23
ago
2015
Crítica: “Quarteto Fantástico”
Categorias: Críticas • Postado por: Maisa Carvalho
Quarteto Fantástico (Fantastic Four)
Josh Trank, 2015
Roteiro: Jeremy Slater, Simon Kinberg e Josh Trank
20th Century Fox

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O Quarteto Fantástico ou o fiasco do gênero de Super-Heróis atual foi um filme que decepcionou em inúmeras questões. Não só os roteiristas (três pessoas, veja bem) pecaram no desenvolvimento, ou melhor dizendo, na falta total de desenvolvimento das personagens, como também na falta de desenvolvimento da história.

O Quarteto Fantástico é um história bastante conhecida, mesmo não sendo a favorita (baseada em quadrinhos) de quase ninguém. Jovens que ganham superpoderes e os usam para lutar contra seus inimigos e defender a cidade de Nova York, inclusive foi dentro de um volume de O Quarteto Fantástico que apareceu um personagem muito mais adorado, o Homem-Aranha, em 1962.

Começando pela história: O jovem gênio Reed Richards, juntamente com seu amigo, Ben Grimm, cria uma máquina incrível que possibilita a passagem de matéria de um lugar para qualquer outro, uma espécie de teletransportador, no qual ele vinha trabalhando desde a infância. Richards é recrutado para trabalhar para Frank Storm, um agente do governo com muitos recursos e etc. O filme vai passando, eles vão desenvolvendo a máquina, se passam 45 minutos (de 1h33, no total) e aí acontece o “grande evento”, os quatro jovens; Reed Richards, Ben Grimm, Sue Storm e Johnny Storm (filhos de Frank Storm); que deveriam ser o foco principal da história, são teletransportados na máquina criada por Richards, para um outro mundo. A partir desses eventos os jovens sofrem a transformação de jovens comuns para superpoderosos.

Desconsiderando que tudo isso acontece depois de a maioria do filme já ter se passado, o espectador pensa que a ação vai começar e finalmente, o filme vai se desenvolver. Um erro honesto. Mesmo depois de ganhados os poderes, a história continua naquela enrolação chata e entediante de que nada acontece. É isso, nada acontece, 1h33min de absolutamente nada. O clímax do filme se dá em menos de 7 minutos, imaginem só! E além de ser muito rápido e mal desenvolvido, esse clímax já vem junto com o fechamento da história, que dá a entender a total possibilidade de um segundo filme. A esperança fica para que os produtores, roteiristas e diretor, não sigam adiante com esse projeto fracassado.

É quase impossível ter qualquer tipo de sentimento, que não seja tédio, em relação às personagens. Desde Richards, um jovem muito inteligente e bastante cativante até Johnny Storm, um jovem de muita personalidade, playboy, engraçado e que trava briguinhas bestas com Peter Parker em um volume ou outro de O Espetacular Homem-Aranha. As personagens foram basicamente destruídas. Não têm personalidade alguma, e pensando bem, a peculiaridade mais interessante de personagens de histórias em quadrinho são suas personalidades, características; o filme com certeza, não faz jus à nada disso.

Miles Teller que consegue ser tão incrível em Whiplash está sem nada para oferecer com sua atuação; Kate Mara, maravilhosa como Zoey Barnes em House of Cards, está completamente apagada, Michael B. Jordan (conhecido por quem vos escreve apenas por That Awkward Moment), que interpreta o personagem mais engraçado e espirituoso, está sem graça; Jamie Bell, que interpretada Ben Grimm está só ok, nada demais. Essas são as quatro principais, mas todas as interpretações estão apáticas e sem graça alguma.

Além de uma direção com muitas falhas, um roteiro completamente sem desenvolvimento ou cuidado algum, atuações sem qualidade, a fotografia não traz nada de novo e os efeitos são bem ruins comparados ao que se pode ser feito em filmes do gênero. Um ponto positivo? A trilha sonora não foi horrível, não chega a ser um destaque, mas estava decente.



Não gosto da palavra “cinéfila”, então digo que apenas que amo assistir filmes, principalmente se tiver o DiCaprio ou Keira Knightley. Sou apaixonada pelo Scorsese, Wes Anderson, Sofia Coppola, Woody Allen, Cameron Crowe e John Hughes. Adoro os filmes que misturam comédia com drama e não curto o preconceito com os filmes nacionais. Estudo jornalismo e caí de paraquedas neste site, com a Força ao meu lado, espero não decepcioná-los.