09
maio
2015
Crítica: “Solanin”
Categorias: Críticas • Postado por: Matheus Benjamin
Solanin
Solanin
Miki Takahiro, 2010
Roteiro: Izumi Takahashi e Inio Asano
Asmik Ace Entertainment

4.5

Todo mundo, ou quase todo mundo sabe que crescer não é nada fácil. E, Solanin é um filme que embarca exatamente nesse contexto, além da frustração de não se fazer o que gosta e achar que é muito tarde para resoluções. O longa é uma adaptação livre do mangá alternativo de Inio Asano.

Taneda (Kengo Kora) e Meiko (Aoi Miyazaki) são um casal de namorados que dividem um apartamento. Ela é deveras responsável, porém um pouco infeliz e trabalha como secretária em um escritório, enquanto Taneda trabalha como ilustrador. Ambos são bastante sonhadores, porém Taneda é ainda mais otimista e quer ser feliz, de fato, cantando com sua antiga banda de rock. Meiko acaba sofrendo certo assédio por parte de seu chefe e resolve se demitir para não ter que aguentar o que está sendo imposto, o que ela não sabia era que Taneda também tinha feito isso para poder seguir com o seu sonho.

A banda de Taneda não ganha grandes chances dentro do mercado musical, o que cada vez mais agustia e estressa seus integrantes, além é claro de Meiko que não sabe mais de onde tirará dinheiro para pagar as contas do mês. Todos os esforços são feitos em vão e quase que todos desistem da banda. Quando nos aproximamos do final da metade do filme, somos surpreendidos por um futuro incerto, onde uma tragédia acaba desolando ao mesmo tempo que criando expectativas e sobretudo uma força para seguir adiante.

Com uma fotografia lindíssima, tons neutros e suaves; a direção de Takahiro dá grande destaque às emoções das personagens, deixando vários momentos em total silêncio para que o espectador sinta o que estes também sentem, recurso bastante impressionante e utilizado com cuidado. Pode-se afirmar que Solanin é um filme emocionante, principalmente por conta de seu desfecho, que lembra bastante todo o traço de Inio Asano em seu mangá. E, que também, é uma belíssima adaptação de seu material de origem.

Confesso que só conheci o mangá e o longa, somente através de uma banda japonesa da qual eu gosto bastante, chamada Asian Kung-Fu Generation, que escreveu a música-tema de mesmo nome que o longa. Na história, Solanin é uma canção escrita por Taneda que segundo ele trata-se de uma “despedida do passado”. De fato, a música é maravilhosa não só por sua sonoridade (um parênteses aqui pra dizer que eu estou dizendo isso como um amante de música e não como especialista, veja bem) mas por sua letra bem amarrada ao enredo do filme e, consequentemente do mangá.

Com atores muito bons, que cumprem seus papeis; trilha sonora com uma música incrível e que combina em diversos aspectos com quase tudo e uma direção competente, fica a dica para quem nunca ouviu falar de cinema japonês, pra quem gosta de mangá ou pra quem acha que sonhar sem tirar os pés do chão é saudável, ou também tirar de vez em quando.



Fã de Miyazaki, Aïnouz, Salles, Mendonça Filho, Von Trier, Thomas Anderson, Haneke e Bergman. Dirigi dois curta-metragens “A-Ma-La” e “Senhor Linux e sua Incrível Barba”, ambos pela Pessoas na Van Preta.