31
maio
2015
Razões para conferir o novo Mad Max: Estrada da Fúria!
Categorias: Especiais • Postado por: Matheus Benjamin

George Miller, em 1979, trouxe ao público o começo de uma saga sobre um mundo pós-apocalíptico de forma inteligente. Foi preparando o terreno com o primeiro filme onde as mudanças não poderiam ser tão claramente observadas para mostrar seu trunfo no segundo filme da trilogia e dar um xeque mate no terceiro. Obviamente a saga teve seus altos e baixos, com erros bobos e acertos interessantes. Alguns anos se passaram e anunciado um novo Mad Max, que ao contrário do que muita gente por aí está pensando, não segue nada ou quase nada deixado pra trás pela trilogia original, as expectativas foram aumentadas e a espera começou. Tudo isso foi suprido com grande êxito e os fãs do Mad Max passado poderão aproveitar ainda mais a nova história trazida às telas (e pelo mesmo George Miller de sempre)!

Roteiro? História? Esse filme tem história?

Pois bem amigos, eu digo que tem sim. Essa foi a maior crítica que ouvi internet afora e amigos sobre o filme: “Não há história”; “Estou esperando a história começar”; “Cadê o roteiro disso?”. As pessoas as vezes se esquecem que para se construir uma história não necessariamente precisa-se de diálogos ou qualquer palavra. Não que este novo filme queira contar sua história por linguagem corporal ou qualquer coisa do tipo, mas todo o espectador que surgir para assistir ao filme e simplesmente assisti-lo realmente vai conseguir entender basicamente o que o diretor está propondo.

O plano é aparentemente simples: um mundo pós-apocalíptico, uma seca desgraçada, um ser completamente venerado por uma multidão, mas que explora todos eles sem distinções e domina diversos recursos naturais escassos como água, agricultura e etc. Immortan Joe é seu nome e sua aparência é bastante característica. Daria um ótimo cosplay, eu diria. Ele mantém um exército de “kamikazes”, que precisam de sangue (o que faz com que pessoas sejam exploradas para doar sangue) e diversas esposas que lhe dão filhos e leite (sim, elas são ordenhadas a todo momento)!

maxresdefault

Eis que um belo dia, um certo forasteiro, o Max (vivido pelo incrível Tom Hardy), com seu sangue O+, acaba virando doador de sangue para o exército do incrível vilão vivido por Hugh Keays-Byrne, que aliás, viveu um outro vilão (Toecutter) no primeiro filme da franquia. E enquanto está lá servindo de bolsa para Nux (de Nicholas Hoult) e fixado de cabeça pra baixo em um gancho, uma pessoa da confiança de Immortan Joe, Furiosa (Charlize Theron) acaba traindo seu “mestre” e fugindo com um caminhão pipa (e certas esposas do grandiosíssimo senhor). A partir daí, todos saem em uma perseguição alucinante para capturar a traidora; Nux vai dirigindo um dos carros e acaba levando Max consigo.

O mais interessante neste roteiro (que muita gente ignorou) foram as razões que levaram Furiosa, uma das personagens mais incríveis e interessantes do longa, a fugir com as esposas de Immortan Joe. E dentro dessas razões, podemos ver todo o mimimi em torno de certos machistas que tentaram (desastrosamente) boicotar um filme “de macho” com mensagens feministas. Essas alegorias apresentadas por Miller são pontos fortíssimos do seu roteiro (opa, mas esse filme não tem roteiro!) que com sua fotografia e direção de arte reforçam e exaltam ainda mais as emoções das personagens.

O Elenco e as personagens

Houve certo burburinho sobre a escolha do elenco. Tom Hardy não é Mel Gibson, obviamente, mas seu Max é interessante, retraído, corajoso e com a mesma vontade de trilhar seu caminho completamente solitário e livre de amarras. O ator consegue fazer um trabalho muito bacana; aliás todo o elenco é bastante forte. Charlize Theron está realmente furiosa. A caracterização de sua personagem e seu tom em sua composição fizeram diferença no conjunto da obra. Furiosa é forte, desafiadora, destemida e no seu desfecho é simplesmente assustadora! Se alguém cogitou que este filme teria uma frágil e indefesa mocinha quebrou a cara com gosto. Todas as personagens femininas têm suas forças, ambições e garra para travar uma guerra de velocidade em uma estrada de fúria.

