18
fev
2015
Crítica: “Whiplash – Em Busca da Perfeição”
Categorias: Críticas, Maratona Oscar 2015 • Postado por: Marcela Galvão
Whiplash- Em Busca da Perfeição (Whiplash)
Damien Chazelle, 2014
Roteiro: Damien Chazelle
Sony Pictures Classics

4.5

Whiplash é uma música feita por Hank Levy em 1973, famoso saxofonista e compositor de jazz. Whiplash também significa “chicotear”. Entretanto, acredito que a melhor definição para Whiplash atualmente seja “um dos melhores filmes de 2014”.

Whiplash – Em busca da perfeição, dirigido por Damien Chazelle, conta a história de Andrew Neiman (interpretado por Miles Teller), um rapaz com apenas 19 anos cujo objetivo de vida é se tornar um dos melhores músicos de jazz de todos os tempos, e, para realizar sua meta, Andrew busca estudar na melhor instituição de música do mundo, ter como professor do conservatório Terence Fletcher e superar absolutamente todos os seus limites à procura da perfeição. E Whiplash, o filme, alcançou essa perfeição.

Indicado a 5 Oscars, Whiplash é um filme bem escrito, com uma exímia direção técnica e artística sendo unidas em um filme simples, porém com um roteiro muito bem elaborado (inclusive, Damien Chazelle concorre a melhor roteiro adaptado), onde as atuações e a captação aos pequenos detalhes foram de suma importância para este se tornar um filme completo.

O enredo é acompanhado (ou guiado?) pelo ritmo do jazz. Somos tão envolvidos ao espaço, às cores, aos sons que Andrew Neiman presencia que conseguimos experimentar um pouco das sensações que o jovem sente ao longo de toda a história. Tudo foi muito bem captado – não se sabe ao certo quem veio primeiro, se foi a própria história ou a incrível trilha-sonora. Percorremos o filme com uma intensa sensação de euforia, entusiasmo, raiva, medo, alegria. Seus batimentos cardíacos acompanham as batidas aos pratos.

Apesar de tudo, Whiplash não se trata de um filme que intenciona uma moral. Whiplash não é sobre como seguir seus sonhos é importante (até porque, muitas vezes chegamos a pensar será que Andrew realmente só deseja isso em sua vida?), ou sobre determinação, ou sobre métodos educacionais (risos). Whiplash não se trata nem mesmo de jazz, apesar de ter despertado o gosto por esse nos telespectadores. Oh não. Whiplash – Em busca da Perfeição se trata de uma história intensa, movida a sangue e lágrimas…literalmente.

Milles Teller, nosso futuro Sr. Fantástico, está absolutamente brilhante nesta personagem. Sendo baterista, sua performance foi impecável, indo das menores expressões às mais explosivas, apresentando um personagem forte e destemido, mas por vezes inseguro e preocupado. Já JK Simmons está em seu melhor papel. Sendo indicado ao Oscar de 2015 por Melhor Ator Secundário, Simmons nos oferece quase um anti-herói, cheio de facetas e com reações inesperadas – Devo confessar que me peguei diversas vezes batendo palmas para as estupidezes do professor. Ele dá a nós uma personagem do tipo “eu-não-acredito-que-ele-realmente-fez/disse-isso”. As demais personagens, Nicole (Melissa Benoist), o pai de Andrew (Paul Reiser), e demais músicos e familiares foram muito bem colocados e dirigidos, ajudando ao enredo se desenvolver e criando picos calmaria, porque olha… ao contrário dos músicos do Conservatório Shaffer, eu preciso respirar.

Com uma história fechada, bons atores, boa fotografia, indicado a Melhor filme, Melhor ator Secundário, Melhor roteiro, Melhor montagem (Tom Cross), Melhor mixagem de som (Craig Mann, Ben Wilkins e Thomas Curle), apesar de estarmos com uma ótima safra de filmes para o Oscar desse ano, eu encontrei o meu queridinho, o meu novo Charlie Parker. Altamente recomendado.



Fã de Nolan, Kevin Smith e Von Trier. Chora em “Toy Story”, assiste Grease toda vez que está passando na televisão e tem pavor de filmes com animais falantes. Torce pra a dominação alien sobre a Terra.É cinéfila e nas horas vagas, estudante de direito.