17
fev
2015
Crítica: “Para Sempre Alice”
Categorias: Críticas, Maratona Oscar 2015 • Postado por: Victor Hugo
Para Sempre Alice (Still Alice)
Richard Glatzer e Wash Westmoreland, 2014
Roteiro: Richard Glatzer e Wash Westmoreland
Diamond Films

4

A inevitável favorita ao Oscar 2015 de ‘Melhor Atriz‘ e indicada em praticamente todas as grandes premiações dessa temporada, não foi o motivo que me fez ter tamanha vontade em assistir essa sensível e dolorosa adaptação do livro de mesmo nome da autora Lisa Genova. Embora Julianne Moore com certeza mereça todas as odes possíveis pela interpretação incrivelmente tocante nessa película, quem me chamou atenção desde o início foi a intérprete de sua filha e coadjuvante aqui, Kristen Stewart. Confesso, sou um admirador de Kristen, principalmente pelo fato de perceber o quão poucas pessoas conseguem reconhecer seu potencial. Por esse fato, minhas expectativas eram obviamente boas. Mas preciso dizer que a não indicação foi merecida.

Para Sempre Alice nos conta a história de uma renomada linguista Alice Howland (Moore), que leva uma vida comum com seu esposo, também professor universitário, John Howland interpretado com ponderada doçura por Alec Baldwin. Com três filhos já grandes, Alice não se contenta com a carreira optada pela mais jovem, Lydia (Stewart) que ao contrário dos irmãos, troca a oportunidade de cursar uma universidade para entrar em uma companhia de teatro itinerante.

Alice experimenta um momento muito oportuno de sua carreira, quando aos poucos começa a simplesmente perder tudo aquilo que construiu toda a sua vida profissional tão bem sucedida: As palavras. Essa perda se estende lentamente desde pequenos esquecimentos corriqueiros no meio de palestras, até uma terrível cena onde ela se perde dentro do campus da Universidade onde leciona. Esses lapsos se estendem  até que ela recebe o diagnóstico de Alzheimer precoce congênito.

A força com a qual Moore interpreta essa personagem é realmente tocante, e todos os recursos a qual o filme recorre são utilizados com maestria para corroborar com a incrível transformação que vemos diante de nós. A transformação de uma mulher, que em suas próprias palavras, sempre se definiu por seu intelecto, em alguém completamente dependente de tudo e todos que a cercam, nos leva a relacioná-lo facilmente com outro filme da temporada, A Teoria de Tudo (The Theory of Everything, 2014).

As diferenças óbvias e dolorosas, são o fato de que a doença de Hawking não atingir sua magnífica inteligência, mas infelizmente se tratar de uma história inteiramente real, o que da a Para Sempre Alice uma licença poética um pouco mais voltada para si e não ao público. Com isso, me refiro ao desfecho que na verdade é inevitavelmente esperado desde que começamos a acompanhar a triste trajetória dessa personagem tão próxima de nós.

A maternidade de Alice é o que conecta ela a todo e qualquer espectador e é aqui que entra a importância imensurável de seus filhos, em especial Lydia que aparentemente não é a mais próxima das filhas e com certeza não é a que mais satisfez as expectativas de seus pais. Lydia é o mais próximo que a família do filme tem de uma filha rebelde que pouco se importa com os desejos dos que o cercam, e esse egoísmo é justamente o mais tratado ao longo da história e isso demonstra a incrível capacidade de Stewart em expressar o interior dessa personagem. As transformações de caráter que ela sofre faz nosso foco voltar justamente para a dona do filme, o que na verdade, é a decisão mais inteligente que se poderia tomar. Quanto aos aspectos técnicos, a trilha sonora delicada e a fotografia simplista e até mesmo minimalista fazem nosso foco total ser nos personagens.

Para Sempre Alice é um filme de atuações. Na verdade, atuação. O filme é de Julianne Moore, e vencer esse Oscar é o mínimo que se pode esperar.



Lorde Vampírico e Geográfico das trevas, ex-ditador dessa pocilga, aspirante a escritor e a web-designer, twilighter, beatlemaniaco, parawhore, narniano e, é claro, cinéfilo. Hoje me resumo à vice-presidente do site. Amém irmãos? Amém.