17
jun
2015
Crítica: “Divertida Mente”
Categorias: Críticas, Maratona Oscar 2016, Maratona Pixar • Postado por: Victor Hugo
Divertida Mente (Inside Out)
Pete Docter e Ronaldo Del Carmen, 2015
Roteiro: Pete Docter, Ronaldo Del Carmen, Meg LeFauve e Josh Cooley
Walt Disney Pictures

5

Alguns dos leitores mais antigos do Pipoca, provavelmente se lembrarão da Maratona Pixar feita por aqui. Basicamente, eu dividi a filmografia da produtora em três fases: Infância, Fase Adulta e Velhice. Divertida Mente (Inside Out) me fez chegar a conclusão de que a Pixar não só renasceu das cinzas, mas também pulou diretamente pra sua fase adulta, e, para mim, só resta torcer pra que ela seja eterna.

O último lançamento da produtora, Universidade de Monstros (Monsters University, 2013) demonstrava claramente um desejo poderoso de se reinventar (digo, de voltar a se reinventar) e é isso que é feito com essa incrível animação.

Tudo começa com o nascimento do mais primitivo de nossos sentimentos, a Alegria. A Alegria do nascimento, no caso, da nossa personagem principal nessa saga dentro de um cérebro, Riley. Logo depois nascem os outros sentimentos: Tristeza, Medo, Raiva e Nojinho – não exatamente nessa ordem – ajudam Alegria a cuidar do desenvolvimento desse novo ser. A recompensa que cada um desses sentimentos vão recebendo ao longo da vida da garota são as memórias.

A garota cresce na medida em que traços de sua personalidade vão se desenvolvendo e a cada um desses traços, derivados de memórias base até então todas advindas da Alegria, criam novas Ilhas mentais que são ativadas conforme essas memórias são revividas. Vale assinalar que cada personagem tem a forma corporal que remete exatamente ao sentimento que evocam. Alegria nos lembra uma fada, com seu corpo iluminado e colorido.

A antagonista da história a princípio é a Tristeza, e o conflito inicia-se justamente quando ela adquire o poder involuntário de transformar memórias alegres em tristes, inclusive as memórias base – que até o momento eram todas alegres. É nesse momento em que um ponto transformador na história acontece: A chegada da primeira memória base triste. Memória essa que desafia Alegria que com todos os seus esforços impede que ela crie uma nova ilha, e é assim que por acidente, Alegria e Tristeza se perdem cérebro adentro de Riley.

Uma das maiores qualidades de Inside Out é a forma como pessoas de qualquer idade podem se identificar com os conflitos ali vividos. Trata-se da narração de uma linha tênue entre a infância e o início da adolescência, e a perda de sentimentos tão cruciais como a Alegria e a Tristeza retratam perfeitamente a confusão que esse momento representa. Adultos se lembraram, adolescentes se identificaram… e Crianças provavelmente se aterrorizarão com o futuro que as espera. Mas não é esse o objetivo, e o humor da Pixar está lá para impedir que isso aconteça.

Ao longo de toda a curta vida de Riley, cada um dos sentimentos tomava controle de sua mente conforme fossem surgindo as necessidades, e a infância foi o momento em que a Tristeza não tinha uma função determinada. É nesse momento, literalmente de auto-descoberta desses sentimentos perdidos, que Alegria aprende a importância de sua colega aparentemente inútil. E é também através disso que Nojinho, Raiva e Medo descobrem o quanto precisam das outras duas.

Nos deparamos então com a incrível capacidade da Direção de Arte de criar cenários arrebatadores dentro de um ambiente tão restrito como a mente de uma pessoa. O grande buraco que separa a Central de Comando dos sentimentos e as Ilhas da Personalidade é o Esquecimento, onde caem todas as memórias, representadas por bolinhas da cor característica de cada sentimento – que Riley não se importa mais, memórias desbotadas, obscurecidas pelo tempo.

Infelizmente não há como comentar sobre a dublagem brasileira pois assisti a uma sessão legendada. Os dubladores norte-americanos por sua vez fizeram um trabalho primoroso!

A presença ilustre do amigo imaginário de Riley, de alegorias lindas que tratam de coisas peculiares da mente humana como o deja vú, os sonhos, as abstrações, e até mesmo aquela música de comercial tão irritante. Enfim, tantas outras referências, torna praticamente impossível não amar essa animação seja qual for a idade do espectador.

Com uma conclusão linda e emocionante, chegamos a conclusão mais simples e óbvia que se pode chegar: A Pixar conseguiu de novo.



Lorde Vampírico e Geográfico das trevas, ex-ditador dessa pocilga, aspirante a escritor e a web-designer, twilighter, beatlemaniaco, parawhore, narniano e, é claro, cinéfilo. Hoje me resumo à vice-presidente do site. Amém irmãos? Amém.