23
jun
2015
Crítica: “Ponte Aérea”
Categorias: Críticas • Postado por: Maisa Carvalho
PA2
Ponte Aérea
Julia Rezende, 2015
Roteiro: Julia Rezende, Rafael Pitanguy e L.G. Bayão
Paris Filmes

4.5

Ponte Aérea é um daqueles filmes que depois de assistir da gosto de ter assistido. Diferente de todo filme nacional que vi até agora, bem diferente. E aquelas pessoas que ficam esculhambando o cinema nacional, definitivamente deveriam assistir ao filme, que além de bonito e muito bem feito, é original.

A roteirista e diretora, Julia Rezende, fez um ótimo trabalho, o roteiro é bem construído, os diálogos são reais, como tudo no filme, aliás.

É uma história de romance meio dramática, mas nada fora do comum que faz o espectador pensar que nada daquilo nunca vai acontecer na vida real, talvez seja isso que faz do filme um bom filme. É real, é palpável, apresenta uma situação que poderia facilmente acontecer no mundo fora das telas.

Além de tudo, a trilha sonora é maravilhosa, não boa, maravilhosa, daquele nível que te faz ir ao youtube procurar para ouvir depois que o filme acaba. O filme tem um clima meio melancólico o tempo inteiro, principalmente ao redor do personagem Bruno, interpretado muito bem por Caio Blat.

A história é bem bonita, sobre um casal que não tem muito em comum, o Bruno e a Amanda, interpretada pela (linda, maravilhosa) Letícia Colin. Eles são bem diferentes um do outro, o Bruno mora no Rio, é bem descontraído, vive na praia, tem um jeito meio zen; a Amanda, é uma super publicitária, muito bem sucedida para a idade que tem, mora em São Paulo e é bem agitada.

O que mais agrada na história é que ela é simples, ela acompanha a vida dos dois, eles têm conversas simples e bem verdadeiras, a família do Bruno é apresentada como parte importante da história. A única coisa que incomoda, é que os personagens são bem construídos, porém o personagem de Caio Blat tem mais destaque (quando se fala de construção, não atuação) que a personagem de Letícia Colin. Bruno é apresentado com um passado de vida, e é fácil deduzir como vai ser o futuro da personagem. Já a Amanda, apesar de ser fácil deduzir um futuro para ela, não tem um passado, há um cena na qual ela menciona uma irmã, mas nada significativo. A personagem é muito boa, seria legal descobrir um pouco mais sobre ela, longe do Bruno.

O filme vale muito a pena, é sincero, gostoso de assistir e até surpreende um pouco, então se você é uma daquelas pessoas que acha que o cinema nacional só tem porcarias, palavrões (como se no internacional não tivesse, please), violência e toda a ladainha que as pessoas falam para dizer coisas negativas, para com isso e vai lá, assiste Ponte Aérea, depois pensa bem se o cinema nacional que é ruim, ou se é você quem está assistindo aos filmes errados.



Não gosto da palavra “cinéfila”, então digo que apenas que amo assistir filmes, principalmente se tiver o DiCaprio ou Keira Knightley. Sou apaixonada pelo Scorsese, Wes Anderson, Sofia Coppola, Woody Allen, Cameron Crowe e John Hughes. Adoro os filmes que misturam comédia com drama e não curto o preconceito com os filmes nacionais. Estudo jornalismo e caí de paraquedas neste site, com a Força ao meu lado, espero não decepcioná-los.