias e faz com que elas aconteçam.

Cada uma das histórias, apesar de se entrelaçarem, seguem seus rumos normais e quando tudo aparentemente chega ao clímax e pensamos estar no desfecho, é então que o filme realmente começa. E na minha opinião, despenca.

A impressão inicial é que se trata de um filme extremamente infantil, com sequências inteiramente cantadas e frases teatrais perfeitamente ensaiadas e cronometradas. Mas isso não torna o filme bobo ou algo do tipo, muito pelo contrário, pois cada pedaço é encaixado de forma muito inteligente. Com o desenrolar da história, e após um gigantesco ato de introdução que nos apresenta todos os personagens com uma mesma canção, vemos as principais qualidades do filme, que com certeza justificam as indicações. A Direção de Arte é realmente espetacular, os Figurinos são realmente muito bonitos e Meryl Streep é realmente incrível neste papel, como todo o elenco que foi muito bem escalado.

Os problemas realmente começam, quando Caminhos da Floresta tenta ser inovador, e até mesmo sombrio. Como disse anteriormente, cada história segue seu rumo normal, e com isso quero dizer que Cinderela é encontrada pelo seu príncipe por esquecer seu sapato, Chapeuzinho Vermelho é salva da barriga do Lobo e assim por diante, e até então, os pequenos erros no roteiro não são suficientes para diminuir os méritos conseguidos pelo filme, passando até mesmo despercebidos. Tudo desaba verdadeiramente na segunda metade do filme, quando o roteiro faz uma tentativa risível de transformar toda a inocência e beleza da primeira parte em algo sombrio e adulto, o que é um desastre.

Com uma nova problemática extremamente blasé, os personagens voltam a se unir e então começa o festival de enrolação e músicas desnecessárias, um problema que eu, como fã de musicais, só reconheceria em casos extremos, o que infelizmente é o que acontece. Os problemas que já estavam na primeira parte e passavam por despercebidos então começam a incomodar cada vez mais e todos os altos e baixos dessa produção nos levam a única conclusão: Não valeu a pena.



Lorde Vampírico e Geográfico das trevas, ex-ditador dessa pocilga, aspirante a escritor e a web-designer, twilighter, beatlemaniaco, parawhore, narniano e, é claro, cinéfilo. Hoje me resumo à vice-presidente do site. Amém irmãos? Amém.