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nov
2015
13 filmes para ver na sexta-feira 13!
Categorias: Listas Radioativas • Postado por: Marcelo Silva

“Por que assistir a filmes de terror com tanta coisa bonita para se ver?”. Sempre que me declaro fã do gênero, as pessoas fazem essa pergunta. A resposta é mais simples do que parece: vivemos em uma rotina de terror – temos medo da criminalidade, do desemprego, da traição e, acima de tudo, da morte. Não existe nada melhor do que canalizar esse sentimento para uma dimensão imaginária, em que, por mais assustadores que sejam os monstros, espíritos e demônios, estaremos muito bem protegidos por trás da tela grande.

Então, nada melhor do que passar a sexta-feira 13 vendo as grandes obras do cinema de terror. Para montar essa lista, tentei fugir um pouco do óbvio – mas foi inevitável colocar certos clássicos. Pensando em uma noite recheada de sangue, sustos e assassinatos, misturei filmes antigos e relativamente novos. Em ordem crescente de qualidade, aqui vão eles:

Olhos Famintos (Jeepers Creepers, Victor Salva, 2001)

Olhos Famintos foi um filme de terror que marcou minha infância – e o que mais me provocou arrepios na época. Produzido por ninguém menos que Francis Ford Coppola (diretor da trilogia O Poderoso Chefão), o longa acompanha a viagem dos irmãos Darry (Justin Long) e Trish Denner (Gina Philips). Trafegando por uma estrada pouco movimentada, eles acabam cruzando o caminho de uma estranha e nada amigável criatura. A partir desse momento, Darry e Trish passam a ser implacavelmente perseguidos.

Apesar de estar longe de ser uma obra-prima do gênero, Olhos Famintos  consegue satisfazer o espectador. O monstro, interpretado por Jonathan Breck, consegue soar extremamente verossímil e horripilante mesmo sendo coberto de uma maquiagem pesada e não tão caprichada – depois de assistir a esse filme, você pensará duas vezes antes de pegar a estrada. Teve uma sequência lançada em 2003.

Quando Eu Era Vivo (Idem, Marco Dutra, 2014)

Sim, um filme brasileiro na lista! Quando Eu Era Vivo traz a história de Júnior (o excelente Marat Descartes), que, após perder o emprego e se divorciar, volta a morar com o pai (Antônio Fagundes). Chegando ao apartamento que um dia já foi seu lar, ele se encanta com a nova inquilina, a jovem estudante Bruna (Sandy, dona de uma atuação razoável). Conforme passam-se os dias, Júnior vai alimentando uma obsessão com o passado sombrio da sua família e passa a confundir delírio e realidade.

Investindo mais na tensão psicológica do que no horror explícito – o filme envereda também para o suspense -, Quando Eu Era Vivo é mais uma prova de que nosso cinema não se resume a comédias e dramas da Globo Filmes. Contando com as inspiradas performances de Marat Descartes, que transmite toda a instabilidade psicológica do personagem, e Antônio Fagundes, ótimo na pele do pai preocupado com o filho adulto, o diretor Marco Dutra entrega uma obra capaz de perturbar qualquer um. Você pode não morrer de susto, mas, certamente, ficará com uma canção bastante macabra tintilando em sua cabeça.

Sexta-Feira 13 (Friday the 13th, Sean Cunningham, 1980)

Em Sexta-Feira 13, o diretor Sean Cunningham deu vida a um dos vilões mais famosos do universo cinematográfico. Não há quem não reconheça o assassino de máscara de hóquei.

O enredo se passa em um local afastado e fechado há muito tempo conhecido como “acampamento sangrento”. Ignorando os avisos, alguns jovens monitores de acampamento decidem passar o fim de semana lá, no intuito de se divertir e fazer sexo. Eles só não contavam com a presença de um assassino que, de pouco em pouco, vai promovendo uma carnificna.

Sexta-Feira 13 é um dos melhores slashers do cinema. Apesar de não ser um filme com grandes interpretações ou uma direção ousada, pelo menos, consegue tirar o espectador da cadeira com um plot twist nos momentos finais. Depois desse, outros onze filmes voltaram a trazer a figura de Jason Voorhees (incluindo um remake e o crossover Freddy vs. Jason).

Corrente do Mal (It Follows, David Robert Mitchell, 2014)

Corrente do Mal conta a história de  Jay (Maika Monroe), uma jovem que leva uma vida despreocupada no subúrbio de Detroit. Mas, depois de um encontro sexual incomum, ela se vê atormentada por estranhas visões e um sentimento constante de que alguém ou algo está seguindo-a. Confrontada com este fardo, Jay, com a ajuda de seus amigos, deve encontrar uma maneira de escapar da morte que parece estar a poucos metros de distância – seguindo-a incansavelmente.

Cheio de traços dos clássicos do gênero, Corrente do Mal foi, de todos os filmes de terror lançados em 2014, um dos poucos de qualidade, possuindo metáforas e situações interessantes – principalmente o final. Assim que você assistir, pensará duas vezes antes de fazer sexo com qualquer um, e, caso esteja sendo seguido incessantemente, a única dica que eu lhe dou é: faça sexo urgentemente! (assista logo ao filme e saberá do que falo). Para ler a crítica de  Corrente do Mal, clique aqui.

