02
set
2015
Crítica: “A Partida”
Categorias: Críticas • Postado por: Lucas da Rocha
a partida

A Partida (Okuribito)

Yojiro Takita, 2008
Roteiro: Kundo Koyama
Paris Filmes

4

Longa vencedor do Oscar de melhor filme estrangeiro em 2009, encanta pela simplicidade e mostra que o cinema japonês merece cada vez mais a nossa atenção.

“A Partida” (Okuribito) conta a história de Daigo Kobayashi, um jovem casado que acabou de ser dispensado da orquestra na qual ele tocava violoncelo, sem muitas opções, Daigo, junto a sua esposa, resolvem voltar para sua cidade natal para tentar recomeçar a vida. Lá, ele encontra uma vaga de emprego imediato como uma espécie de coveiro especial responsável pela cerimônia de lavagem e vestimenta dos mortos antes que suas almas caminhem para o outro mundo. Visto com muito preconceito pela sociedade japonesa, acompanhamos o protagonista nesse dilema de lidar com o novo emprego, escondendo de seus parentes sua real função.

O filme é carregado de momentos introspectivos, a relação do personagem principal consigo mesmo é muito bem explorada e identificável, durante seu novo emprego, ele começa a questionar e lidar com o ritual do falecimento de uma forma diferente, começa a enxergar as coisas de outras maneiras, tudo isso é perceptível naturalmente, sem algum diálogo ou cena pra ilustrar, a simples relação dele com as pessoas ao redor e com o trabalho muda, isso funciona muito bem na narrativa, pois mesmo o filme sendo extremamente emotivo, é carregado de um humor negro sútil e engenhoso.

A pitada de comédia do longa é um de seus maiores acertos, com inserções certeiras de humor em situações inusitadas, acaba quebrando o tom de melancolia que poderia se estabelecer durante todo o longa, o filme se torna menos fúnebre, muito disso se deve também a ótima atuação de Masahiro Motoki (Daigo), ele consegue transparecer toda a situação em que o personagem esta envolvido de uma forma cativante!

Tecnicamente o filme é lindo, com uma fotografia interessante, ressaltando paisagens simples do interior do Japão, dando valor a cenários no qual não estamos acostumados a ver nos filmes orientais, harmonizando com a maravilhosa trilha sonora de Joe Hisaishi.

Aliás, a música nesse filme é essencial, pois ela tem um ar otimista e inspirador, toda a a filosofia que o filme passa é potencializada com a trilha sonora, que além de compor as cenas, tem total importância no roteiro, já que a música tema do filme é quase toda reproduzida no violoncelo pelo próprio protagonista.

“A Partida” é um dos tesourinhos que tive oportunidade de conhecer esse ano, um filme simples, porém muito bem executado, me fez buscar mais filmes orientais em live action, no quais pretendo publicar analises em breve, além de despertar minha curiosidade pela cultura japonesa. O único ponto fraco que enxergo no filme é o ritmo do terceiro ato, acaba ficando um pouco arrastado comparado as outros dois atos, mas nada que estrague o longa.

Diferente de muitos filmes estrangeiros, “A Partida” é um filme relativamente fácil de ser encontrado, devido a sua distribuição no Brasil quando venceu do Oscar de Melhor filme estrangeiro em 2009, além de ter sido lançado em Home Vídeo, vale muito a pena conferir!



O cara que desconstrói os filmes e os guarda numa caixa.