10
set
2015
Especial: O Legado dos Cinemas de Rua
Categorias: Especiais • Postado por: Lucas da Rocha

O cinema tem a capacidade de provocar emoções em seus espectadores de uma forma inacreditável, como amante da sétima arte, acompanho e estudo cinema há muitos anos, mas o que mais me encantou desde o começo foi perceber como uma sessão de cinema pode fazer de um simples passatempo uma experiência memorável na vida das pessoas.

Nunca tive oportunidade de conhecer um cinema de rua, quando comecei a frequentar as salas de cinema, os multiplex de shopping já haviam polarizado a indústria, os cinemas de rua já haviam virado igrejas ou lojas de varejo, só me sobrou pesquisar e ver como esses cinemas envolviam as pessoas de uma forma única.

Os cinemas de rua tinham um charme peculiar, por não ter um espaço limitado como nos shoppings, as salas tinham cerca de 1000 a 1500 poltronas, as fachadas costumavam conter o minimo de informação possível sobre os filmes, apenas o título e o poster (Muitas vezes pintado a mão), despertando assim a curiosidade do público que mal tinha acesso a trailers naquela época, muitas salas não tinham controle de lotação, pessoas sentadas na escada era algo recorrente, assistir um grande blockbuster de pé era comum, por mais estranho que isso possa parecer hoje, tornava tudo mais enaltecedor.

Cada sessão continha uma mágica que raramente temos hoje, um filme que possa até ser considerado banal, dentro de um cinema de rua ganha outra forma, hoje quando vamos ao cinema, raramente carregamos a mesma emoção e empolgação, quando estamos ansiosos para um filme, já sabemos muita coisa sobre ele, somos carregados de informações todos os dias, e isso é muito bom, mas as vezes todo esse marketing acaba quebrando muito da experiência.

Ver um poster numa fachada na rua, um letreiro com nome do filme, diretor, horários e tudo mais, passa uma sensação de que a cultura esta espalhada na rua, na cidade, que esta mais acessível e mais natural, que não te obriga a estacionar num shopping, percorrer lojas para chegar ao espaço limitado que um multiplex tem hoje em dia, já tive experiências memoráveis dentro de salas multiplex, mas muito pelo público ou pela sessão em especial, mas independente de onde ou como, ver um filme no cinema transcende qualquer experiência de assistir um filme em casa.


De qualquer forma, os cinemas de rua foram responsáveis por criar cinéfilos de forma natural, muitas pessoas passaram a amar cinema após participar de uma sessão esplendorosa, isso acabou virando uma corrente e foi passando de geração para geração, como é mostrado no clássico “Cinema Paradiso” (confira crítica do filme aqui), filme italiano que é uma grande homenagem aos cinemas de rua, ao cinema como arte, mostrando como uma cidade inteira compartilhava da mesma emoção quando um filme começava, como um simples espectador pode mudar sua vida para sempre e influenciar novas gerações através da arte, e como a ausência de cultura pode fazer falta no cotidiano de uma cidade.


Para vocês que como eu, sentiram essa vontade de ter ao menos um pouco dessa experiência, trago ótimas notícias, ainda há algumas opções de cinemas de rua incríveis para se visitar, principalmente se você mora em alguma capital, caso seja do interior (como eu), não deixe de procurar na sua próxima viagem, confiram aqui alguns cinemas alternativos que encontrei após algumas pesquisas:

Caixa Belas Artes – São Paulo. Site: Clique Aqui
Situado na R. da Consolação, 2423 – Consolação, São Paulo – SP, o famoso “Cine Belas Artes” é um patrimônio histórico e cultural de SP que ainda se mantem vivo, com uma programação de filmes de arte e alternativos, atraí uma multidão de cinéfilos toda semana, dividido em 5 salas, foi reformado a poucos anos e vale muito a pena a visita.

Fachada atual do “Caixa Belas Artes” em São Paulo – SP.

“Caixa Belas Artes” – Área interna.


Espaço Itaú Cultural de Cinema – R. Augusta, 1475 – Cerqueira César, São Paulo – SP. Site:
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Além de uma programação alternativa, grandes blockbusters chegam ao “Espaço Itaú”, o preço é um pouco mais salgado do que o normal, mas é compensado pelo conforto e a variedade de opções, muitas cópias raras chegam a esse cinema, como por exemplo animações legendadas.

Fachada atual do “Espaço Itaú de Cinema” em São Paulo – SP.

Hall do “Espaço Itaú de Cinema” em São Paulo – SP.

Cine Roxy –  Av. Nossa Sra. de Copacabana, 945 – Copacabana, Rio de Janeiro – RJ. Site: Clique Aqui
Com poucas salas, o Cine Roxy carrega uma nostalgia que pouco se encontra hoje um dia, além disso, tanto filmes de arte como filmes blockbusters tem espaço no Cine Roxy, além de ter uma das fachadas mais lindas dos cinemas de rua que ainda continuam de pé.

Fachada “Cine Roxy” – Rio de Janeiro – RJ.


Cine Marabá/Playarte – Avenida Ipiranga, 757. São Paulo – SP. 
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Reformado pela rede Playarte, essa opção se torna interessante por misturar o charme de um cinema de rua com as novas tecnologias de exibição, antes o Cine Marabá era uma grande e enorme sala, após a reforma, a enorme sala se tornou 5 salas menores onde é exibido filmes de circuito comercial.

Fachada “Cine Marabá/Playarte” – São Paulo – SP.

Cine Drive-in – Área Especial do Autódromo – Centro Desportivo Presidente Médice – Asa Norte, Brasília – DF. Site: Clique Aqui
Sabe aqueles cinemas que aparecem nos filmes onde estacionam um carro e o longa é exibido ao ar livre? Você pode ter exatamente a mesma experiência em Brasília, o “Cine Drive-in” é de longe o cinema que mais tenho vontade de conhecer, além de barato, ele é o ultimo cinema desse modelo no país, e você pode ver dois filmes pelo preço de um ingresso.

Outdoor do “Cine Drive-in” em Brasília – DF.

Essa foi uma postagem que escrevi com muito carinho, carregado de uma nostalgia que infelizmente não vivi, mas que acho importante manter viva na história para poder compartilhar com as novas gerações, espero que esses cinemas de rua que ainda estão na ativa continuem por muito tempo funcionando. E que surjam mais cinemas de rua para espalhar essa experiência para as pessoas, quem sabe esse tipo de cinema não volte a moda como os discos estão voltando, não é?



O cara que desconstrói os filmes e os guarda numa caixa.