30
dez
2015
A Força dos Blockbusters em 2015!
Categorias: Especiais • Postado por: Pedro Bonavita

O ano de 2016 será um ano repleto de grandes lançamentos no cinema mundial. Filmes como Capitão América: Guerra Civil, Esquadrão Suicida, Deadpool, X-Men: Apocalipse, Batman Vs Superman – A Origem da Justiça, A Série Divergente: Convergente, Doutor Estranho, Independence Day: O Ressurgimento, Animais Fantásticos e Onde Habitam, Star Wars: Rogue One, Star Trek: Sem Fronteiras estão como os mais aguardados do ano, porém mesmo tratando-se de mega produções, não tenho a certeza de que terão o mesmo sucesso, ao menos não da crítica daqueles lançados esse ano.

Em 2015 tivemos o melhor ano em muito tempo tratando-se de Blockbusters. São somente por conta das bilheterias astronômicas de Star Wars: O Despertar da Força e Jurassic World, mas também pela qualidade artística apresentada na telona. Se os filmes da Marvel já não surpreendem mais e pecam um pouco em sua qualidade, continuaram divertindo e arrastando multidões de fãs aos cinemas. Jogos Vorazes: A Esperança – O Final fechou muito bem aquela que é certamente a melhor saga “adolescente” dos últimos anos. Star Wars: O Despertar da Força, Jurassic World e Mad Max: Estrada da Fúria renasceram franquias de sucesso sem desrespeitá-las em nenhum momento, pelo contrário, conseguiram em alguns aspectos elevar sua qualidade. Ainda tivemos aqueles solitários, mas também de qualidade como Perdido em Marte e Tomorrowland – Um Lugar Onde Nada é Impossível.

Falarei agora um pouco daqueles que pra mim são os três melhores arrasa quarteirões do ano. E torço para que todos os lançamentos de 2016 consigam ao menos chegar perto do que se viu esse ano, mas tendo a certeza de que ao menos vamos nos divertir muito nas salas de cinema no próximo ano.

Mad Max – Estrada da Fúria (George Miller)

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É, sem dúvidas, um dos melhores filmes do ano. George Miller junto dos roteiristas Brendan McCarthy e Nick Lathouris evita o didatismo ao todo custo e apostam todas as suas fichas na ação desenfreada, mas mesmo em um roteiro aparentemente simples, existem camadas sutis que debatem importantes temas sociais: como a escassez de recursos primários e a (falta) de valorização da mulher na sociedade.

Mad Max trata o cinema como uma arte visual. Tendo em seus pontos fortes o design de produção e a fotografia. O trabalho de Colin Gibson é sério candidato aos prêmios da temporada. Passando pela cenografia, maquiagem, figurino, e chegando aos imponentes carros, tudo tem personalidade e mesmo diante do realismo com que as cenas de ação são filmadas (utilizando mais do efeito especial do que computação gráfica), o exagero e a particularidade do design acaba sendo crível àquele universo maluco, onde em cenas de perseguição tem espaço para um gigante carro equipado com potentes caixas de som transportando um guitarrista e vários percussionistas que ditam praticamente toda a trilha musical. Também digno de prêmio ou ao menos indicações (já que nessa categoria tudo é muito mais disputado) é o trabalho do fotógrafo John Seale. Além de essencial para a narrativa do filme, já que utiliza um frame mais baixo do que os tradicionais 24fps, ele não precisa do excessivo movimento de câmera e cortes frenéticos na montagem pra imprimir a ação. A fotografia é belíssima. Poucas vezes vi cenas noturnas tão lindas, Seale deu a elas um tom azulado contrapondo totalmente com o laranja das tomadas diurnas. E usou a tecnologia da pós-produção para corrigir e melhorar ainda mais as cores. É realmente belo, uma beleza muito mais comuns aos filmes poéticos do que aos filmes de ação.

Miller tira das cinzas uma franquia que parecia morta e mais: melhora e muito sua qualidade. Mad Max – Estrada da Fúria é dono de uma energia contagiante e não tem vergonha de ser um filme de ação.

