25
ago
2015
Crítica: “Mortdecai – A Arte da Trapaça”
Categorias: Críticas • Postado por: Convidado Especial
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Mortdecai – A Arte da Trapaça

David Koepp, 2015
Roteiro: Eric Aronson
Lionsgate

2

A união de atores tão ilustres como Johnny Depp, Gwyneth Paltrow e Ewan McGregor não poderia resultar em tragédia, não é mesmo? Pois não é essa a conclusão que se tira ao terminar de assistir a Mortdecai. Com cenas que se arrastam, personagens que não cativam e humor que não diverte, o filme de David Koepp possui tantos problemas que faz o espectador desejar não ter perdido seu tempo com o longa.

Charles Mortdecai (Johnny Depp) é um negociador de obras de arte que se encontra em uma crise financeira. Sabendo disso, o inspetor Alastair Martland (Ewan MgGregor) lhe faz uma proposta: em troca de ter sua dívida de 8 milhões de libras perdoada pelo governo, Mortdecai deverá ajudá-lo a investigar o assassinato de uma restauradora de quadros e o paradeiro de seu trabalho inacabado, uma tela raríssima do pintor Goya.

Além da trama principal, o enredo possui outros conflitos menores que se desenvolvem durante o filme. Um deles é uma espécie de triângulo amoroso entre Mortdecai, sua esposa Johanna (Gwyneth Paltrow) e o Inspetor Martland. Enquanto o primeiro tenta impressionar sua mulher o tempo todo, o último faz papel de bobo ao tentar conquistar a moça. A química entre os atores, superficial e sem graça, não cativa. Johnny Depp encara mais um de seus papéis esquisitos e extravagantes – mas, dessa vez, não convence. Gwyneth Paltrow e Ewan McGregor, em personagens já ruins, se empenham na atuação para torná-los ainda piores.

As piadinhas, é claro, são um caso à parte. Tentativas falhas de humor são inseridas em cenas inoportunas e servem mais para entediar o espectador do que para entretê-lo. Até mesmo em trechos importantes, que naturalmente se desenvolvem com mais seriedade, Mortdecai age com sua habitual despreocupação e humor apelativo, fazendo com que o filme se arraste ainda mais.

Em todo o seu conjunto, Mortdecai se encaixa perfeitamente no perfil de filmes que estão condenados ao esquecimento. Falho em diversos aspectos, o longa atinge seu objetivo com maestria – caso esse seja o de entediar espectadores e sujar a filmografia de atores consagrados.

Autora do texto: Heloisa Keiko, ex-colaboradora do Pipoca Radioativa.



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