26
dez
2015
Crítica: “Circle” (2015)
Categorias: Críticas • Postado por: Marcela Galvão
Circle-Poster-FilmFad.com_1

Circle

Aaron Hann e Mario Miscione, 2015
Roteiro: Aaron Hann e Mario Miscione
Netflix

3.5

À primeira vista, Circle (com mesmo nome para o Brasil) pode-se assemelhar com a famosa série “Jogos Mortais”, mas conforme os minutos passam, é percebível que Circle é uma das histórias mais originais do que se tem feito recentemente.
A história se inicia com o despertar de 50 pessoas dentro de uma sala escura presas em respectivos 50 círculos ao redor de um globo negro. Elas não podem se mover nem tocar em outras pessoas, caso contrário, morrerão – Let the games begin, certo?

Aos poucos, os 50 trancafiados começam a entender as outras regras do jogo: a cada 2 minutos uma pessoa aleatória morre a não ser que eles votem para a próxima pessoa a ser morta e, a partir disso, eles começam a procurar formas de escaparem e descobrirem quem e por quê faz isso. O círculo em que eles estão presos é um jogo de lógica, tática e sobrevivência.

Sobrevivência. Se você já assistiu a algum filme de guerra ou terror, sabe o que seres humanos são capazes de fazerem para sobreviver. Circle demonstra isso não de uma maneira descontrolada e sanguinária, mas de uma maneira mais limpa, mostrando todas as facetas humanas frente ao desespero: a compaixão, o medo, a fúria, o sacrifício, a autopreservação. Todos estes sentimentos estão presentes dentre as 50 personagens nos apresentadas. Aqui, apesar de algumas delas serem clichês, conseguimos identificar pessoas muito parecidas com estas em nosso dia-a-dia, e por algum (pouco ) tempo, até construímos um sentimento sobre elas – mas devo dizer que o sentimento é pouco, pois lembrem-se: temos apenas 2 minutos antes do próximo.

Circle recebeu as mais diversas críticas pela internet: uns dizem ser muito exposto, uma vez que toda a discussão nos é apresentada. Outros alegam ser um péssimo filme, com a leiga desculpa do final não ter sido explicado (o que, caso esse argumento fosse válido, tiraria uma porrada de filmes excelentes, tais como “Donnie Darko”, “O Labirinto do Fauno”, “Sinais”, etc).

Mas a minha opinião é que Circle foi escrito de uma maneira impecável, criando o suspense e intriga perfeitas até mesmo dentro do próprio espectador – acredite, em algum momento você vai se pegar perguntando: “o que eu faria agora?”.

Feito a partir de uma websérie chamada The Vault e com um baixíssimo orçamento,  a película é dirigida de uma forma limpa, clara, sem muita movimentação de câmera ou atores conhecidos, mas não pode-se dizer que não é um trabalho extremamente profissional.

Circle, não pode-se comparar a “Jogos Mortais” porque não procura causar nojo ou pavor nas pessoas, mas sim, uma reflexão para as ações humanas, com destaque para o julgamento de umas as outras. Racismo, Homofobia, Meritocracia, Xenofobia, Maturidade – todos estes valores são apresentados conforme os minutos passam. Afinal, quem é mesmo digno de viver? Todos? E se não houvesse um jeito de todos viverem?

Circle é um filme de camadas: camadas do ser humano, da sociedade. Ainda que para poucos, Circle não deve ser menosprezado. Espero que tenha muito mais de Aaron Hann e Mario Miscione por vir. Aproveite suas férias e vá assisti-lo no Netflix!

 



Fã de Nolan, Kevin Smith e Von Trier. Chora em "Toy Story", assiste Grease toda vez que está passando na televisão e tem pavor de filmes com animais falantes. Torce pra a dominação alien sobre a Terra.É cinéfila e nas horas vagas, estudante de direito.