25
jul
2015
Crítica: “Magia ao Luar”
Categorias: Críticas • Postado por: Matheus Benjamin
Magia ao Luar
Magia ao Luar (Magic on the Moonlight)
Woody Allen, 2014
Roteiro: Woody Allen
Imagem Filmes

3.5

A premissa de Magia ao Luar é bastante interessante, mas fácil de se sacar onde isso vai dar. Infelizmente, a previsibilidade do longa não fica apenas na premissa e ele se desenrola de forma gostosa, interessante até, mas aquém do nome que o carrega por trás. Woody Allen sempre nos brinda com histórias maravilhosas, personagens cativantes de serem acompanhados, situações hilárias em meio a situações sérias (ou nem tão sérias assim); o fato é que o diretor consegue apresentar um certo requinte e um gosto bom a seus filmes, se é que entendem. Este último longa lançado também tem personagens bacanas e acompanháveis, mas um ritmo não muito fácil de se lidar.

Nos anos 30, Stanley (Colin Firth) é um cara extremamente cético que ora trabalha fazendo truques disfarçado de chinês, ora  descobrindo charlatões do mundo do misticismo. Ele é convidado por um amigo (Simon McBurney) a investigar a veracidade da mediunidade de Sophie (Emma Stone), uma jovem encantadora com suas excentricidades (um clichê de Allen que amamos) quando se está percebendo fatos do futuro (ou do passado) que está passando uns tempos com sua família e, possivelmente enganando todas as pessoas que a conhecem. A princípio ele tenta ao máximo desmacarar a garota bastante doce e delicada, mas aos poucos vai percebendo que ela pode, de certa forma, estar “sendo mágica” de verdade.

Sophie, logo de primeira, se encanta pela personalidade de Stanley e, mesmo estando noiva de Brice (Hamish Linklater) fica interessada em conhecer melhor o moço que acaba de conhecer. Depois de várias desventuras, do ceticismo incontrolável do personagem de Firth e de fatos importantes dentro da narrativa, os dois desenvolvem uma espécie de paixão, delicada e despretenciosa, mas uma paixão.

A principal falha deste filme, como já anteriormente mencionado, está em um roteiro sem grandes novidades. Bem desenvolvido, claro, mas com situações que vão caminhando para o óbvio e, nem mesmo sua excelente direção conseguem dar conta do que pode-se considerar o motivo de um filme estar sendo realizado. O que sempre se espera em um filme do senhor Woody é algo novo ao que já poderia estar batido. É o que vemos em filmes como Annie Hall (1979), Ponto Final (2005) e Meia Noite em Paris (2011).

É um filme visualmente muito bonito e deslumbrante, com uma trilha sonora lindíssima. Tem uma direção de arte impecável com cores bastante chamativas e tons amarelados, que deixam um gostinho a mais à época em que o filme é retratado. A riqueza de detalhes nos cenários é impressionante, assim como os figurinos que faz qualquer espectador amante dos velhos tempos (se é que essa loucura é compartilhada por mais gente) ficar ainda mais tentado a voltar ao passado e viver nesta época. As paisagens também são incríveis. Houve um trabalho bastante preciso e belo com a fotografia. Os enquadramentos são interessantes, principalmente os de sequência usados com frequência durante conversas ácidas e andantes de seus personagens.

O elenco, provavelmente escolhido a dedo, tem um carisma imenso. Desde os personagens menos influentes na trama aos protagonistas de Emma Stone e Colin Firth. A química entre os dois é um dos pontos fortes de um  longa sem pontos altos e a harmonia de suas histórias é interessante na tela. O espectador, apesar dos pesares, sente vontade de acompanhar estas histórias que se encontram. Eileen Atkins que interpreta tia Vanessa também é ótima e tem boas cenas com seu sobrinho Stanley. Marcia Gay Harden, como a senhora Baker e mãe de Sophie também tem uma atuação bacana. Hamish Linklater, que interpreta Brice é um dos personagens mais engraçados da trama tocando seu ukulele e morrendo de amores por Sophie. O ator também desempenha uma boa atuação, mas nada de mais.

Mesmo com o pequeno grande problema (do roteiro), Magia ao Luar não é de longe o melhor e, nem assim, o pior filme de seu criador, mas consegue fornecer um entretenimento relaxante e gratificante ao seu público, com grandes atuações e um visual de encher os olhos. É um filme leve, com algumas questões maiores e relevantes por trás em seu discurso e que vale a pena por isso. Para os mais criteriosos pode ser apenas um mais do mesmo com alguns enfeites, frufrus e etc. Para os fãs xiitas do diretor pode ser uma baita decepção!



Fã de Miyazaki, Aïnouz, Salles, Mendonça Filho, Von Trier, Thomas Anderson, Haneke e Bergman. Dirigi dois curta-metragens "A-Ma-La" e "Senhor Linux e sua Incrível Barba", ambos pela Pessoas na Van Preta.