 Halloween – A Noite do Terror (Halloween, John Carpenter, 1978)

Mais interessante por seus elementos técnicos – o uso da trilha sonora e os enquadramentos, por exemplo – do que por sua narrativa, Halloween é um clássico do gênero. No filme de John Carpenter, o psicopata Michael Myers (Tony Moran) escapa do hospício em que estava preso desde que assassinou sua irmã (Sandy Johnson), há quinze anos. Uma vez solto, ele dá início a um verdadeiro banho de sangue na cidade de Haddonfield, Illinois.

Se a história é simples, a técnica surpreende. Para começar, temos a aterrorizante música composta pelo próprio Carpenter, que ilustra a natureza macabra do serial killer sem a necessidade de, em muitos momentos, mostrá-lo por completo. Além disso, a fotografia também é exemplar, sendo crucial para criar o ambiente amedrontador – repare como o vilão sempre emerge das sombras. A sequência final, então, nem se fala. Em mais uma prova da sua inteligência, o diretor usa a respiração ofegante do assassino para mostrar que a carnificina continuará – toda a tensão é transmitida pelo som da cena, que deixa de ser um mero complemento da imagem e adquire significado próprio. Halloween teve nada menos do que dez continuações!

 The Babadook (Idem, Jennifer Kent, 2014)

Desde a morte do marido, Amelia (Essie Davies) tem levado uma vida extremamente infeliz ao lado do filho, Sam (Noah Wiseman). Certa noite, o garoto pede à sua mãe para ler um livro misterioso encontrado na sua estante, que conta a história do Mister Babadook, uma criatura sobrenatural que atormenta as pessoas. A partir desse momento, o próprio Babadook passa a tomar conta da vida da família – e um verdadeiro pesadelo surge em cena.

A australiana Jennifer Kent foi muito feliz na sua estreia como diretora – ainda mais por trabalhar dentro de um gênero dominado por figuras masculinas. The Babadook não é apenas a história de um monstro que aparece para assombrar as pessoas; na verdade, é o relato minucioso de um complexo caso de depressão e instabilidade psicológica. O final, aberto a interpretações, é mais um fator que eleva o filme ao posto de melhor terror de 2014.

À Meia-Noite Levarei Sua Alma (Idem, José Mojica Marins, 1964)

Você sabia que José Mojica Marins nasceu em uma sexta-feira 13? Dessa forma, nada mais justo do que homenageá-lo com uma sessão de À Meia-Noite Levarei Sua Alma, não?

Na trama, somos apresentados ao agente funerário Josefel Zanatas (José Mojica Marins), popularmente conhecido pelo apelido de Zé do Caixão na pequena cidade em que mora. Obcecado com a ideia de gerar um filho perfeito e dar continuidade ao seu sangue, Zé se vê decepcionado com a incapacidade de sua esposa (Valéria Vasquez) engravidar. Disposto a fazer o possível para alcançar seu objetivo, ele decide violentar a mulher do seu melhor amigo, dando início a uma onda de mortes e terror pela cidade.

A obra do genial Mojica já foi incansavelmente comentada por aqui. Ele é simplesmente um gênio e entregou, em À Meia-Noite Levarei Sua Alma, uma das melhores obras do cinema nacional. Nesse filme, tem início a saga do Zé do Caixão, personagem presente até os dias de hoje no imaginário cultural do país. Todo cinéfilo deveria assistir a esse longa – a grandeza do trabalho de Mojica merece a sua audiência. Deu origem a duas continuações: Esta Noite Encarnarei no Seu Cadáver (1967) e Encarnação do Demônio (2008). Clique aqui para ler o post especial sobre o cineasta.

Uma Noite Alucinante: A Morte do Demônio (The Evil Dead, Sam Raimi, 1981)

Cinco amigos viajam para passar o fim de semana em uma cabana na floresta. Ao descobrirem um livro misterioso no local, acabam invocando velhos demônios, que passam a possuir o corpo de cada um deles.

Antes de se tornar famoso pela trilogia do Homem-Aranha, Sam Raimi fez Evil Dead, quando ainda era um simples estudante de cinema. Cheio de mortes inventivas e situações grotescas, trata-se de um longa que, na sua simplicidade e espontaneidade, é capaz de agradar a todos os fãs de terror. Teve ainda duas continuações: Uma Noite Alucinante (1987)Uma Noite Alucinante 3 (1992). Foi feito, também, um remake em 2013.

