12
jul
2015
Crítica: O Eterno “Cinema Paradiso”
Categorias: Críticas • Postado por: Lucas da Rocha
Cinema-Paradiso-Poster

Cinema Paradiso (Nuovo Cinema Paradiso)

Giuseppe Tornatore, 1988
Roteiro: Giuseppe Tornatore
Miramax Films

5

Dirigido por Giuseppe Tornatore, “Cinema Paradiso” é um tributo a sétima arte, clássico instantâneo que mostra como a experiência de ver filmes pode ser importante na vida das pessoas.

Em uma pequena cidade da Sicília na década de 50, o menino Toto (Salvatore Cascio) se vê apaixonado pela única sala de cinema da cidade, o “Cinema Paradiso”, então resolve se aproximar de Alfredo (Philippe Noiret), um projecionista rabugento, mas de enorme coração. Todos estes acontecimentos chegam em forma de lembrança quando Toto (Jacques Perrin) já adulto e com uma carreira de sucesso, recebe uma notícia que o faz revisitar a cidade em que cresceu.

Através do fascínio de Toto na infância pelas projeções de Alfredo, acompanhamos a relação entre os dois personagens em forma de flashback, ambos com personalidades totalmente diferentes, mas que tem na paixão pelo cinema um sentimento em comum.

A narrativa do longa é excepcional, conseguimos conhecer vários habitantes daquela cidade através das sessões no “Cinema Paradiso”, fica quase impossível não se identificar e não se emocionar com o fascínio de cada espectador pelos filmes que assistem juntos, como se Alfredo fosse um maestro dentro da sala de projeção, encantando cada pessoa de uma forma diferente.

Nada é exposto de forma didática no roteiro, vamos descobrindo aos poucos as camadas de cada personagem, criando assim uma ligação e uma curiosidade maior que permeia pelo filme todo. É incrível como o primeiro ato emociona e carrega uma carga otimista e divertida, a trilha sonora acompanha esse clima de descobrimento do protagonista pela sétima arte.

A transição para o segundo ato, agora com Toto crescido, é estabelecida em uma cena sútil e emocionante, ainda acompanhamos a cidade usufruindo do “Cinema Paradiso”, porém agora com Toto como maestro dentro da sala de projeção.

Além disso, em meio a esse ato, o filme ganha um tom mais romântico, uma história de amor das mais apaixonantes que o cinema já nos apresentou, de uma sinceridade impar, um amor tão puro quanto o de Toto pelo cinema, tudo o que vimos nas diferentes cenas de filmes clássicos exibidas durante o longa, se torna mais palpável, criando uma metalinguagem sútil e memorável.

O último ato do filme é envolvido com um tom melancólico, reflexivo e nostálgico, um reencontro ao passado, memórias que foram esquecidas são lembradas, fechando um ciclo de forma magistral. Com uma cena final arrebatadora, a trilha sonora de Ennio Morricone conduz os últimos três minutos do filme de uma maneira que se torna impossível segurar as lágrimas.

Clássico absoluto, vencedor de vários prêmios como Oscar e Globo de Ouro de melhor filme estrangeiro, além de concorrer a Palma de Ouro em Cannes, ao prêmio César e ao Bafta, “Cinema Paradiso” é um tesouro, obrigatório para todos que apreciam a sétima arte e o poder que o cinema pode ter na vida de cada um.

 



O cara que desconstrói os filmes e os guarda numa caixa.