22
fev
2015
Crítica Estendida: “Interestelar”
Categorias: Críticas, Maratona Oscar 2015 • Postado por: Convidado Especial

Introdução

Simbologia de Interstellar.

Gostaria de começar por dizer que esta é a minha primeira crítica sobre neste site. Além disso, é a minha primeira crítica sobre um filme, com a possível exceção de um ranting que uma vez eu escrevi para o filme Drive (2011), que é um bom filme, embora o protagonista autista tenha me irritado profundamente, por algum motivo que deve ser facilmente compreendido por algum profissional de saúde mental. Por isso, mesmo sendo um leitor ocasional de filme e crítica TV, optei por ignorar algumas das convenções do gênero, como escrever um resumo para apresentar o filme para o leitor, ou manter a crítica em um tamanho administrável. Eu também provavelmente irei violar algumas das convenções deste site. Estou disponível para corrigir eventuais problemas com o texto. Razões e justificativas não obstante, imagino que esta introdução vá (e a própria crítica) muito editada pelo Editor, e que ele não sobreviva para ver O Leitor.

Sobre o que este filme realmente é

Cooper (Matthew McConaugheyé um viúvo ex-engenheiro da NASA que virou piloto que virou fazendeiro ressentido que vive com seus dois filhos – Tom (Timothée Chalamet), mais ou menos 17 e Murph (Mackenzie Foy), mais ou menos 12, e Donald (John Lithgow), seu sogro, mais ou menos 80. A história da vida de Cooper, pelo que percebi na segunda vez que vi o filme, é de um piloto da NASA que sofreu um acidente, que mais tarde se revelou ser causado por uma anomalia gravitacional, e agora está crescendo milho com a ajuda de auto-colheitadeiras robóticas programáveis. Esse mundo é assolado por uma praga que infecta e destrói os principais cereais que fornecem alimentos para nós. O filme não dá muitos detalhes do estado de outros países, apesar de que acho que eles estão praticamente na mesma situação. Esse cenário serve de causa para uma reorganização da estrutura social, onde temos uma grande demanda de agricultores para poder lidar com a crise alimentar. Ela é tão ruim que, aparentemente, o governo reescreveu os livros de ciência do ensino médio. Daqui pra frente o texto vai ter spoilers.

Ficção Científica com F. C. Maiúsculo

A Endurance.

