22
fev
2015
Crítica: “Guardiões da Galáxia”
Categorias: Críticas, Maratona Oscar 2015 • Postado por: Convidado Especial
Guardiões da Galáxia (Guardians of the Galaxy)
James Gunn, 2014
Roteiro: James Gunn e Nicole Perlman
Walt Disney Brasil

4.5

A p*rra de um guaxinim, a maravilhosamente ruiva e ex assistente do Doctor Who, Karen Gillian (que não é ruiva nesse filme), uma trilha sonora feita de hits dos anos 70 e uma árvore constituem unanimemente o que qualquer bom apreciador do cinema juraria de pés juntos pra você ser a receita pra uma merda foda. É exatamente por isso que ninguém esperava nada desse filme. E como, se eu me lembro direito, Douglas Adams nos ensinou, a satisfação ao assistir um filme é inversamente proporcional à expectativa criada por ele.

Todo mundo está secretamente torcendo pra Marvel Studios errar. E até agora, praticamente todos os filmes que ela produziu foram de aceitáveis (Thor, 2011), à muito bons (The Avengers, 2012 e Iron Man, 2008), mas Guardiões da Galáxia é o primeiro filme sensacional que eles fizeram.

A história do filme é bem anárquica, e tem muitos nomes, como todo filme feito para dar errado. Temos um pequeno garoto chamado Peter Quill abduzido por uma nave espacial logo após sua mãe morrer de câncer no hospital por um grupo de piratas espaciais caçadores de recompensa. Vinte anos se passam, o garotinho vira um mercenário e all-around badass motherfucker que rouba uma esfera metálica a serviço dos piratas espaciais caçadores de recompensa e é interceptado por um assassino subordinado ao terrorista interespacial chamado Ronan. Embora consiga escapar com o artefato, ao tentar vende-lo, é interceptado pela Gamorra, outra enviadada de Ronan. No meio da luta, ambos são interceptados por um time de caçadores de recompensa contratados pelos piratas espaciais, Rocket (Guaxinim) e seu companheiro Groot (literalmente uma árvore – interpretado pelo Vin Disel numa performance digna do Stallone). Nessa confusão de alto astral essa turminha da pesada é presa pela polícia do país, e por causa de suas fichas sujas, são levados presos para uma prisão interespacial a partir de onde essa turma da pesada irá se meter em altas confusões. Acho que já está bom. Não deixem a incompetência deste que vos escreve enganar-lhes, a sinopse só está aqui pra encher o texto. Dentro do filme, toda essa história é mostrada de forma sensacional e cinematográfica, sem deixar a aparente complexidade e nível de absurdo do filme se tornarem um peso. A irreverencia do filme, um dos pontos fortes, não parece em nenhum momento uma ferramenta para a esconder a preguiça do diretor em escrever uma história redondinha e interessante, o que infelizmente não é algo que se pode dizer de muitos filmes hoje em dia.

Os personagens são instantaneamente simpatizáveis. Mas pra mostar o meu ponto, vou falar só de um. Groot é uma árvore cujo repertório léxico se resume a dizer I AM GROOT exatamente nessa ordem interpretada pelo Vin Disel. O carisma dado a ela pelo roteiro é algo digno dos melhores blockbusters de hollywood, na tradição de criar um personagem que não é exatamente o personagem principal, mas que angaria uma simpatia de público muito grande sem desandar pro clichê. Sério. É os caras conseguiram fazer uma árvore interpretada pelo Vin Disel um personagem muito foda. Vai ver esse filme. Eu quero meu action figure do mini Groot (veja a cena dos créditos).

Uma estimativa feita por um estudo disponível nos melhores periódicos estima que cerca de 90% das cenas do filme incluem efeitos especiais. E é exatamente por não se tornar apenas mais uma extravagância hollywoodiana que o filme foi indicado por um Oscar de Efeitos Visuais. Eles são muito bem feitos, e não existe nenhum momento de efeitos especiais apenas por efeitos especiais. A integração dos personagens com CGI e os atores normais é muito bem feita, digna de um Avatar, mas sem ser uma porcaria insípida. Você chega até a acreditar na realidade do Rocket Racoon. É até melhor que interstelar, outro dos favoritos pro oscar de melhor efeitos, porque nesse filme o diretor não fica olhando só pra nave toda vez que tem alguma coisa foda no espaço em volta.

Não sei porque você ainda não foi dar seu dinheiro pra Marvel assistindo ele. Dou quatro estrelas e meia, e ainda quero comprar um action figure do mini-groot (ou uma camiseta, sei lá). Inclusive, esse filme fez tanto sucesso comercial que estão cotando o Chris Pratt pra fazer o reboot do Indiana Jones, o que, sei lá, a princípio pode ser um erro. Sério, vai ver esse filme.

Autor da Crítica: Pedro Garcia, ex-colaborador do Pipoca Radioativa.



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