13
jun
2015
Crítica: “Poltergeist: O Fenômeno”
Categorias: Críticas • Postado por: Marcelo Silva
Poltergeist: O Fenômeno (Poltergeist)
Gil Kenan, 2015
Roteiro: David Lindsay-Abaire
Metro-Goldwyn-Mayer & Twentieth Century Fox

1.5

Nunca antes na história do cinema houve espaço para tantos remakes (refilmagens, em português). Utilizando o argumento de que é necessário atualizar uma obra do século passado para os tempos de hoje, os estúdios invadem as salas de projeção com novas versões de filmes que, um dia, fizeram sucesso. Enquanto algumas – como os dois recentes Planeta dos Macacos – adquirem caráter próprio e realmente têm sua existência justificada, outras são totalmente descartáveis. Infelizmente, Poltergeist: O Fenômeno, uma refilmagem do clássico de mesmo nome lançado em 1982, encaixa-se nesse último grupo, sendo um filme feito apenas para garantir uns trocados a mais para a Twentieth Century Fox e a Metro-Goldwyn-Mayer.

A história é praticamente a mesma da versão original. A família Bowen acaba de se mudar para uma nova vizinhança. O pai (Sam Rockwell), a mãe (Rosemarie DeWitt)  e os seus filhos parecem se adaptar bem ao novo lar, até começarem a perceber estranhas manifestações no local atingindo, principalmente, a filha pequena (Kennedi Clements). Quando a menina é sequestrada por forças malignas,  a família é levada a uma corrida contra o tempo para salvá-la antes que seja tarde demais.

Escolhido para a direção, Gil Kenan, do divertidíssimo “A Casa Monstro”, mostra-se completamente perdido na condução do terceiro longa da sua carreira. Além de gastar um bom tempo de projeção enquadrando insignificantes torres de transmissão de energia, Kenan emprega humor em cenas que deveriam ser tensas; introduz elementos sem nenhuma relevância na trama, como, por exemplo, o boneco de palhaço; e apresenta personagens superficiais e dispensáveis – qual a função da irritante adolescente vivida por Saxon Sharbino, afinal?

O roteiro escrito por David Lindsay-Abaire é extremamente preguiçoso ao introduzir uma série de diálogos expositivos. Ao invés de permitir que o público descubra pouco a pouco a natureza perigosa das criaturas que assombram a casa, o roteirista opta por inserir todas as informações de uma só vez nas falas artificiais de Carrigan Burke (Jared Harris), o caça-fantasmas chamado para solucionar o problema da família.

Além disso, o elenco deixa a desejar. Sam Rockwell e Jared Harris, prejudicados por seus personagens caricatos, estão inexpressivos; ao passo que a atriz mirim Kennedi Clements profere suas falas de maneira artificial, como se fosse uma boneca automaticamente programada para desempenhar essa tarefa. O único acima da média é Kyle Cattlet, que desempenha o papel do filho do meio do casal Bowen com extrema naturalidade e segurança.

Pela parte técnica, a fotografia é eficaz na construção do ambiente ora claro, ora escuro da casa e no movimento minuciosamente calculado das câmeras. Por outro lado, a visível digitalização das criaturas e do portal sobrenatural evidencia a simplicidade e a fraqueza dos efeitos especiais. A única cena que chega a agradar aos olhos é a do ataque da árvore. O restante parece ter sido feito em um programa caseiro de edição de imagens.

Assim sendo, o Poltergeist do século XXI não impressiona, não assusta e tampouco diverte. Nem a presença de Sam Raimi – a mente por trás da trilogia de terror Evil Dead – como produtor ajudou o pouco experiente Gil Kenan a fazer um filme à altura do original de 1982. Tobe Hooper e Steven Spielberg (diretor e roteirista do clássico, respectivamente) devem estar constrangidos de terem seu trabalho transformado nesse subproduto que não vale sequer o preço do ingresso. Na melhor das palavras, uma versão a ser esquecida.



Quem sou eu? Uma mistura de Walter Mitty com Forrest Gump. Um cara que tem vontade de fazer tudo o que Mark Renton fez em Trainspotting. Um cinéfilo que tem a certeza de que a vida não seria a mesma se não existisse o cinema. Diretor preferido? Assim fica difícil: amo de Zé do Caixão a Stanley Kubrick!