28
dez
2015
Crítica: “Sinais”
Categorias: Críticas • Postado por: Convidado Especial
19873063

Sinais (Signs)

M. Night Shyamalan, 2002
Roteiro: M. Night Shyamalan
Buena Vista Pictures

4

Com roteiro de M. Night Shyamalan (lembrem deste nome), Sinais realmente é um filme ímpar – seja por seu gênero de difícil definição (chego nisso em um momento), pelo elenco sensacional ou pelas reflexões que tem o objetivo de trazer. Ou talvez essa seja apenas minha opinião, já que conheço o filme de trás pra frente (nessa versão, o filme é sobre um et que junta a galera dele e vai embora da Terra, não recomendo).

O filme conta a história de Graham Hess (Mel Gibson) e sua família, composta por Merril (Joaquin Phoenix), irmão mais novo de Graham, Bo (Abigail Breslin) e Morgan (Rory Culkin), filhos de Graham, quando eventos estranhos começam a acontecer na fazenda em que vivem, nos arredores e, posteriormente, em todo o planeta. Os animais ficam irritadiços, vultos são vistos durante a noite, agroglifos (círculos nas plantações) começam a surgir e, finalmente, luzes aparecem no céu. As hipóteses sobre o que poderia causar aqueles fenômenos começam a aparecer, sendo que a mais aderida pela população em geral é a de que se trata de um fenômeno extraterrestre.

Sinais é um filme de sutilezas. Graham era um pastor que perdeu a fé após sua esposa, Colleen (Patricia Kalember), ser atropelada em uma de suas caminhadas vespertinas por Ray Reddy (interpretado pelo próprio M. Night Shyamalan – quem já viu A Vila sabe como o diretor gosta de fazer aparições e pontas), abandoando a igreja e consequentemente a crença em um deus. Em sua morte, Colleen começa a dizer frases aparentemente sem sentido. Bo, filha de Graham, deixa copos de água espalhados pela casa, pois acredita estarem contaminados, ou sujos, ou impróprias pra consumo de forma geral. Morgan, filho de Graham, tem asma. Merril, irmão de Graham, era jogador de baseball em um time do interior.

No decorrer da película, Merril pergunta a seu irmão se ele acredita que aqueles eventos podem se tornar o fim do mundo. Após responder que sim, Graham separa as pessoas em dois grupos: aquelas que veem eventos ímpares como sinais de que existe alguém vigiando e pronta para ajudá-las, e aquelas que acreditam estar completamente sozinhas, vendo tais eventos como nada mais do que puro acaso, incluindo-se nesse grupo.

E é exatamente sobre isso que o filme trata, tornando-se de difícil categorização. Se por um lado temos uma ameaça alienígena, criando um certo suspense em razão de quase nunca vermos claramente como eles são e nem do que são capazes, por outro, esta situação é apenas o substrato para um entendimento mais profundo sobre a natureza humana frente às adversidades e as relações de parentesco.

Próximo do final, a casa de Graham é invadida por um alienígena, que faz Morgan de refém e tenta injetar uma toxina em forma de fumaça no garoto. Entretanto, graças ao susto e à asma, os pulmões dele se fecham, salvando sua vida. Já os copos de água de Bo, espalhados pela casa, são usados por Merril, munido de seu taco de baseball, para quebrá-los e jogar água na direção do et, que o atinge como se fosse ácido, matando o invasor. Entretanto, nada disso acontece sem que Graham se lembre das palavras de sua esposa antes de morrer: “Diga a Graham para que veja. E diga a Merril para que bata com toda a força”. Graham, vendo como todos estes eventos se coadunaram para o resultado positivo, teve sua fé restaurada, mudando de grupo daqueles que ele mesmo havia categorizado e voltando a ser pastor.

Autor da crítica: João Henrique Silla Salvágico



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