31
maio
2015
Crítica: “Amaldiçoado”
Categorias: Críticas • Postado por: Marcela Galvão

Amaldiçoado (Horns)

Alexandre Aja 2013
Roteiro: Keith Bunin
Eagle Films & VVS Films

3

Horns, ou como chamado no Brasil, Amaldiçoado, o último filme feito por Alexandre Aja, é baseado no livro O Pacto, de Joe Hill – ninguém menos que o filho de Stephen King. Aqui, em Horns, não encontramos um clássico filme de terror, nem um daqueles marcantes e assustadores à la Carrie ou It, mas um terror/comédia/romance/suspense diferente de todos os antigos filmes de terror e até, de todos os filmes atuais.

Ig Parrish (Daniel Radcliffe) é um rapaz de uma cidade pequena,  suspeito de assassinar brutalmente sua antiga e angelical namorada, Merrin Williams (Juno Temple). Depois do assassinato, a vida para ele torna-se um completo inferno, e, de alguma forma, ele parece ser o demônio de lá. Só que neste inferno, algo estranho (estranhamente cômico) acontece: chifres começam a crescer em sua cabeça. E, ao contrário do que se pode pensar, eles apenas contribuem para Ig solucionar o misterioso assassinato.

Horns, de certa forma, me lembra o icônico Um Drink no Inferno (Robert Rodriguez, 1996) por conta da estranheza que nos é passada, como roteiro desdobrando-se em muitos subgêneros. Mas é fato que, se Um Drink no Inferno tivesse um dedo do  aclamado Quentin Tarantino, ele seria criticado tanto quanto os Chappie ou Entre Abelhas, que por conta dessa mesma incerteza de gênero (cinéfilobofia?), foram.

Diferentemente do que o Netflix possa ter colocado, fazia tempo que não ria como ri em Amaldiçoado. Algumas cenas, apesar de usarem o tipo de humor mais baixo (o “besteirol”), ocorrem em horas tão inusitadas que é impossível não rir, e , assim como o tom de comédia do filme, seu suspense não deixa a perder. O filme dá muitas reviravoltas, sempre nos fazendo pensar quem é de fato o culpado. Talvez um problema no roteiro é que este poderia ter sido um pouco mais alongado para aprofundar-se na história dos personagens. Mas tudo bem, porque o foco do filme, o par romântico, está perfeito. Além de ter uma enorme carga de humor negro e suspense , o filme passa o amor dos dois de forma tão  delicada e doce que todas as cenas onde os dois estão juntos me lembram romances como em Crepúsculo ou O Diário de Uma paixão (momento girlie, com licencinha). A paleta de cores, aliás, foi escolhida minunciosamente, alternando para tons frios, quentes e pastéis. Excelente trabalho de câmera, excelentes planos cinematográficos – tanto que, nem mesmo os efeitos especiais de baixo nível influenciaram na história.

Apesar de todo o filme ser muito bem construído, ele não é um filme para ser marcado na história do cinema. Não consegue criar um “Thriller psicológico”, nem um grande vilão, e não possui tempo para uma grande história de romance.  É importante recordar, afinal, que a história foi adaptada de um livro e,sempre haverá problemas com isso. Sempre haverão os nunca satisfeitos fans do livro, e sempre haverá do outro lado, o pobre roteirista, tentando agradar os fans, o grande público, os críticos. É fato que algumas coisas ficam de certa forma nonsense ou não explicadas, mas hey, isso é cinema, não é? E outra: desde quando mistérios sobrenaturais precisam ser explicados? Oh, por favor…  Ótimo entretenimento, recomendo.



Fã de Nolan, Kevin Smith e Von Trier. Chora em “Toy Story”, assiste Grease toda vez que está passando na televisão e tem pavor de filmes com animais falantes. Torce pra a dominação alien sobre a Terra.É cinéfila e nas horas vagas, estudante de direito.