Na Ficção Científica Séria Com F. C. Maiúsculo o escritor inventa/introduz algum dispositivo ou tecnologia ou inovação científica que é essencialmente um plot device para o que se segue ser uma exploração das possíveis ou prováveis consequências da introdução disso. Esta extrapolação inicial de lógica é permitida para que possamos ter uma história – uma História de Ficção Científica Com F. C. Maiúsculo – mas como todo mundo de fantasia a história deve ter regras básicas internas, como consistência, etc. Para nós, expectadores, os incidentes da trama devem seguir as leis da probabilidade. Em uma história que se leva muito a sério, por exemplo, o uso de um deus ex máquina, até mesmo um deus ex máquina prenunciado, é muito ruim e deixa um gosto de merda na boca. Essas leis enredo podem ser ignoradas pelo absurdo em si e/ou efeitos cômicos. Por exemplo, em A Vida de Brian, ele em um determinado aspecto do filme é salvo de uma queda por um Disco Voador que estava passando por ali no momento. Os leitores que já assistiram A Vida de Brian saberão que dentro da lógica do filme (se é que um filme do Monty Python tem lógica) isso seria completamente inaceitável, ETs com anteninhas na galileia da época de cristo é uma ideia francamente ridícula, mas mesmo assim no filme isso funciona, pelos efeitos cômicos. Ele é aceitável e diferente de um Deus ex máquina ruim como aquele do final do filme onde, não só a violando as leis da física de uma forma bem idiota, a vida de Cooper é salva por uma intervenção misteriosa de seres de cinco dimensões (WTF), após o nosso personagem cruzar o horizonte de eventos de um buraco negro (WTF), onde ele está preso dentro de um tesseract que é basicamente várias repetições da estante da biblioteca da casa do Cooper durante os anos (wtf gigante), e que transforma a gravidade em uma dimensão física tangível e manipulável por humanos(wtf) para que ele possa enviar uma mensagem para sua filha. Uma maneira pictórica para você entender facilmente por que isso é ruim é contar os WTFs  que uma pessoa razoável diria na última frase – e eu me considero uma pessoa razoável. Esta solução estúpida para o filme segue perfeitamente a Lei de Roteiro de David Langford “Qualquer tecnologia suficientemente avançada é indistinguível de um dispositivo de enredo completamente ad-hoc”, e parece ser o resultado de um que queria ter uma solução sensacional pro seu script, e inventou tanto que acabou cagando no pau, figurativamente falando. A função da intervenção mágica do Tesseract gravitacional é fornecer-nos uma explicação racional do fantasma da Murph: no final é o próprio Cooper que envia as coordenadas do QG Secreto da NASA, e os dados da equação gravitacional que permite à Murph fazer algo que, aparentemente, resolve o problema da colonização do espaço de uma forma que a tecnologia de viagem interestrelar que existia na época que Cooper saiu da terra não conseguia. Christopher Nolan parece ter uma necessidade de explicar tudo de uma forma aparentemente racional (e esta é uma das minhas coisas favoritas sobre ele, o esforço que ele coloca em alguns detalhes que seriam muitas vezes ignorados por outros diretores), mas ele fracassou completamente aqui.

Há outros exemplos de coisas estúpidas. Vou tentar enumerá-las da forma mais rápida e sucinta que eu puder. Quanto mais eu penso sobre elas, mais eu me sinto desmotivado para escrever sobre o filme.

No início do filme, somos apresentados a Cooper, que é um ex-piloto NASA que virou agricultor. Plantações de alimentos na Terra são devastadas por uma praga que nem mesmo os melhores e mais brilhantes entre nós não conseguem exterminar, e pelo medo de que o público irá rejeitar qualquer despesa que não traga resultados a curto-prazo, o gasto federal em ciência é drasticamente cortado. O porquê da iniciativa privada não conseguir resolver esse pepino nos elude. Talvez esse seja um futuro utópico onde a comunidade de eco-chatos finalmente tenha conseguido destruir a maligna Monsanto.

A casa de Cooper começa a ser assombrada por um fantasma, num prenúncio fajuto para evitar uma Tirada do C* no roteiro, que posteriormente nos é reveladoser na verdade os seres gravitacionais de cinco dimensões ajudando o Cooper do futuro a falar com sua filha no passado usando a gravidade. E Isso realmente é um dispositivo de enredo, porque (A) ele cria uma Arma de Chekov (o relógio que Cooper dá a Murph) necessária para poder resolver a “equação gravitacional” que a humanidade irá usar para manipular a gravidade e LEVAR A POPULAÇÃO DA TERRA PRA FORA DA TERRA, e (B) move a trama adiante, dando o que Cooper logo descobre serem coordenadas do QG SECRETO DA NASA QUE TINHA SIDO EXTINTA MAS NÃO, ELA NA VERDADE CONTINUA FIRME E FORTE E VAI MUITO BEM, OBRIGADO, VOCÊ QUER UM CAFÉZINHO PARA ACOMPANHAR? AQUI ESTÁ A CONTA, SENHOR. Eles vão lá, e descobrem a maravilhosa Anne Hathaway, um ex professor de Cooper que é pai dela, e que também, na verdade, a NASA tem recebido verba secreta federal para “usar a ciência” para tentar extinguir a porra da praga. Tudo está bem, e depois de alguns infodumps que são basicamente diálogos expositivos sobre a situação da praga e etc e tal, a agência secreta do governo não só revela seus planos secretos para o pequeno agricultor que INVADIU UMA PROPRIEDADE FEDERAL SECRETA, mas também convida o AGRICULTOR para pilotar a porra da nave espacial que levará alguns astronautas pra fazer uma viagem interespacial e criar uma nova humanidade em outro planeta longe daqui. Porquê nada faz mais sentido para a NASA do que chamar a porra de um agricultor pra pilotar uma nave interespacial numa missão secreta que tecnicamente não deveria existir e que por décadas alguns astronautas vem sendo treinados especialmente para isso. Estou começando a achar que na verdade Nolan fez um spin-off do filme Idiocracia.

