19
dez
2015
Andy Serkis, o rosto que você nunca vê!
Categorias: Especiais • Postado por: Marcelo Silva

Star Wars: O Despertar da Força estreou com tudo nesta semana. Além do elenco já conhecido da trilogia clássica, o sétimo filme da franquia trouxe novos nomes – entre eles, Andy Serkis, o assunto deste post. Se você já assistiu ao longa, não encontrou o rosto do ator em nenhum dos personagens. E, a menos que tenha uma memória boa a ponto de lembrar dele em suas curtas participações em filmes como Vingadores: Era de UltronO Grande TruqueDe Repente 30, Serkis pode, até mesmo, ser um completo desconhecido para você.

Qual o motivo disso? É simples: Serkis consagrou-se em Hollywood por meio do seu trabalho com a tecnologia de motion capture. Nessa técnica (conhecida em português como captura de movimentos), o diretor e sua equipe gravam as ações do ator, que veste um traje especial, e as reproduzem em formato digital, de modo a criar um personagem com aparência e físico distintos dos apresentados pelo intérprete original. O resultado do trabalho é assustador. O realismo alcançado nem se compara ao que é feito no modelo comum de computação gráfica.

Demonstração do uso da tecnologia de motion capture

Extremamente requisitado quando o assunto é motion capture, Andy Serkis viveu (e vive) personagens importantíssimos em filmes de grande sucesso de público e de crítica. Seria injusto deixar seu nome na penumbra. Por isso, neste post, vamos mostrar um pouco do dedicado trabalho desse ator.

Gollum, de O Senhor dos Anéis: As Duas Torres (2002), O Senhor dos Anéis: O Retorno do Rei (2003) e O Hobbit: Uma Jornada Inesperada (2012)

Processo de criação de Gollum. Da atuação de Serkis ao acabamento digital.

Isso mesmo, Andy Serkis foi o responsável por dar vida ao feioso Gollum, personagem icônico que, na trilogia de O Senhor dos Anéis, é o traiçoeiro guia de Frodo (Elijah Wood) até Mordor. Sem dúvida, não foi um trabalho fácil. Serkis teve que incorporar as expressões e os gestos descontrolados da criatura, bem a como a sua instabilidade psicológica, marcada por conflitos de personalidade e surtos inesperados. Por mais que a tecnologia tenha ajudado na construção do personagem, o trabalho do ator também foi importantíssimo para que Gollum se destacasse nos dois filmes em que apareceu – tornando-o imensamente adorado pelos fãs.

O personagem voltou em O Hobbit: Uma Jornada Inesperada, filme que conta os eventos anteriores à trilogia feita no começo dos anos 2000. Apesar de sua participação ser pequena, Gollum protagoniza, com Bilbo Bolseiro (Martin Freeman), a melhor cena do longa: um ardiloso jogo de charadas que resulta no roubo do Um Anel pelas mãos do hobbit.

Clique aqui para ver Serkis atuando como Gollum!

King Kong, de King Kong (2005)

Dando vida ao gorila mais humano do cinema, King Kong

Em mais uma colaboração com o diretor Peter Jackson (com quem trabalhou nos filmes de O Senhor dos Anéis e em O Hobbit), Serkis deu vida a King Kong, o gorila gigante capturado na Ilha da Caveira e levado para exibição em Nova York.

O ponto alto do filme é o comovente vínculo criado entre o primata e Ann Darrow (Naomi Watts). Se Serkis tinha que expressar loucura com Gollum, seu desafio em King Kong foi transmitir humanidade estando “na pele” de um animal. E ele faz isso com maestria, transformando Kong em uma criatura bruta, opulenta e, ao mesmo tempo, extremamente sentimental e carinhosa.

Clique aqui para ver como foi o processo de gravação do filme.

César, de Planeta dos Macacos: A Origem (2011) e Planeta dos Macacos: O Confronto (2014)

Etapas da criação do chimpanzé César, de Planeta dos Macacos: A Origem, filme em que Serkis se superou

Andy Serkis já tinha mostrado que sabia interpretar animais com uma verossimilhança impecável. Mas, em Planeta dos Macacos: A Origem, ele realmente se superou. Sem proferir uma única palavra durante grande parte do filme, César conquistou o público com o carisma, a humanidade e a dramaticidade que agrega ao filme. O talento do ator leva o espectador a questionar se o macaco visto em tela não é real, tamanho o realismo e o capricho, mérito tanto de Serkis (que se dedicou incansavelmente a estudar o comportamento de primatas) quanto da equipe de efeitos especiais.

A comoção em torno da figura de César foi tão grande que, após o lançamento do primeiro filme, foi organizada uma campanha na Internet para que Serkis fosse indicado ao Oscar por sua performance. Infelizmente, a torcida não surtiu efeito e o ator acabou esnobado – uma prova de que o seu talento está muito acima do que a atrasada Academia é capaz de premiar.

Na sequência, lançada em 2014, César voltou a aparecer, roubando a cena mais uma vez.

Clique aqui para ver um dos vídeos da campanha pela indicação de Serkis ao Oscar.

Capitão Haddock, de As Aventuras de Tintim (2011)

Filmada totalmente pela tecnologia do motion capture, a animação As Aventuras de Tintim marcou a estreia de Steven Spielberg no formato 3D. Nessa adaptação das histórias em quadrinhos do belga Hergé, Andy Serkis usou toda a sua vasta experiência para dar vida ao Capitão Haddock. Pela primeira vez, vemos o ator em um personagem essencialmente cômico, no caso, um marinheiro alcoólatra atrapalhado que embarca com Tintim (Jamie Bell) em uma perigosa aventura. Vê-lo explorar sua veia humorística é, no mínimo, gratificante, tendo em vista que Haddock é o responsável pelas melhores cenas do longa.

Trata-se, sem dúvida, de um animação capaz de agradar adultos e crianças. Os personagens, a história, o visual, a trilha, tudo colabora para que As Aventuras de Tintim se constitua como um dos melhores filmes da carreira de Spielberg.

Clique aqui para ver o making-of do filme.

Líder Supremo Snoke, de Star Wars: O Despertar da Força (2015)

Andy Serkis, compenetrado, interpretando o Líder Supremo Snoke, personagem que ainda é um mistério

Como spoilers não são nada legais, vou apenas dizer que o novo personagem de Serkis é soberbo, imponente e sombrio. Nos poucos momentos em que aparece, já fica claro, pela atmosfera soturna criada em seu entorno, que estamos diante de um vilão com potencial para deixar o Imperador da trilogia clássica para trás no quesito de ameaça. Assim que você olhar para Snoke, saiba que, por trás dessa “tonelada” de efeitos especiais, está Andy Serkis, o homem que há anos vem dedicando sua carreira a atuar sem, necessariamente, ter seu rosto marcado e ser reconhecido por fãs na rua.



Quem sou eu? Uma mistura de Walter Mitty com Forrest Gump. Um cara que tem vontade de fazer tudo o que Mark Renton fez em Trainspotting. Um cinéfilo que tem a certeza de que a vida não seria a mesma se não existisse o cinema. Diretor preferido? Assim fica difícil: amo de Zé do Caixão a Stanley Kubrick!