07
jul
2015
Crítica: “O Exterminador do Futuro: Gênesis”
Categorias: Críticas • Postado por: Marcela Galvão
o-exterminador-do-futuro-genesis_t36732_ktkcKCX_jpg_290x478_upscale_q90

O Exterminador do Futuro: Gênesis (Terminator Genisys)

Alan Taylor, 2015
Roteiro: Laeta Kalogridis, Patrick Lussier
Paramount Pictures

1

Imagine o drama falho de “Terremoto – A Falha de San Andreas”,

Imagine as frases de efeito sem efeito de “Jurassic World“,

Imagine a explicação fadigante de “Interestelar“,

Imagine as lutas desnecessárias entre robôs de “Transformers”,

Imagine as quebras de leis da física de “Matrix”,

Imagine um filme que deveria ter parado na segunda sequência, e fim.

Já era esperado por todos os fans de Terminator que Genisys fosse um fracasso, mas ainda assim, nós estávamos esperançosos.

O filme é sustentado por muitos “what if”: O que aconteceria se, desta vez, houvesse uma viagem ao tempo anterior a que conhecemos, em que um T-800 é enviado, não para para matar Sarah Connor, mas sim para protegê-la do outro T-800 que tentaria matá-la? E se a Skynet tivesse compreendido que John Connor, independente no espaço-tempo em que ele se encontra, é o problema?

Genisys usa como guia os dois primeiros filmes da série, mas descarta de forma brusca os outros dois: Exterminador do Futuro 3 – A Rebelião das Máquinas e  O Exterminador do Futuro: A Salvação.

Em 2029, John Connor lidera uma rebelião contra a Skynet, e esta, para contra-atacar, utiliza um  Exterminador (Arnold Schwarzenegger mais jovem) enviado para 1984, para que ele mate Sarah Connor antes de John nascer. Kyle Reese, braço direito de Connor, vai logo depois para este mesmo ano na tentativa de proteger Sarah. Mas ao chegar em 1984 ( e esta “regravação” da cena do primeiro filme, foi um dos pontos mais altos deste – tecnicamente falando), Reese encontra uma Sarah totalmente preparada para esta guerra, criada desde pequena por outro Exterminador ( Arnold velho), que, por sua vez, foi enviado para protegê-la quando pequena de outro exterminador que tentou matá-la.  Mas quem enviou esse Exterminador para protegê-la e como ele sabia do assassinato de Sarah Connor? E se John Connor viajou pra 2014 e ajudou a fundar uma super industria tecnologia da qual nasceria uma criança Skynet (sim, uma criança Skynet, rísivel), quando que ele exatamente se infiltrou no passado e COMO, tendo ele se tornado um robô, viajou ao passado? Pera, e se o Kyle Reese criança ta sendo treinado pelo próprio Kyne Reese, significa que o filme quer passar a ideia de que a história está sendo repetida num loop infinito? Gente, mas e o Arnold velho?!

Eu sempre fui uma pessoa muito flexível quando trata-se de filmes. Gosto de American Pie, Garotas Malvadas, Busca Implacável e até de um Velozes e Furiosos. Eu gosto de 3D e de risadas fáceis. Eu supus que, mesmo se eu não gostasse de “O Exterminador do Futuro: Gênesis”, pelo menos a ação e comédia de brucutu iria me agradar, mas desta vez, nem isso. Pela primeira vez em muito tempo, nem a ação gratuita me agradou. E isto se deve uma sequencia de erros causados por um roteiro pretensioso, porém, preguiçoso, que busca sustentar-se com relações insustentáveis e inconvincentes – como a relação de Sarah com T-800 ou até mesmo o triângulo amoroso de ciúmes dos três. Inconvincente ainda foram todas as miseráveis tentativas de humor postas no filme, em que a idade do eterno Mr. Universo é o foco e, pasmem, exterminadores sendo atraídos magneticamente por uma máquina de ressonância à la Looney Tunes. De  novo: transformar Arnold no principal alívio cômico do filme, John Connor como antagonista, e apoiar todo o peso na história no descartável Jai Courtney, é muita audácia. Não vou nem reclamar de Emilia Clarke, pois esta ainda assim tenta construir uma Sarah Connor com o que pode do roteiro (e meus parabéns à moça pela transformação física), nem de JK Simmons, que faz uma pequena ponta – desnecessária –  no filme.

Genisys utiliza tudo o que há de melhor no CGI de hoje, mas objetiva um filme complexo e inovador cujo qual não é alcançado. Meu 1,5 aqui vai pela excelente técnica que restaurou o Arnold em 1984. Parabéns ao supervisor de efeitos especiais, Sheldon Stopsack, e aos demais envolvidos na produção.



Fã de Nolan, Kevin Smith e Von Trier. Chora em “Toy Story”, assiste Grease toda vez que está passando na televisão e tem pavor de filmes com animais falantes. Torce pra a dominação alien sobre a Terra.É cinéfila e nas horas vagas, estudante de direito.