Outro momento bem estúpido é um em que a tripulação da nave espacial decide parar e discutir o andamento da missão, porque aparentemente a NASA é gerida por amadores que não criaram protocolos nem planejaram a missão antes.

Há também a sugestão poética do amor como um poder transcendental, o que se você parar para pensar soa realmente muito estúpido em uma ficção científica com F. C. maiúsculo, mas como eu estou cansado de escrever e também é a Anne Hathaway quem fala isso, e eu tenho uma queda pela Anne Hathaway, eu vou ficar bem quieto.

Todas essas coisas não seriam suficientes para fazer dele um filme ruim. Se, por ex, um cara como o M. Night Shyamalan fosse o diretor, eu daria facilmente a ele três estrelinhas douradas de cinco pela tentativa. Claro, eu não estaria escrevendo sobre o filme. Mas  ainda assim, três estrelinhas douradas de cinco é uma nota razoável. Mas é de Cristopher Nolan que estamos falando. O que espero de um filme do Christopher Nolan é muito mais do que eu esperaria de um filme normal.

Filosofia na Ficção Científica

Cooper dentro do Traje Espacial.

O filme tem algumas coisas megabogas, no entanto. Algumas das discussões filosóficas que acontecem no filme são realmente interessantes, e é refrescante ver isso acontecendo num filme mainstream de Hollywood.

As melhores obras de ficção científica não são apenas sobre a ciência ou ficção. Elas são discussões de idéias muito interessantes, que usam a ficção  apenas como um dispositivo para explorar os conflitos da natureza humana e do homem como indivíduo, e conflitos éticos e morais.

O tema de uma moral utilitarista está presente em todos os aspectos do filme como motivação pros personagens. O utilitarismo poderia ser explicado mais ou menos como “tome o curso de ação que maximize a utilidade total.”: A humanidade na Terra não tem um futuro, por isso estamos empregando recursos na continuidade da raça humana através do envio de seres humanos para o espaço para criar uma nova população em um novo planeta favorável à vida. Este curso de ação, provavelmente, criaria maior benefício total porque nós aqui na terra vamos morrer de qualquer jeito, então a solução mais fácil é criar vida fora daqui. Isso, vs usar os recursos tentando salvar a população atual da terra, criando colônias espaciais em que os seres humanos possam viver.

No filme, isso é examinado em algumas perspectivas diferentes, principalmente na relação entre Prof. Brand e Cooper, e Cooper e sua filha. O Prof. Brand é inicialmente apresentado como um grande e respeitável cientista que está tentando resolver a equação de gravidade para salvar a raça humana. Ele inventa duas soluções possíveis: Plano A, que exige que a equação gravitacional seja resolvida para que os humanos possam ser transportados para viver no novo planeta adequado a vida, e o Plano B, que é para repovoar o novo mundo com plantas e outras coisas onde uma nova raça humana continuará.

Por que estamos tão obcecados com a continuidade da raça humana? O que torna isso desejável? O que torna a opção de criar uma nova raça humana e deixar a atual morrer desejável? Por que eu deveria querer isso? Por que você deveria poder forçar essa ideia contra a minha vontade, e me usar para fazer isso?

Estas são algumas das perguntas que poderiam ser feitas para desconstruir as ideias do Prof. Brand.

