31
maio
2015
Crítica: “O Vendedor de passados”
Categorias: Críticas • Postado por: Convidado Especial

O vendedor de Passados

Lula Buarque de Hollanda 2015
Roteiro: Isabel Muniz
Imagem Filmes

3.5

O passado de uma pessoa contribui para o que ela ira se tornar e a ajuda ou atrapalha no que irá acontecer no futuro. Se você puder mudar o passado, isso pode influenciar muito em seu futuro, mesmo que essas mudança não seja real. Com esse pensamento que foi criado o livro o vendedor de passados do escritor José Eduardo Agualusa.

Vicente (Lázaro Ramos) trabalha como vendedor de passado, ele forja documentos, fotos, vídeos e outras mídias necessárias para que seus clientes possam convencer a todos de que seus passados sejam realmente aqueles que eles compraram. Uma cliente misteriosa(Alinne Moraes) que não conta nenhum informação a ele, nem mesmo o próprio nome, pede a Vicente que ele crie um passado para ela e dá a ele total liberdade para isso, porém ela tem que ter cometido um crime. Após a criação do passado dela, o filme continua com uma história, porém não vale a pena falar sobre isso, já que pode atrapalhar um pouco para quem não assistiu.

A história tem um desenrolar muito interessante e conta com um roteiro bem escrito, deixando com que você se prenda e comece a aceitar as ideias da mudança de passado e que possa realmente afetar o futuro. O personagem do Lázaro Ramos carrega um drama muito pesado com relação ao seu próprio passado e isso acaba ajudando o desenvolvimento e até dá uma certa “desculpa” para que ele tenha se interessado pelo seu trabalho. Já a personagem da Alinne Moraes não deixa transparecer o que ela está pensando, realmente ela consegue dar um tom de mistério em sua personagem, apesar do filme não se importar em ter um tom de mistério em sua história.

A história nã se fecha completamente, deixando de lado alguns assuntos que não tem necessidade para o desenvolvimento da mesma e em algumas vezes ela faz uma brincadeira com o fato de estar mudando o passado.

Na parte técnica, o filme tem uma perda de qualidade em alguns cenários que parecem bem falsos, não sei se a iluminação dá essa sensação ou se ela se dá por ter sido gravado em estúdio e não conseguiram trabalhar muito bem nisso. Algumas cenas também parecem ter sido feitas com pressa e deixou a desejar um pouco no desenvolvimento dela, a personagem da Alinne Moraes tem um ligação com o Vicente, porém essa relação foi muito mal trabalhada e mesmo que o filme não deixe bem claro essa relação, fica um pouco forçado.

A ideia é bem trabalhada e para as pessoas que ainda tem um certo preconceito com filmes brasileiros, acho que esse é um dos que devem ser assistidos. Ele tem uma questão muito importante sobre ética, sobre mudança de atitudes e ainda tem uma questão de comportamento humano muito importante.

Autor da crítica: Victor Kled, ex-membro do Pipoca Radioativa.



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