O Iluminado (The Shining, Stanley Kubrick, 1980)

Baseado em livro de Stephen King – que, por sinal, odiou o filme -, O Iluminado é um clássico do cinema. A história do enlouquecimento gradual de Jack Torrance (Jack Nicholson), um aspirante a escritor que aceita tomar conta de um hotel na época em que este encontra-se fechado, assustou plateias do mundo inteiro. Grande parte do sucesso do filme se deve a dois fatores: a direção sensacional de Stanley Kubrick – que usa tudo, desde a direção de arte até os enquadramentos minuciosamente calculados para provocar medo -, e a atuação fora de série de Nicholson, cujo trabalho psicológico merece aplausos. Se você nunca assistiu a O Iluminado, a sexta-feira 13 é uma ótima oportunidade para mudar isso.

A Profecia (The Omen, Richard Donner, 1976)

O filme conta a história da infância de Damien (Harvey Stephens), um garoto trocado na maternidade e levado por Robert (Gregory Peck), um diplomata americano. O que ele não sabia é que o menino é filho do próprio Satã e está destinado a ser o Anticristo.

É a partir dessa premisa que Richard Donner (de Superman: O Filme) conduz o macabro longa. O espectador terá seus nervos testados nesse verdadeiro espetáculo agonizante, em que presenciamos um sentimento contínuo e cada vez mais crescente de medo e angústia – e como é se o mal estivesse ali, sempre ponto para agir. Teve três sequências que, nem de longe, repetiram o mesmo sucesso (além de um fracassado remake, lançado em 2006).

O Bebê de Rosemary (Rosemary’s Baby, Roman Polanski, 1968)

Mais um clássico para a lista. Baseado no livro de Ira Levin, O Bebê de Rosemary acompanha o dia a dia do casal Rosemary (Mia Farrow) e Guy Woodhouse (John Cassavetes) , que acabam de se mudar para um apartamento novo. Grávida, Rosemary conta os dias para dar à luz a seu filho. Repentinamente, ela vê a tranquilidade desaparecer da sua vida quando começa a estranhar o comportamento do marido, que, por algum motivo misterioso, torna-se extremamente íntimo dos seus bizarros vizinhos. Rosemary acaba por descobrir que eles pertencem a uma seita secreta e pretendem usar sua gravidez para gerar o filho de Satã – ou seja, o Anticristo.

O Bebê de Rosemary é um terror psicológico de primeira qualidade. Não é um filme que investe em truques baratos para assustar o espectador; mas, sim, em uma narrativa densa, cujo clima macabro é ressaltado pelo ambiente claustrofóbico do apartamento. Como se isso não fosse o bastante, temos a atuação de Mia Farrow, que soa bastante espontânea na pele da protagonista de uma história digna de uma sexta-feira 13. Uma sequência foi lançada diretamente na televisão em 1976.

Pânico (Scream, Wes Craven, 1996)

Ainda abalada pela morte da mãe, a jovem Sidney (Neve Campbell) tenta levar uma vida normal ao lado do namorado e dos amigos fanáticos por filmes de terror. O problema é que, inesperadamente, um serial killer passa a fazer vítimas na cidade e a intimidar Sidney. Sentindo-se em perigo, ela passa a desconfiar de todos ao seu redor, caindo num espiral desenfreado de paranoia – afinal, quem seria o assassino mascarado?

Pânico é um filme genial; ele brinca com todos os clichês do gênero e ainda apresenta uma história que manipula o espectador a todo momento (é impossível ficar indiferente ao mistério da identidade do vilão). Neve Campbell está arrebatadora no papel e consegue fazer o espectador esquecer que se trata de uma obra de ficção, tamanho o realismo com que dá vida à personagem. Entre cenas cômicas e de mortes mais que bizarras, o roteiro de Kevin Williamson ainda encontra espaço para satirizar a atuação sensacionalista da mídia.

Wes Craven, que já havia criado Freddy Krueger, entrega um verdadeiro presente aos fãs de um bom terror – estes terão um verdadeiro deleite ao assistir ao filme. Pânico teve mais três sequências e uma adaptação em forma de série na Netflix.

O Exorcista (The Exorcist, William Friedkin, 1973)

O Exorcista é um filme para ser visto na sexta-feira 13, no Halloween, no Natal, na Páscoa, no Dia dos Namorados, no Ano Novo. William Friedkin tinha em mãos o excelente livro de William Peter Blatty e fez um longa à sua altura. A história de Regan (Linda Blair), a garotinha que é possuída pelo demônio Pazuzu, foi um divisor de águas na indústria do cinema: até hoje, milhares de cineastas tentam repetir a fórmula e o sucesso desse filme.

Mais do que uma obra de terror, O Exorcista é uma parábola moderna sobre o embate entre razão e fé – o que é personificado na figura do padre Karras (Jason Miller), que se vê dividido entre as possíveis respostas da ciência e as da crença religiosa. O filme suscita questões que vão muito além do que se enxerga na tela grande. Assustador, inquietante e provocador, é uma verdadeira obra-prima da sétima arte.



Quem sou eu? Uma mistura de Walter Mitty com Forrest Gump. Um cara que tem vontade de fazer tudo o que Mark Renton fez em Trainspotting. Um cinéfilo que tem a certeza de que a vida não seria a mesma se não existisse o cinema. Diretor preferido? Assim fica difícil: amo de Zé do Caixão a Stanley Kubrick!