Mais tarde na história nos é revelado que ele sabia o tempo todo que o plano A era impossível, mas ele criou essa desculpa porque sabia que ninguém iria querer abandonar a humanidade para morrer na terra e repovoar um novo mundo (eu faria isso, tranquilamente). Essa discussão já seria suficiente e poderia ser o que tornaria o filme tão interessante e que vale a pena assistir. Mas parte da razão pela qual eu estou tão decepcionado é a da solução usada para desconstruir o Prof. Brand. O plano A só é bem sucedido porque Cooper entra no buraco negro e envia de volta para sua filha os “dados quânticos”, para que ela possa resolver a equação de gravidade. Essa Tirada do C*, embora prenunciada, é o que faz a desconstrução do filme falhar, porque no final não se trata de uma suposta superioridade de uma visão contra a outra, uma espécie de argumento, mas sim uma solução bizarra de um escritor preguiçoso que decidiu assim e pronto.

Os problemas no desenvolvimento dos personagens

Eu acho que a melhor maneira de ilustrar isso fazer esta seção o mais sucinta possível. Vou listar aqui todos os personagens inúteis no filme:

Amelia Brand: Ela é a Anne Hathaway. O uso da Anne Hathaway é sempre justificado, e eu não estou dizendo isso só porque eu tenho uma queda por ela.

Murphy Cooper: Motivação para o Cooper

Romily: Ele serve para esperar na nave 27 anos enquanto os caras que estavam segurando a “bola da idiotice” que desceram no planeta de água voltarem.

Doyle: Ele serve para morrer no planeta de água. É um dos que estavam segurando a “bola da idiotice” e decidiu descer no planeta.

Tom Cooper: serve de contraste para seu pai, Cooper.

Donald: Serve para cuidar dos filhos de Cooper.

Nas grandes obras, cada personagem, independentemente do tempo de tela, causa uma impressão em nós. Eles têm uma alma. Aqui, eles são apenas fantasmas.

Os problemas e os pontos fortes do filme sobre os seus aspectos visuais

Viagem Temporal.

O maior problema do filme em sua natureza cinematográfica é a falta de tratamento criativo ou aceitável das infodumps. Uma das coisas em uma história é que muitas vezes o enredo é dependente de informações que o leitor precisa ter para entender a história. Num livro, isso é fácil de resolver. Basta colocar um personagem explicando para outro algo que este não sabe, tornando-o como um guia da audiência. O desafio dessa abordagem é fazer um diálogo que não pareça chato, ou fora de lugar. É por isso que em tantos livros tem um personagem que é essencialmente um novato, que acaba servindo de guia ao expectador à medida que vai aprendendo as coisas. Transportar isso para uma tela, onde temos imagem e som, se torna um desafio muito mais complexo. É tentador tomar o caminho mais fácil, colocar um personagem novato para ter as coisas sendo explicadas para ele. Um diretor minimamente competente vai integrar isso na história. Todo mundo faz isso. O diretor criativo e excepcional deve encontrar uma maneira de apresentar as informações de maneira mais cinematográfica, usando todas as possibilidades que essa mídia nos apresenta. Isso que é difícil de fazer. Em Interestelar, Christopher Nolan não é um diretor criativo. Ele não chega a ser nem mesmo um diretor competente. Toda hora tem uma porra de um diálogo expositivo. Toda a parte que acontece dentro da Endurance é quase que exclusivamente expositiva, assim como quando Cooper é resgatado na estação em saturno. O principal problema aqui é que, por ex, aquilo que está sendo explicado na Endurance é algo que Cooper já deveria saber. No meio de uma missão interespacial temos conceitos de física de ensino médio sendo explicados à um cientista. Diálogos expositivos podem ser úteis, mas tem que ter o cuidado para não ficarem fora de lugar.