Star Wars: O Despertar da Força (J. J. Abrams)

Saí do cinema totalmente convencido de que J. J. Abrams era a pessoa mais indicada para despertar a força adormecida há quase 33 anos. Assim como fez em Star Trek (outra franquia espacial de sucesso), o diretor conseguiu criar um episódio que ao mesmo tempo em que faz justiça à obra original, consegue também oferecer ao público novidades. É correto ao manter em sua história personagens pelos quais nos apaixonamos no passado enquanto também cria novas figuras para nos manter apaixonados e com isso deixa próximo de si os antigos e novos fãs.

Sem deixar de lado a estética clássica de Star Wars, a direção não mede esforços para agora, em 2015, utilizar efeitos visuais de qualidade impressionante, mas que em nenhum momento soa falso como na fatídica trilogia do final dos anos 1990/início dos anos 2000.

Assim como Mad Max, é interessante como O Despertar da Força tem em sua narrativa um importante debate social ao ter como figuras centrais, dois heróis que fogem do padrão hollywoodiano: uma mulher e um negro. Daisy Ridley é uma grata surpresa ao demonstrar um carisma único, sem que deixe de lado a força feminina de sua personagem, que assim como Furiosa (Charlize Theron) em Estrada da Fúria é a heroína do século XXI. John Boyega é, ao lado de Harrison Ford, o responsável pelo alívio cômico necessário no gênero, sem que ambos deixem de lado a seriedade em momentos importantes. O pecado pra mim fica por conta do vilão, que claramente não possui a força de Darth Vader, apesar de almejar muito isso, mas seria precipitado crucificá-lo por isso, já que temos ainda pelo menos mais dois episódios para a construção total de todos esses personagens.

J. J Abrams acerta mais uma vez, me parece cada vez mais ser o diretor mais respeitoso com obras consagradas da sétima arte.

Perdido em Marte (Ridley Scott)

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Há muito se esperava um bom trabalho de Ridley Scott. O diretor de “Blade Runner, o Caçador de Andróides” via sua carreira derrapar a cada lançamento. Com “Perdido em Marte”, Scott parece ter voltado à boa fase ao nos entregar uma ficção científica que sabe usar de maneira perfeita a ciência para tornar a narrativa o mais verossímel possível.

O roteiro conta a jornada de Mark Watney (Matt Damon), integrante de uma missão da NASA em Marte que após uma tempestade é atingido por uma antena e abandonado por seus companheiros que acreditavam que ele havia morrido no acidente. A premissa seria completamente batida e entediante, porém, Scott em um projeto inspirado consegue dar um dinamismo interessante na narrativa ao mostrar o protagonista enquanto ele grava suas façanhas científicas que o mantém vivo em solo marciano, ao mesmo tempo em que, através de uma eficiente montagem paralela, acompanhamos todos os esforços da agência norte-americana em criar soluções para tirar nosso herói do planeta vermelho.

É interessante perceber aqui também como Hollywood tem se esforçado para não relegar negros e mulheres a papéis inexpressivos, tendo aqui em Perdido em Marte também papel importante no desenrolar da história. Gosto também do fato de aqui nos Estados Unidos precisarem da ajuda de chineses para salvar seu astronauta, mesmo sabendo que por trás disso existe o fator importante do mercado asiático, que consome cada vez mais o cinema hollywoodiano.

Dono de imagens grandiosas e lindíssimas, Perdido em Marte é uma agradável surpresa da temporada. Trouxe de volta um dos diretores que mais produz sci-fi no mundo. E tem o mérito de conseguir ser destaque entre sagas, franquias e continuações infinitas, que não o torna o melhor, mas com certeza um dos mais originais blockbusters de 2015.

O Pipoca Radioativa deseja um 2016 repleto de diversão a todos os nossos leitores!



Paulista radicado no Rio de Janeiro, produtor e futuro diretor; formado em cinema e amante da sétima arte. Fã de Kubrick, Tarantino, Fincher e defensor do cinema nacional. Eterno sonhador: sonho tanto que acredito fielmente que um dia nosso cinema será reconhecido por aqui.