18
set
2015
Crítica: “Narcos” (1ª Temporada)
Categorias: Séries de TV • Postado por: Maisa Carvalho

O foco deste texto será a série Narcos (Netflix, 2015), lançada no dia 28 de agosto deste ano, que gerou muitos comentários por toda a internet e adicionou mais um sucesso para a grande lista de grandes produções originais Netflix desde 2013. Mas é importante que o leitor tenha uma contextualização, não só para o enriquecimento do texto, mas para melhor avaliar as séries atualmente.

Há algum tempo o mercado das séries vem crescendo e se desenvolvendo cada vez mais. Não só com o aparecimento de novas séries, o mercado está se preocupando, finalmente, também com as qualidades técnicas das produções. Qualidades estas, que independem de enredo ou histórias. São poucas séries anteriores a 2013 que podem ser consideradas produções incríveis. Talvez seja a demanda que tenha ficado mais exigente ou a concorrência da televisão com o serviço de streaming como Netflix, que começou suas produções originais em 2013. O fato é que o mercado está sim, ganhando mais qualidade e quem se se beneficia disso, são os apreciadores de séries.

As séries Game of Thrones (David Benioff e D. B. Weiss, 2010), Breaking Bad (Vince Gilligan, 2008), Mad Men (Matthew Weiner, 2007) e produções pequenas de mini-séries da BBC, por exemplo, são pioneiros nessa nova era de produções cuja qualidade técnica e estética são indiscutíveis. Independente de gosto, as séries acima citadas são de extrema qualidade. Têm bom elenco, boa produção, roteiro, trilha sonora e até mesmo, a fotografia.

Em 2013, as produções originais Netflix, principalmente com House of Cards (Netflix, 2013), começaram a trazer um novo tipo de série para o mercado, o que antes eram exceções, desde então estão virando produções cada vez mais comuns. A própria Netflix começou novas produções que além de muito bem criticadas mantém seu padrão sempre no nível mais alto que até agora, as séries já chegaram. House of Cards (2013), Better Call Saul (2015), The Fall (2013), Daredevil (essa em parceria com a Marvel, 2015) e Narcos (2015), são algumas das produções originais que mostram que é possível fazer séries com qualidade de cinema.

PS: As produções originais que não foram citadas no parágrafo acima, somente não o foram por não terem sido assistidas por quem escreve o post. Se tivessem sido citadas em avaliação de qualidade sem terem sido assistidas, a qualidade do texto seria duvidosa. Afinal, não se fala do que não se conhece.

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A série Narcos, cuja produção envolve estadunidenses, colombianos e brasileiros, consegue ser talvez, junto com Daredevil, a melhor série original Netflix até o momento (é claro, falando em comparação com as que foram assistidas por quem vos escreve).

Com apenas 10 episódios em sua primeira temporada, Narcos conta a história do traficante Pablo Escobar, conhecido mundialmente pelo tráfico de cocaína e os sequestros à grandes jornalistas nos anos 90, acontecimento este, que virou um livro do ganhador do Prêmio Nobel, Gabriel Garcia Marquez, com o título Notícia de Um Sequestro (editora record, 1995).

Além de acompanhar de perto a história de Escobar, a série mostra por dentro as operações feitas em parceria do governo colombiano com agentes e o serviço de inteligência dos EUA. A história é narrada em primeira pessoa pelo detetive Steve Murphy, mas o espectador não é limitado apenas com os acontecimentos que ocorrem ao redor do personagem, mesmo sendo narrada por ele, a série mostra com detalhes o que acontecia por dentro das operações do maior traficante da história.

A construção e narrativa da história, serão bastante familiares para quem assistiu Tropa de Elite (José Padilha, 2007). Quem gostou do famoso filme brasileiro que ganhou reconhecimento internacional, vai sem dúvida alguma, gostar da série. A criação foi inteiramente estadunidense, de Chris Brancato, Doug Miro, Carlo Bernard e Annab Kahn; mas a produção conta com grandes nomes como o próprio José Padilha, que além de produzir a temporada inteira, dirigiu os dois primeiros episódios. Além de Padilha, outro diretor brasileiro que participa da direção de alguns episódios, é Fernando Coimbra (O Lobo atrás da Porta, 2013). De 10 episódios da primeira temporada, metade deles são de direção brasileira, o que não é pouca coisa, não.

O elenco é uma mistura de poucos brasileiros, alguns estadunidenses e muitos colombianos ou latinos em geral. Os destaques, vai com certeza, para Wagner Moura, como Pablo Escobar. O baiano fez um trabalho incrível que lhe trará maior reconhecimento internacional, sem dúvida (e deixem o espanhol do cara em paz, ele fala direito e cumpre seu dever, seria quase impossível ele falar como um colombiano nativo).

Outros destaques são os atores Boyd Holbrook (Steve Murphy), que não só faz uma bela narrativa durante os episódios, mas interpreta muito bem um detetive que tenta ao máximo e se frustra muito diante daquilo que consegue fazer para prender Pablo Escobar; Pedro Pascal (Game of Thrones), o detetive Javier Penã, parceiro de Murphy e Maurice Compte, que interpreta o comandante Castillo, encarregado das operações internas da polícia colombiana para prender Escobar e qualquer um de sua equipe.

Em entrevista à um programa matinal da NBC, Boyd Holbrook disse que acompanhou de perto o treinamento de oficiais do governo dos EUA e teve muitas conversas e dicas do próprio Steve Murphy durante muitos meses em sua preparação para o personagem. Com certeza esse estudo não foi limitado a apenas um ator. Todo o elenco está de parabéns, esse tipo de esforço é visível pela qualidade da atuação.

O roteiro da série, escrito quase inteiramente por seus criadores, às vezes em conjunto, às vezes não. É bem redondo e não tem nada solto ou jogado, é muito bem construído. Como já foi citado, a produção é incrível, e outras tecnicalidades como figurino e cenografia (características mais valorizadas no cinema), são também, muito bem pensadas. Além, é claro, de uma bela fotografia.

Depois de dez episódios devorados de uma série incrível, fica só a angústia de esperar até 2016 pela segunda temporada, que se for como a primeira, tem tudo para colocar a série na lista de melhores séries até o momento. Fica aqui, no último parágrafo deste longo (sim, desculpem-me) texto um aviso para que o leitor, se for assistir ou se estiver assistindo à série, preste atenção na última fala do detetive Murphy, porque guess what, motherfuckers? Foi sensacional. Até a próxima temporada!



Não gosto da palavra “cinéfila”, então digo que apenas que amo assistir filmes, principalmente se tiver o DiCaprio ou Keira Knightley. Sou apaixonada pelo Scorsese, Wes Anderson, Sofia Coppola, Woody Allen, Cameron Crowe e John Hughes. Adoro os filmes que misturam comédia com drama e não curto o preconceito com os filmes nacionais. Estudo jornalismo e caí de paraquedas neste site, com a Força ao meu lado, espero não decepcioná-los.