Outra coisa ruim neste filme é a edição. O maior exemplo é o cenário no planeta de água, onde o filme parece violar sua própria consistência e tempo interno quando ficamos sem entender muito bem quanto tempo a tripulação ficou lá. Quando o filme terminou eu me percebi tentando fazer a conta ver se o tempo que passaram lá teria sido suficiente para das os 27 anos que Romily passou na nave esperando. É um problema que poderia facilmente ser resolvido usando melhor as transições e cortes.

A maneira que Interestellar trata os efeitos da dilatação relativística do tempo é algo sensacional. Acho que esse é o primeiro filme a tentar usar este aspecto da relatividade geral. Isso é algo real. A passagem do tempo é diferente para dois referenciais com velocidades e/ou sofrendo gravidades diferentes. Nesse sentido, o filme funciona muito bem. Por exemplo, quando Cooper deixa a Terra, Murphy tem uns 12 anos, e ele diz a ela que por causa dos efeitos da relatividade geral, quando ele voltar, eles podem ter a mesma idade! Quando ele volta, no entanto, ela está com cento e alguma coisa. Tem também a situação do Romily, embora com alguns problemas de montagem. Além disso, existe o fato que quando o grupo acaba de chegar no planeta, Miller também tinha acabado de chegar e morrer, e por isso sua nave ainda estava transmitindo. A tripulação parece estar segurando algum tipo de ‘bola da idiotice’ que impede que eles percebam isso antes que seja tarde demais.

A poesia da mensagem principal do filme

Uma das coisas mais refrescantes sobre este filme é a principal mensagem, que é a figura dos seres humanos como exploradores. Temos basicamente dois arquétipos, melhor mostrados comparando a diferença entre Cooper e seu filho cujo nome não me lembro nem me importo o suficiente para pesquisar na internet para descobrir. Enquanto seu filho só quer trabalhar na terra a viver a sua vida tranquila como um fazendeiro, Cooper é um explorador ousado que quer sair e encontrar novos mundos, navegando até os limites do espaço. As esclhas muitas vezes brutais que temos de tomar para encontrar sentido nesse curto espaço de tempo que é a nossa vida. O conflito entre deixar seus entes queridos para trás para fazer alguma coisa maior. Isso é o que o personagem de Cooper, um dos únicos desenvolvidos e realmente interessantes ou úteis no filme, representa.

O uso da poesia de Dylan Thomas “Do not Go Gentle Into That Good Night” (Aqui temos o Anthony Hopkins declamando ela https://www.youtube.com/watch?v=s1fTlIsUGks) é uma maneira muito bonita para ilustrar e pontuar o conflito que alguns personagens (e humanos em geral) tem de enfrentar. Porque nós sabemos que a morte é inevitável, há uma tentação de gastar a vida se preocupando com a morte, e que temos de ter a certeza de estar sempre vivendo e fazendo o melhor de nosso tempo por aqui. É por isso que Cooper vai para o espaço. É por isso que o Prof. Brand recita o poema para a tripulação. Essa vontade de viver é o que faz Cooper sobreviver à sua luta contra o Mann (esse trocadilho era realmente necessário?). Não devemos nos render à falta de esperança que nossa mortalidade representa, devemos lutar para viver da melhor maneira que conseguirmos. Precisa de coragem para passar uma mensagem dessas nessa época de cinismo que vivemos, onde nada tem um significado simples assim, tudo é vestido com um casaco grosso de ironia por causa do medo de parecer simplista. A ingenuidade desse filme é uma das minhas coisas favoritas sobre ele.

Veredicto

Sem todos esses problemas, o filme seria uma maravilhosa obra de arte, facilmente um dos melhores filmes do século. Na forma que está, é simplesmente esquecível. É um filme que só estamos comentando por causa do peso dos trabalhos anteriores do diretor. The Dark Knight (2008), por exemplo, é segundo filme que eu mais gosto (o primeiro é Matrix). Apesar de tudo, Nolan ainda é Nolan.

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Autor da Crítica: Pedro Garcia, ex-colaborador do Pipoca Radioativa.



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