16
out
2015
Quadrinho (e filme futuro): Batman – A Piada Mortal!
Categorias: Livro e Filme • Postado por: Matheus Benjamin

No ano de 2015 anunciou-se mais uma adaptação dos quadrinhos para as telonas. Batman – A Piada Mortal (Batman – The Killing Joke. DC Comics, 1988) foi confirmado como um filme de animação previsto para ser lançado em 2016. O que nos resta é aguardar para saber como vai ser essa adaptação, que na época em que fora noticiada surpreendeu a todos por tratar-se de uma história muito sombria retratada em animação. Com essas premissas, inicio um post sobre o quadrinho que é S-E-N-S-A-C-I-O-N-A-L.

Batman – A Piada Mortal. Alan Moore e Brian Bolland. Panini Comics. 48 páginas, colorido.

Batman é um dos meus heróis favoritos e talvez seja também o que eu mais acompanho. Além de possuir uma trama interessante e bem humanista por trás do super herói e, de seus antagonistas serem, na maioria das vezes, muito bem trabalhados, as histórias construídas em volta do universo do mesmo são muito bem feitas. Em A Piada Mortal nada poderia ser diferente. Vemos um Batman completamente desafiador, tramando de forma inteligente e, ao invés de fazer o óbvio, desafia o leitor a descobrir mais, além de deixar no ar um grande final.

Desenvolvendo ele, que talvez seja o principal antagonista de Batman, o Coringa, Alan Moore preparou esta história em 1988 e construiu uma narrativa tenebrosa, astuta e cheia de belas sacadas. Acompanhamos de forma não-linear, os principais eventos da trama. Batman chega ao sanatório para apenas conversar com o Coringa. Depois vemos a conduta fria e impiedosa do antagonista ao atentar contra Bárbara e Jim Gordon em sua própria casa, criando o terror neste último e causando dor e sequelas para a filha deste. Também acompanha-se paralelamente a história do piadista fracassado que ao se ver em uma situação completamente humilhante para consigo e a esposa, resolve aceitar um oferta de assaltar uma indústria. Este acaba por se meter em uma grande enrascada e é obrigado a permanecer no plano mesmo com algumas coisas dando errado para ele. Aqui mais um ponto a ser destacado pelo pano de fundo sombrio e macabro, que é muito bem feito. Deste plano ardiloso e impiedoso nasce um grandioso vilão sem escrúpulos ou pena.

Piada-mortal

Depois de buscar um pouco sobre o passado de Coringa, o leitor pode perceber um pouco sobre algumas das circunstâncias que o levaram a ser quem é. Mas uma coisa que chama muito a atenção é a genialidade de Moore ao desenvolver um aspecto incrível: ele não deixa que seu vilão se torne digno de pena e, ao mesmo tempo, não entrega nada a seu favor. O leitor é quem decide julgar as atitudes de Coringa por si só ou acompanhar seus antecedentes. Pode-se notar que há certa comparação, mesmo nas entrelinhas, entre Bruce Wayne e Coringa. Os dois sofreram traumas que deixaram marcas profundas e acabaram por deixar a loucura tomar conta de si, mas com ressalvas, pois um deles resolveu ficar ao lado da lei (mesmo que em certos momentos não seja visto desta maneira). O fato é que o Sr. Wayne encontrou certa coragem em sua loucura e criou a identidade de um vingador com base em um dos seus maiores medos.

O traço de Brian Bolland faz jus à narrativa e cria aspectos marcantes junto da história. As cores são intensas ao mesmo tempo que deixam um ar macabro e cru. É uma dualidade interessante, assim como a apresentada, amarrada e centrada à trama. Um dos maiores triunfos de A Piada Mortal é justamente fazer certos questionamentos com relação a humanidade, a loucura, a solidão e a devastação. E aqui digo que Jim Gordon é forte e uma das personagens mais bem desenvolvidas com grande êxito pelo autor. O mesmo se encontra, de certa forma, com um sofrimento repentino que poderia deixá-lo da mesma forma que Coringa ou Wayne. Aliás, a capa revela muito do que poderemos esperar da obra, mesmo que ela se torne surpreendente a cada página virada.

Além de tudo isso, é importante (e interessante) ressaltar que Coringa é a chave de A Piada Mortal. Vemos que ele conseguiu superar algumas cicatrizes e outras além de o aliviaram o fizeram se tornar o que é: um grande criminoso, mas que não fica só nisso. Ele é mais, ele é grandioso e sua psicologia é uma das coisas mais bem organizadas e desenvolvidas no roteiro desta HQ. Aliás, em seu desfecho podemos perceber mais uma vez semelhanças e divergências entre protagonista e antagonista e então também podemos entender qual dos dois tem a loucura ainda mais enraizada à mente. Em suma, leiam. É incrível, genial e brutal! Aguardemos o filme!



Fã de Miyazaki, Aïnouz, Salles, Mendonça Filho, Von Trier, Thomas Anderson, Haneke e Bergman. Dirigi dois curta-metragens “A-Ma-La” e “Senhor Linux e sua Incrível Barba”, ambos pela Pessoas na Van Preta.