05
jul
2015
Especial: O humor non-sense de Monty Python no Cinema!
Categorias: Especiais • Postado por: Lucas da Rocha

Em 1975 foi lançado “Monty Python – Em Busca do Cálice Sagrado”, obra que consolidou o grupo britânico “Monty Python” no cinema.

Sucesso com a série de comédia “Monty Python’s – Flying Circus” (1969 – 1974), os integrantes Eric Idle, Graham Chapman, John Cleese, Michael Palin e Terry Jones, responsáveis pelas esquetes de humor non sense do programa de TV, protagonizam uma das obras primas de comédia na história do cinema, e que hoje se tornou um clássico cultuado!

Monty Python – Em Busca do Cálice Sagrado (1975)

Mas esse não é o primeiro filme que o grupo Monty Python lançou em sua carreira, em 1971, uma coletânea de refilmagens de algumas esquetes da primeira e segunda temporada de Flying Circus, deram o formato para “E Agora Para Algo Completamente Diferente“, primeiro filme oficial do grupo!

Já famosos na Inglaterra, visavam com esse filme alcançar o público americano que não era acostumado com o estilo de humor britânico, o filme surpreendentemente teve boa recepção nos Estados Unidos, diferente do Reino Unido, onde não fez tanto sucesso por não apresentar nada de novo, foi a forma que conseguiram de alcançar uma fama mundial que fez tanto os próximos filmes, como o próprio programa de TV chegar a mais países de outros continentes.

Cena do filme “E Agora Para Algo Completamente Diferente” (1971)

Após o lançamento de “E Agora Para Algo Completamente Diferente”, em 1974 chegava aos cinemas o insano “Monty Python – Em Busca do Cálice Sagrado”, escrito e dirigido por Terry Gilliam e Terry Jones, que juntos aos outros integrantes do grupo, realizam uma espécie de paródia da história de Rei Arthur. No filme, Rei Arthur (Interpretado brilhantemente por Graham Chapman) parte numa jornada em busca de pessoas para integrar o grupo de Cavaleiros da Távola Redonda. Quando consegue formá-lo, recebe a missão divina de encontrarem o cálice sagrado em algum local do reino britânico.

Luta entre Arthur e o Cavaleiro Negro

O texto de Gilliam e Jones carrega diálogos e situações inteligentes, onde o cômico se encontra com o absurdo, tão bem trabalhado que acaba criando uma mistura que funciona de forma surpreendente, deixando o filme com uma identidade única.

Carregado de cenas icônicas como a sequência dos “Cavaleiros que dizem NI” ou o confronto de Arthur e o Cavaleiro Negro, fez do filme um sucesso, que é cultuado até hoje e se tornou um clássico.

Interessante dizer que em 1999, o filme sofreu uma censura por meio dos próprios integrantes do grupo, pois na época, durante a remasterização para ser lançado em DVD, todo o capitulo de Sir Galahad no castelo de Antraz foi alterado com o elenco visivelmente envelhecido, na cena original, havia um conteúdo sexual explicito e mulheres totalmente nuas, que foram trocadas por mulheres em trajes bem mais comportados, a trupe usou da situação para inserir uma metalinguagem, alegando na própria cena do filme que a nova versão era muito melhor.

Cena censurada em 1999. Sir Galahad no castelo de Antraz.

Em 1979, foi lançado o também clássico  “A Vida de Brian”, terceiro filme dos Monty Python, dessa vez com uma história linear, um pouco menos non sense que “Em Busca do Cálice Sagrado”, mas ainda sim muito peculiar.

No filme, acompanhamos o nascimento de um garoto no primeiro natal da história, sim, Brian nasceu no mesmo dia que Jesus Cristo, não bastasse isso, foi no estábulo ao lado, tamanha coincidência rende a hilária cena de abertura onde os três reis magos confundem Brian com Jesus, dando desde já a tônica que o filme irá seguir, desde então acompanhamos Brian já crescido e confundido com o Messias, após se passar por um pregador de palavras enquanto fugia da guarda romana.

O longa pode ser considerado controverso por muitas pessoas, já que é considerado uma sátira à época de Jesus Cristo e a forma com que a religião influência a vida das pessoas, “A Vida de Brian” foi barrado em muitos países, mas agradou muito a critica e a parte do público que comprou a ideia na época em que foi lançado, hoje bem mais cultuado pelos cinéfilos que independente da religião, conseguem enxergar a genialidade do roteiro, que não se limita apenas a criticar as religiões, mas a sociedade como um todo, sempre regado com um humor ácido, horas sutil, horas escrachado.

Graham Chapman da vida a Brian, e todo o restante do elenco volta a atuar no filme, como de praxe, com cada ator interpretando diversos papeis durante o longa, engraçado analisar como que no universo do Monty Python isso funciona, se torna algo aceitável e contribui positivamente para a obra como um todo, a deixa mais divertida e exige muito de cada participante.

Cheio de metáforas e com piadas inteligentes, “A Vida de Brian” é espetacular, o filme não datou e provavelmente poderá ser assistido por muitas gerações.

O último filme oficial do grupo foi lançado em 1983, “Monty Python – O Sentido da Vida” volta ao formato de esquetes de “Flying Circus”,  divido em sete partes que trazem questionamentos sobre a vida, desde o nascimento até a morte.

O filme não chega a uma resposta concreta sobre qual o sentido da vida, mas aborda várias facetas do cotidiano, regado da comédia já estabilizada do grupo, além de demonstrar como o ser humano é algo quase irrelevante comparado ao tamanho do universo.

Voltando ao clima non sense e com números musicais sensacionais, algumas das esquetes são excelentes, outras boas e outras regulares, não há um padrão de qualidade em comum, o que acaba deixando o filme com alguns altos e baixos. Em compensação, até nas esquetes mais regulares, a filosofia é passada de forma coerente e bem feita, criando nelas o fio que não deixa as esquetes totalmente aleatórias durante o longa, dando um senso comum em todas elas.

Por mais que não seja o melhor filme dos Python, ainda sim vale muito a pena ser assistido, há vários momentos ótimos e o clima de humor deles permeia pelo filme todo, destaque para as cenas de O MILAGRE DO NASCIMENTO (PARTE I) e “O MILAGRE DO NASCIMENTO (PARTE II), na minha opinião, as duas melhores partes do filme, onde a crítica e o humor conversam melhor!

Foi o único longa dentre os 4 que concorreu a premiações, rendendo até indicação a Palma de Ouro.

Essas são as obras que levaram o humor non sense dos Monty Python para o cinema, depois do fim do grupo, alguns dos membros continuaram a produzir conteúdo, principalmente Terry Gilliam que acabou dirigindo alguns filmes bem sucedidos como “Os 12 Macacos”, “O Teorema Zero”, “O Mundo Imaginário do Dr. Parnassus”, entre vários outros.

Algumas das esquetes, apresentações ao vivo e cenas mais famosas dos filmes estão no Canal oficial do Monty Python no Youtube, vale a pena dar uma conferida!



O cara que desconstrói os filmes e os guarda numa caixa.