21
jun
2015
Crítica: “Jurassic World – O Mundo dos Dinossauros”
Categorias: Críticas • Postado por: Convidado Especial
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Jurassic World – O Mundo dos Dinossauros (Jurassic World)
Colin Trevorrow, 2015
Roteiro: Colin Trevorrow, Rick Jaffa, Amanda Silver e Derek Connolly
Universal Pictures

4

“O porquê de ficar em casa e assistir ao primeiro filme”

Jurassic World é um filme cruel. Vinte e dois anos depois do lançamento do primeiro filme, e quatorze ano depois do lançamento do último da franquia, ele surge. O quarto. O que vem depois de duas sequências que deixaram a desejar em mais aspectos que o visual. O que seria o redentor. Seria.

O filme começa com uma viagem de dois irmãos, Gray e Zach Mitchell (Ty Simpkins e Nick Robinson), sobrinhos de Claire Dearing (Bryce Dallas Howard), ao parque que esta comanda de uma posição de gerência, já que o verdadeiro dono é Simon Masrani (Irrfan Khan), o sexto homem mais rico do mundo que queria realizar o sonho de John Hammond, preocupado com a experiência dos visitantes bem como com a dos animais do parque. Vamos ao que interessa, que é a ascensão e queda da esperança de quem foi à sala de cinema com expectativa pueril: a chegada ao parque.

A cena panorâmica do parque, agora com o nome de Jurassic World, ao som da música tema da franquia, sinceramente quase me tirou lágrimas. Lágrimas de quem conhece e gosta de Jurassic Park desde que se entende por gente. Lágrimas de quem foi tão envolvido pelo primeiro filme que compartilha da dor de John Hammond (Richard Attenborough) quando o parque, juntamente com seu sonho, dá errado. Lágrimas pelo filme se passar na Ilha Nublar, a mesma do primeiro filme, e não na Ilha Sorna, local dos outros dois, retornando às origens. Lágrimas de quem até hoje às vezes assiste ao filme pra matar a saudade. E ver o parque, finalmente aberto e funcional, foi quase um sonho realizado.

Pois bem. Dessa cena em diante, é morro abaixo. Apesar de toda a emoção envolvida, ele ainda é uma sequência, e deveria respeitar os filmes que vieram antes. A primeira pergunta a se fazer é, em que universo se permitiria que outro parque abrisse depois do ocorrido nos outros filmes? Essa questão fica sem resposta em Jurassic World, e é uma que realmente deveria ter sido explicada, haja vista que mesmo em Jurassic Park, Hammond já não possuía apoio de advogados e investidores.

Alguns minutos introdutórios ao estabelecimento, mostrando-o bem por cima, nos levam a conhecer Owen Grady (Chris Pratt), um treinador de velocirraptors e o herói do filme. Interessante seu papel, haja vista, aparentemente, ser o único ou um dos poucos que trata os dinossauros como animais de verdade, com toda a dignidade e respeito que merecem, e não como objetos cuja única função nesse planeta é fazer dinheiro.

Somos finalmente introduzidos ao Dr. Henry Wu (B. D. Wong), geneticista da companhia inGen responsável pela criação dos dinossauros. Nessa ocasião, somos informados de que uma nova espécie foi criada a partir das experiências em laboratório, uma mais agressiva, mais rápida, maior e mais inteligente, cujo objetivo era atrair mais visitantes ao Jurassic World. Em nota de curiosidade, o Dr. Wu é também o geneticista do primeiro filme, Jurassic Park, representado inclusive pelo mesmo ator.

Daí em diante, a trama é absolutamente previsível. Essa espécie nova consegue fugir e matar gente por aí. Depois de muito esforço por parte dos mocinhos do filme (Claire, Owen e outros), a ameaça é contida, apesar de ficarmos sabendo que havia um plano por parte da inGen para que as coisas saíssem do controle, o que dá material para uma sequência (rezo para estar errado), somado ao fato do Dr. Wu ir embora levando material genético dos dinossauros. Aos aspectos técnicos.

A fotografia do filme é clássica de blockbuster e filmes de ação. Câmeras tremidas, panorâmicas nas explosões, sem muita coisa acontecendo na tela ao mesmo tempo além da correria/gritaria/ação. Quanto à trilha sonora, tenho que cumpriu seu papel, apesar de não se destacar. O tema da franquia se fez presente nas horas oportunas (e não por qualquer coisa, como em Lost World: Jurassic Park), e, no restante do tempo, não invadia nem se fazia passar despercebida, combinando com o filme. Não houve nenhuma atuação espetacular, mas também nenhuma sofrível.

Em suma, Jurassic World é um blockbuster de ação que leva o nome da franquia, o que é muito desapontador. Recheado de referências ao primeiro filme, Jurassic Park, tanto por se passar na mesma ilha, quanto por citar o nome de John Hammond algumas vezes, ou então por ser encontrado o complexo do primeiro parque, nota-se que, almejando apelar ao de 1993, em verdade se viu algo que nada tem a ver. E é por isso que fico chateado. Prometendo finalmente uma sequência à altura, evocando os sentimentos mais puros de quem assistiu ainda criança, nos foi entregue um mais do mesmo hollywoodiano. Se você não se importa com isso e só quer ver gente morrendo, dinossauros, correria e explosões, Jurassic World é o seu filme. Já se você pensava em assisti-lo por conta do primeiro, o título do texto é autoexplicativo.

Autor da crítica: João Salvático, fã do Pipoca Radioativa.



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