17
dez
2015
Crítica: “Star Wars: O Despertar da Força”
Categorias: Críticas, Maratona Oscar 2016 • Postado por: Matheus Benjamin
Star Wars: O Despertar da Força (Star Wars: The Force Awakens)
J. J. Abrams, 2015
Roteiro: Michael Arndt, Lawrence Kasdan e J. J. Abrams
Walt Disney

4.5

Depois de pouco mais de trinta anos do lançamento do Episódio VI, exatos dez anos do lançamento do Episódio III e há quatro anos da compra da Lucas Film pela Disney e o anúncio de um novo filme, os fãs de Star Wars ficaram com grandiosa expectativa pelo que viria a seguir. E Star Wars VII – O Despertar da Força só corrobora a força da história criada por um jovem e sonhador cineasta nos anos 70, que era quase sempre desacreditado por quem o cercava. George Lucas jamais imaginou que seu sucesso lhe renderia uma porção de bons frutos, fama, fãs e muito dinheiro.

Luke Skywalker (Mark Hamill) está desaparecido e todos estão em busca de encontra-lo. É com essa pequena e aparente simples premissa que o espectador conhece uma gama de novos personagens. Os primeiros são Poe Dameron (Oscar Isaac), um rebelde e o vilão Kylo Ren (Adam Driver), que mais tarde descobrimos ser filho de dois personagens muito importantes do universo Star Wars. Mas o roteiro parece ter um grande interesse por Finn (John Boyega), um stormtrooper e Rey (Daisy Ridley), uma sucateira que parece ter ligações genuínas com a força. Além deles, o droide BB8 também é apresentado com um importante elemento chave para a trama prosseguir, afinal de contas é dentro dele que informações de onde Luke está são guardadas e com isso passa a ser disputado por diversos grupos, entre eles o da Primeira Ordem, de Kylo Ren.

É notório observar a intertextualidade que o roteiro de J. J. Abrams, Michael Arndt e Lawrence Kasdan desenvolve com o Episódio IV – Uma Nova Esperança (A New Hope. George Lucas, 1977). Há semelhanças tanto na construção narrativa da trama quanto de personagens; repare que tudo começa também em uma zona desértica com um droide carregando informações valiosas enviadas por terceiros. A trama também possui a construção da jornada de um herói (no caso, uma heroína) que não desejaria viver tudo o que acabaria vivendo e é “escolhida” pela força a seguir adiante. O desfecho também é carregado de referências ao referido e clássico episódio, com momentos ainda mais emocionantes.

Os personagens desse novo filme são muito bem construídos. Rey possui uma aura misteriosa e uma atuação exímia de sua intérprete Daisy Ridley que encontra um tom necessário para sua composição. Seus diálogos com Mas Kanata (Lupita Nyong’o) são bastante interessantes e motivadores para essa nova trama que vai surgindo, algumas dúvidas que vão sendo cada vez mais jogadas na mesa, uma possível melhor amiga do saudoso Mestre Yoda. Finn, o stormtrooper (e uma nova exploração dramática para Star Wars) é um personagem dúbio que aos poucos conquista o espectador, junto de Poe Dameron protagoniza uma das cenas mais intensas do longa logo no seu início. Capitã Phasma (Gwendoline Christie) e General Hux (Domhnall Gleeson) têm pouco espaço de tela, mas mesmo assim são personagens fortes. Talvez falte alguma multidimensionalidade a Phasma que pode ser corrigida em outros momentos. O maior injustiçado pelo roteiro talvez seja Kylo Ren que mesmo com uma personalidade completamente diferente de qualquer outro grandioso vilão do universo Star Wars, é notável de se enxergar sua complexidade. Comparando-o com o imensurável Darth Vader (que é “homenageado” em determinado momento) são completamente distintos, pois o Lord Vader jamais seria tão infantilizado ou dramático e mimado como Kylo Ren, que possui facetas interessantíssimas que poderão ser aproveitadas posteriormente. Infelizmente, nesse sétimo episódio Kylo é julgado como um zé ninguém. E por favor, observemos Líder Snoke (Andy Serkis) com atenção!

Há de se comemorar a reunião de personagens memoráveis da trilogia original como Han Solo (Harrison Ford), Princesa Leia (Carrie Fisher), Crewbacca (Peter Mayhew) e os droides mais amados: C3PO (Anthony Daniels) e R2D2 que surgem em pequenas aparições para a alegria dos fãs. Destaque ainda para quando Leia Organa diz a Rey: “Que a Força Esteja com Você”; não há mais dúvidas, Star Wars está de volta.

O desfecho de O Despertar da Força deixa margem para diversas teorias conspiratórias do que vem por aí nos próximos filmes. Resta saber se a série cairá na obviedade do enredo ou seguirá alguma saída mais criativa. A direção de Abrams é algo bem ajambrado, tendo em vista que ele mergulhou de ponta nas ideias de George Lucas com maestria e o roteiro o favorece em todos os sentidos. A fotografia unida da direção de arte também fazem o espectador imergir por completo nesse novo e tão rico, mas ainda assim clássico universo e trazer ares completamente motivadores e instigantes. O CGI é algo bem aproveitado, os efeitos são bem feitos (o que já esperado; chover no molhado de falar sobre eles) e a trilha sonora de John Williams, com pequenas sutilezas e referências são marcantes.

Veredito sobre um (se não o) dos filmes mais aguardados do ano: é maravilhosamente bem construído, com dosagens exatas sobre os rumos dessa nova trilogia com o agrado para os fãs. Vale muito a pena!



Fã de Miyazaki, Aïnouz, Salles, Mendonça Filho, Von Trier, Thomas Anderson, Haneke e Bergman. Dirigi dois curta-metragens "A-Ma-La" e "Senhor Linux e sua Incrível Barba", ambos pela Pessoas na Van Preta.