15
jul
2015
Crítica: “El Cuerpo”
Categorias: Críticas • Postado por: Marcelo Silva

El Cuerpo

Oriol Paulo, 2012
Roteiro: Oriol Paulo
Antena 3 Films & Canal+ Españas

5

Muitas vezes, um filme feito fora da terra do Tio Sam é capaz de deixar qualquer figurão de Hollywood com inveja. Lançada na Netflix sem nem ter passado pelos cinemas brasileiros, a produção espanhola El Cuerpo (O Corpo, em tradução literal) não só consegue essa proeza, como também constitui-se como uma das melhores obras de suspense dos últimos anos.

Na trama, o corpo de uma mulher (Belén Rueda) desaparece misteriosamente do necrotério sem deixar vestígios. O policial Jaime Peña (José Coronado) convoca o viúvo da desaparecida (Hugo Silva) para ajudá-lo na solução do caso. A partir daí, tem início a desconstrução de um enorme quebra-cabeças onde cada personagem é uma peça essencial.

O diretor e roteirista Oriol Paulo é dono de um talento único no quesito manipulação do público. Em uma narrativa que surpreende a cada momento, Paulo manipula o espectador como se este fosse um boneco nas mãos de um ventríloquo, levando-o a repensar e reavaliar tudo aquilo que vê em cena. O fato de haver um quê de sobrenatural perpassando a história torna-a ainda mais intrigante.

É importante destacar que todos os elementos convergem para um bom filme. O elenco está afiadíssimo e entrega atuações de indiscutível qualidade. A edição consegue incorporar os saltos temporais e as várias perspectivas dos personagens envolvidos a um ritmo dinâmico; ao passo que a trilha sonora mostra-se discreta, mas pontual, aparecendo sempre na hora certa para criar tensão. Pela parte visual, a fotografia e a direção de arte atuam em sintonia na criação do necrotério, ambiente no qual se passa grande parte do longa. Nota-se que, mesmo nos momentos mais escuros, é possível visualizar o que ocorre em cena – ao contrário de muitos filmes que pecam nesse aspecto da iluminação em ambientes obscuros.

Não será surpresa se, daqui a algum tempo, um grande estúdio hollywoodiano anunciar um remake do filme de Oriol Paulo. É uma história que os americanos adorariam adaptar a seu bel-prazer. O motivo: não é sempre que se encontra um suspense que deixaria até o grande gênio Alfred Hitchcock boquiaberto.



Quem sou eu? Uma mistura de Walter Mitty com Forrest Gump. Um cara que tem vontade de fazer tudo o que Mark Renton fez em Trainspotting. Um cinéfilo que tem a certeza de que a vida não seria a mesma se não existisse o cinema. Diretor preferido? Assim fica difícil: amo de Zé do Caixão a Stanley Kubrick!