04
ago
2015
Crítica: “Beleza Adormecida”
Categorias: Críticas • Postado por: Marcelo Silva

Beleza Adormecida (Sleeping Beauty)

Julia Leigh, 2011
Roteiro: Julia Leigh
Screen Australia & Magic Films

1.5

Nem sempre uma boa ideia é sinônimo de um bom filme. O motivo disso é que qualquer enredo pode ser arruinado, seja por direção incompetente, seja por elenco pífio. No caso de Beleza Adormecida (o título faz uma referência óbvia à clássica história Bela Adormecida), ocorrem os dois problemas. A premissa de uma jovem solitária que preenche o seu vazio emocional com sexo e aceita fazer parte de um serviço nada comum é deveras interessante, levando o espectador a pensar que encontrará uma trama cheia de profundidade e dilemas morais (como o excelente Shame, de Steve McQueen). Mas isso está longe de ser verdade.

Lucy (Emily Browning) é uma jovem universitária que vive precisando de dinheiro. Para isso, divide o apartamento com outras duas pessoas e possui uma série de pequenos empregos. Através de um anúncio de jornal, entra em contato com uma inusitada agência, que a contrata para prestar um trabalho estranho, no qual ela dorme e depois acorda sem saber o que foi feito com o seu corpo neste intervalo de tempo.

Julia Leigh, diretora e roteirista, conduz o filme com mão pesada, não sabendo ditar o menor ritmo ou dinamismo. As cenas não fluem, elas arrastam-se em um verdadeiro exercício de paciência, o que piora quando o roteiro tenta parecer sofisticado e intelectualmente complexo ao trazer um senhor recitando da maneira mais artificial possível uma espécie de fábula que, supostamente, casa com o desfecho.

No que concerne ao elenco, Emily Browning mostra ser apenas um rostinho bonito. Tendo seu corpo e seus mamilos pouco salientes explorados incessantemente pela câmera de Leigh, a atriz exibe expressões mínimas e impossibilita que o espectador crie algum tipo de vínculo com a arrogante Lucy. Os momentos desta com Birdmann, uma espécie de amigo vivido de maneira amadora por Ewen Leslie, são risíveis e desprovidos de valor, já que a relação entre ambos é inexplicavelmente não explorada, resumindo-se a um ou outro diálogo descartável.

Desse modo, reitera-se a afirmação inicial: nem toda boa ideia gera um resultado satisfatório. Beleza Adormecida é a grande prova disso; uma produção boba, frágil e vazia. Não seria surpresa se, ao subir dos créditos finais, o espectador, assim como a beleza do título, encontre-se adormecido. E, nesse caso, o sono compensa mais, muito mais.



Quem sou eu? Uma mistura de Walter Mitty com Forrest Gump. Um cara que tem vontade de fazer tudo o que Mark Renton fez em Trainspotting. Um cinéfilo que tem a certeza de que a vida não seria a mesma se não existisse o cinema. Diretor preferido? Assim fica difícil: amo de Zé do Caixão a Stanley Kubrick!