As esposas (adolescentes) de Immortan Joe querem se libertar do “marido” e por isso fogem. Uma delas está grávida e carrega um dos filhos do grande vilão. E em meio à perseguição toda mostra que mesmo nesta condição consegue lutar com unhas e dentes sobre o que acredita e quer conquistar. As demais esposas, com exceção de uma, esperam estar fazendo um grandioso bem para si mesmas e por isso vão adiante com Furiosa. E no decorrer do filme, Nux, que usava Max como bolsa de sangue, vai aos poucos crescendo e tornando-se peça fundamental no grupo que se forma adiante. Nicholas Hoult tem uma atuação na medida com bom humor e drama; seu personagem até desponta para um núcleo quase romântico (e passageiro) dentro da trama. A relação de seu personagem com Immortan Joe e tudo o que acreditava vão ruindo conforme certas coisas acontecem. Inclusive: TESTEMUNHEM!

Que cores são aquelas?

A fotografia e a direção de arte estão caprichadas. Boatos de que George Miller trabalhou durante um longo período com cinco artistas de storyboards e seu diretor de fotografia, John Seale (vencedor do Oscar em 1997 por O Paciente Inglês) produzindo cerca de 3.500 quadros, o que quase totaliza o número de enquadramentos do filme. Este trabalho feito com tanto cuidado deve-se ao fato das pretensões de seu diretor: filmar uma incrível perseguição que durasse quase completamente os 120 minutos de projeção do longa.

mad-max-fury-road-feat-1

Mad Max: Estrada da Fúria tem planos belíssimos e ótimos jogos de câmera, tudo isso contribui imensamente para o resultado final e deixa o filme cada vez mais próximo do real. Os efeitos especiais são milimetricamente bem orquestrados e tudo contribui de forma harmoniosa para a veracidade da narrativa. E o local de gravação, a Namíbia, tem uma paisagem belíssima.

As cores. Que cores são aquelas? O filme conta com duas paletas de cores predominantes: um intenso alaranjado caminhando pelo amarelo para deixar o espectador ainda mais aflito com aquele cenário de seca, deserto e quente; por outro lado, a noite é fria – e bastante azul. O curioso é que geralmente filmes de ação apelam para estas duas tonalidades específicas, porque essas cores aparecem em lados opostos em um circulo cromático tornando-se ideais pra esse tipo de filmes, por se complementarem e causarem a sensação de adrenalina. Só posso dizer que tudo é intenso e bonito.

E o que George Miller quis dizer com esse filme?

A mensagem é: acredite no seu valor e busque a sua independência. Não só para com as personagens femininas retratadas no longa, mas para o próprio Max e Nux. Este é um filme para vibrar a cada cena, se emocionar com certas tramas entrelaçadas e torcer para que tudo se encaminhe com os protagonistas. Ah, e se espantar com certas coisas malucas colocadas pelo diretor no meio do caminho: como o guitarrista que toca um som massa enquanto ocorre a perseguição à Furiosa.

ImmortanJoe

No primeiro Mad Max, timidamente somos apresentados à um mundo (mais especificamente na Austrália) pós-apocalíptico em seus primeiros estágios. Há algumas perseguições em estradas ainda aparentemente normais e um enredo sobre vingança. É o filme que eu menos gosto dentro da trilogia.

Já no segundo, as coisas melhoram bastante. Mad Max 2 era o meu favorito da franquia até conhecer Fury Road. Neste filme, a perseguição travada é por conta de combustível. Algumas coisas deste segundo filme se assemelham em parte no roteiro e na personalidade de Max (e podem ser percebidas facilmente). Só digo que é um excelente filme de ação dos anos 80 com personagens carismáticos e explosões!

E por fim, no terceiro filme, que carrega o subtítulo de Além da Cúpula do Trovão e traz Tina Turner como Aunty Entity (inclusive ela canta o tema final do longa, que pode ser conferido AQUI) vemos um Max ainda mais curioso. No começo, ele chega tímido a um novo lugar, a cidade de Bartertown e conhece sua governante. Ele é persuadido por ela a lutar na cúpula do trovão para recuperar seu carro tão amado. A regra desta cúpula é: dois entram e um sai; logo Max teria que matar seu oponente e quando seus valores falam mais alto ele é obrigado a se exilar no deserto. O que acontece a partir daí, vocês terão que conferir!

Considerações Finais

Se você gosta da trilogia original você vai gostar ainda mais de Fury Road (ou ficar se perguntando onde está Mel Gibson). Se você gosta de perseguições alucinantes e personagens fortes, este filme é pra você! Se você gosta de momentos de drama durante a ação, se gosta de música (a trilha sonora é maravilhosa) ou de certas bizarrices não perca este filmaço na maior tela possível!



Fã de Miyazaki, Aïnouz, Salles, Mendonça Filho, Von Trier, Thomas Anderson, Haneke e Bergman. Dirigi dois curta-metragens "A-Ma-La" e "Senhor Linux e sua Incrível Barba", ambos pela Pessoas na Van Preta.